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Esportes
Craque

Brasil investiu R$ 1 bilhão nos jogos de Londres e desempenho não agradou ministro

Alto investimento não dá bom resultado e se começa a pensar em melhorar para 2016. Na terra da rainha, o verde e o amarelo foram as cores do fiasco 14/08/2012 às 09:36
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Símbolo das Olimpíadas do Rio-2016 foi destacado na cerimônia no domingo (12)
Paulo Ricardo Oliveira Manaus (AM)

O início da contagem regressiva para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, suscita incertezas quanto ao desempenho do Brasil em casa no quadro de medalhas. Na terra da rainha, o verde e o amarelo foram as cores do fiasco. Apesar das 17 medalhas (a maior quantidade já conquistada em uma edição olímpica), apenas três foram de ouro (desempenho inferior a de edições passadas).

Considerando um investimento de mais de R$ 1 bilhão, naquela que foi a maior e mais cara preparação olímpica brasileira, é possível dizer que o custo Brasil nos jogos de Londres pela quantidade de pódios, foi de R$ 58,8 milhões para cada medalha conquistada. Um preço alto, uma vez que o Comitê Olímpico Internacional (COI) não trabalha com descontos.

Diante de resultados tão decepcionantes, algumas perguntas não querem calar: quais os erros da delegação canarinho na Grã-Bretanha? Onde erramos? Estaremos preparados em termos de infraestrutura para sediar um evento deste porte? O Brasil vai quantificar significativamente o quadro geral de medalhas de ouro por competir no seu território? E o emocional do atleta tupiniquim estará preparado para a cobrança por serem os donos da casa?

As respostas devem ser dadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em conjunto com Ministério dos Esportes e autoridades cariocas, responsáveis pela organização e investimentos em atletas nos jogos do Rio. Porém, há no ar um indisfarçável sentimento de frustração em Londres.

Na contagem geral, ficamos atrás de países como Cuba, Cazaquistão, Irã, Coreia do Norte, com aporte de verba muito mais tímido e delegações muito menores em relação ao Brasil.

Ministro decepcionado


Para Auldo Rebelo, resultado foi ruim diante dos investimentos (Divulgação)

O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PC do B) incorpora bem essa sensação de que deveríamos ter ido além das 17 medalhas. “O que seria melhor? O mensalão tirar os holofotes do péssimo desempenho do Brasil em Londres ou o contrário?!”, questionou o ministro.

Rebelo disse que o ideal seria ao menos 20 medalhas para justificar o alto investimento e cobrou uma performance mais recheada de ouro em casa.

Ele disse que o Brasil deve “colar” dos organizadores da Olimpíada em Londres o que houve de melhor na organização e preparação de atletas, já que a Inglaterra saltou de 47 medalhas em Pequim (2008) para 65 em seus domínios, sendo 29 de ouro. O ministro apontou, porém, que Londres teve problemas com relação à segurança e trânsito e que isso deve servir de lição para o COB.

Para o ministro, uma política de preparação de atletas mais intensa e eficiente do ponto de vista do resultado será fundamental para estar entre as dez nações com mais medalhas em 2016.

Desempenho fraco

Atletismo e natação, que têm patrocínios de estatais, como os Correios e a Caixa Econômica, foram abaixo do esperado em Londres.

Abaixo do esperado

Num balanço geral feito de Londres, o COB divulgou que a Lei Federal Agnelo Piva, de incentivo ao esporte, repassou R$ 331 milhões à entidade e às federações nos preparativos dos atletas de alto rendimento nos últimos quatro anos, sem contar com fontes privadas. Em Pequim, há quatro anos, esse valor foi R$ 230 milhões.

Em investimentos universais, o Brasil gastou mais R$ 2 bilhões com o esporte para o ciclo olímpico do megaevento londrino, incluindo bolsa-atleta, repasse da Lei Piva, patrocínios de estatais e verba destacada diretamente do Governo Federal. A Grã-Bretanha, anfitriã  dos Jogos, gastou em torno de R$ 2 bilhões. A Austrália investiu R$ 1,7 bilhão e a Alemanha, R$ 3,8 bilhões.

Atribui-se a fraca performance brasileira em Londres à falta de atenção ao atletas de alta performance e nas modalidades individuais, cuja probabilidade  de ganhar medalhas é maior, a exemplo de judô, boxe, canoagem, BMX, ginástica e outros.

Judô se destacou

 O judô foi o esporte que mais trouxe medalhas ao País: uma de ouro com Sarah Menezes, e três de bronze Mayra Aguiar, Felipe Kitadai e Rafael Silva.

Ainda assim, as conquistas foram aquém das previsões, uma vez que alguns favoritos, como Leandro Guilheiro, o primeiro do ranking mundial da categoria dele, deu vexame.

Faixa-preta 4º DAN de judô e graduado em Educação Física, Gláucio Mendonça, considerou razoável o desempenho dos judocas brasileiros em Londres, mas esperava quatro medalhas de ouro, no mínimo.

“Sem dúvida, foi uma campanha histórica, memorável, pois não ganhávamos o ouro olímpico desde 1992 (Barcelona). Nós tínhamos quatro atletas favoritos ao ouro, mas apenas um se deu bem. Acho que poderíamos fazer melhor no judô, que nunca havia se preparado tão bem para uma Olimpíada”, diz.

Mas Mendonça afirma não ter dúvida que Brasil será potência mundial no judô.

Data certa no Rio

Em 2016, a Olimpíada do Rio de Janeiro começa no dia 5 de agosto e termina no dia 21. O COB quer investir mais no esporte individual.