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Craque

Brasil pega México e a Maldição do Ouro

Canarinhos vão a mais uma final tentando a conquista mais esperada do ouro, no jogo contra a seleção mexicana 11/08/2012 às 10:17
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Canarinho vão a mais uma final tetando a conquista esperada
Leandro Prazeres/Londres ---

 

Neste  sábado, a partir das 10h (horário de Manaus), o Brasil não vai enfrentar apenas a temida seleção do México na final do torneio olímpico. Vai enfrentar um adversário muito mais assustador e, até agora, perigoso: a maldição do ouro olímpico. O torneio olímpico é talvez a competição de futebol mais traiçoeira do mundo, com seleções para lá de desconhecidas conseguindo o que a mais campeã de todas ainda não conseguiu. E hoje? Será que a escrita será diferente?

Se os números falassem, tudo levaria a crer que o Brasil pode se sagrar campeão. O time de Mano Menezes fez 15 gols em cinco partidas, média de três por jogo. A defesa levou cinco gols e o Brasil ainda tem o artilheiro da competição, Leandro Damião, com seis gols.

Analisando do ponto de vista individual, esta talvez é a seleção olímpica mais talentosa que o Brasil já teve. Em 1984, a base da seleção era o time do Internacional de Porto Alegre, que tinha um bom entrosamento, mas que estava longe de ter craques. Em 1988, em Seul, o time vinha com Romário e Careca, mas nenhum dos dois tinha, naquela época, a projeção que os craques como Neymar, Lucas, Thiago Silva, Marcelo e Oscar têm atualmente.

Mas uma decisão não é feita somente de números ou de nomes. Ao longo das últimas décadas, o peso do conjunto foi fundamental para que o ouro escapasse das mãos brasileiras. E o conjunto é exatamente o que o México tem de melhor. Sem algumas de suas estrelas, como Javier Hernandez Chincharito, que não foi liberado pelo Manchester United, a seleção chega com Giovani dos Santos como principal astro e um trabalho de preparação específico para as Olimpíadas. Até mesmo Mano Menezes admite que a preparação mexicana para os Jogos Olímpicos foi muito bem feita.

“Eles fizeram uma preparação em separado da Seleção principal, mas esse time tem muitas das características do time principal, que nos derrotou nos Estados Unidos (em partida amistosa). Essa partida, inclusive, está sendo utilizada em nossa preparação para a final”, disse Mano Menezes.

Para esse “caldeirão” de emoções ficar ainda mais temperado, o retrospecto de partidas entre Brasil e México não é dos mais favoráveis. Das últimas dez vezes que os dois times se enfrentaram, os mexicanos venceram seis. Para Mano Menezes, não existe mais complexo de inferioridade entre seleções. “Complexo de inferioridade não existe mais entre seleções há muito tempo. Foi possível ver isso nessa competição. Existe uma diferença técnica, mas não existe mais essa questão de complexo de inferioridade e vamos encarar o México exatamente como um igual”, destacou o técnico.

 Derrota vai custar bem caro

 E por falar em Mano Menezes, desde que assumiu  o comando da Seleção Brasileira, esta será sua primeira final. Curiosamente, não será qualquer final, mas a final do único título que o Brasil ainda não tem.

Nos bastidores, comenta-se que o fracasso em Londres pode levar à sua queda e que o triunfo lhe dará uma sobrevida, quem sabe, até 2014, quando o Mundial será disputado justamente no Brasil.

Diante de tal responsabilidade, Mano tenta demonstrar segurança, mas deixa escapar o peso que esta partida terá. “Esta não é a partida mais importante da história da Seleção Brasileira, mas com certeza, é a partida mais importante desse grupo que está aqui”, disse o técnico.

Logo após a semifinal contra a Coreia do Sul, já tinha dado mostras do quanto essa partida é importante para a sua carreira. “Em toda sua história, o Brasil só chegou a três finais olímpicas, o que demonstra que não deve ser nada fácil chegar até elas”, alfinetou Mano Menezes.

Mesmo diante da importância que um sucesso ou um fracasso pode ter, o treinador adota o discurso racional.

O treinador  evita falar sobre o peso que essa final terá em sua vida, mas, no final, revela que vai sentir um “friozinho” na barriga. “Um friozinho na barriga é importante. Uma certa tensão é necessária para jogar os jogos importantes. E esse é um deles, com toda certeza”, afirmou o comandante da Seleção Brasileira.