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Boxe Olímpico Brasileiro ‘afiado’ para os Jogos de Londres

Esquiva Falcão, Robson Conceição e Everton Lopes preparam seus socos para brilhar na Terra da Rainha 11/04/2012 às 08:25
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Vencer seus combates faz parte da carreira de Esquiva Falcão
Adan Garantizado São Paulo

O boxe Olímpico sempre foi tratado como um “patinho feio” em relação ao multimilionário ambiente do boxe profissional. Atualmente, a modalidade ainda enfrenta a concorrência ferrenha do MMA. Mesmo assim, o esporte tem rompido as barreiras do tempo (está no circuito olímpicos desde a segunda edição dos Jogos Olímpicos da história, em Paris, em 1900) e sobrevive.

E em um clima “guerreiro” semelhante ao da modalidade, os atletas brasileiros se preparam para os Jogos de Londres. Esquiva Falcão, Robson Conceição e Everton Lopes afiam seus socos para brilhar na Terra da Rainha. O CRAQUE visitou as instalações do Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Boxe (CBBOXE), em Santo Amaro, São Paulo, e descobriu que mesmo se não conquistar medalhas nos Jogos de Londres, o trio já pode se considerar vencedor na vida.

Com o nome que batiza o ato de “desviar” de um golpe adversário, o meio médio (até 75 kg) Esquiva Falcão, já “fugiu” de alguns golpes da vida. Medalhista de bronze no mundial de Baku, no Azerbaijão, em 2011, o pugilista de 22 anos encontrou no esporte a sua tábua de salvação.

Natural de Serra, Espírito Santo, Esquiva cresceu no meio do boxe. Seu pai, o lutador “Touro Moreno”, incentivou ele e os oito irmãos a praticarem o pugilismo desde o berço. “Aquelas brigas entre irmãos eram resolvidas no ringue. Meu pai dava uma luva pra cada um e nós nos batíamos até cansar (risos)”, relembra. A primeira luta oficial do capixaba veio aos 13 anos. O talento e as conquistas repentinas fizeram com que Esquiva fosse convidado a treinar em São Paulo. Mas, quando as coisas pareciam caminhar pelo caminho certo, tudo desandou. “Vim pra São Paulo aos 14 anos e fiquei treinando em São Caetano. Fiquei uns cinco ou seis meses aqui, mas como era muito novo e não conhecia ninguém, me mandaram embora. Voltei para Vitória mas não tinha nada pra fazer. Só sabia lutar boxe. Acabei me envolvendo com pessoas erradas, os meninos do tráfico. Fiquei nessa vida por quase um ano”, relata.

E quando o “nocaute” para o esporte parecia questão de tempo, uma oportunidade “virou a luta”. Raff Giglio, instrutor de boxe que conheceu o talento de Esquiva, procurou o garoto em Vitória e o convidou para treinar em um projeto social, que mantém no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. “Chamo o Raff de pai até hoje. Eu era ‘fissurado’ para conhecer o Rio. Gostava muito de funk. E fiquei treinando e morando no projeto dele lá no Vidigal por dois anos. Voltei a disputar competições, venci um campeonato brasileiro e a Seleção me convocou logo em seguida, em 2010. E estou aqui até hoje”, conta o lutador.

“Esquiva é um filho pra mim. Sabia que ele tinha muito talento. Não podia deixar ele se perder”, disse o “paizão” Raff.

O 3º lugar no mundial de 2011 garantiu a vaga de Esquiva em Londres. E para quem já superou tanta adversidade, os obstáculos da 1ª Olimpíada da vida nem parecem ser tão grandes. “Estou bastante confiante. Falei pro meu pai que iria trazer uma medalha no mundial e consegui. Agora já prometi que vou trazer uma medalha Olímpica em Londres. Tô indo em busca dela, independente da cor. Cada pessoa que tenta me mostrar que eu não sou capaz vira uma motivação. Vou mostrar a todos do que posso”, promete. 

João Carlos Barros - Treinador da seleção brasileira de boxe

1  Três dos seus atletas já se classificaram e há pelo menos mais cinco com chances de ir a Londres. Uma medalha Olímpica traria mais prestígio ao boxe amador?
Sim. Estamos trabalhando forte aqui em Santo Amaro para conseguir uma medalha e ter uma maior visibilidade no Brasil. Temos boas chances em Londres. Os meninos treinam em média 5 horas por dia. As medalhas estão lá e vamos em busca delas.

2  O que o boxe Olímpico deve fazer para conquistar mais adeptos, diante desta ‘onda’ do MMA?
O MMA é momento. Houve um tempo que ele nem aparecia. A Associação Internacional de Boxe Amador (AIBA) está criando regras para aproximar o boxe Olímpico do profissional. Atleta sem protetor e camiseta, saias para as mulheres. Aos poucos essas regras farão o boxe aparecer mais.

Lições de Pequim na bagagem
Robson Conceição viverá em Londres sua segunda experiência Olímpica. Com apenas 18 anos, o baiano disputou os jogos olímpicos de Pequim. Mas, a inexperiência o fez cair precocemente diante do Chinês Yang Li. “Foi meu primeiro grande campeonato internacional. Estava preparado, mas infelizmente lutei contra um adversário da casa e não fui muito bem.

Pra mim, valeu a pena só por ter ido lá. Chegar à uma Olimpíada não é fácil. Já é algo histórico”, disse o atleta que competirá na categoria leve 60 kg em Londres. Revelado em um projeto do treinador Luís Carlos Dórea, famoso por “lapidar” Acelino Popó Freitas e o campeão do UFC, Júnior Cigano, Robson ajudava a avó, “dona” Neuza, a vender verduras e legumes pelas ruas do bairro de Boa Vista, em Salvador, antes de descobrir o pugilismo.

“Minha avó ainda verá minhas vitórias na Olimpíada. Em Londres é outra história. Volto mais experiente, com bagagem internacional. Isso pesa bastante”, enumera.