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Caratê amazonense perde o seu mestre mais ilustre, aos 70 anos

A morte Kazuteru Noguchi que é considerado o pai do caratê no Amazonas foi anunciada às 23h15 de terça-feira e ontem o corpo foi velado por familiares, amigos e discípulos na academia do mestre 14/09/2012 às 10:07
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Mestre primava acima de tudo pela disciplina
Paulo Ricardo Oliveira Manaus (AM)

O caratê amazonense perdeu a arte e a sabedoria de Kazuteru Noguchi aos 70 anos. O velho mestre não resistiu a um câncer generalizado que se espalhou por órgãos vitais, como fígado e pâncreas.

A morte do mestre que é considerado o pai do caratê no Amazonas foi anunciada às 23h15 de terça-feira e nesta quinta-feira (13) o corpo foi velado por familiares, amigos e discípulos na academia do mestre, no cruzamento da avenida Joaquim Nabuco com a avenida Tarumã, Centro.

O enterro aconteceu às 16h no cemitério Parque Tarumã, Zona Oeste, diante de uma plateia emocionada e numerosa.    

De legado, Nogushi deixa um método rígido de treinamento baseado na disciplina, na exatidão nos movimentos e na aplicação eficiente das técnicas do caratê a uma leva infindável de alunos. “É uma perda inestimável para o caratê no Estado. Mestre Nogushi nos ensinou não apenas um sistema refinado e eficiente de técnicas, mas foi uma influência muito forte na formação do caráter. Ele foi importante em várias fases da minha vida”, afirmou, Zander Sazaki, 37, tido como o menino-prodígio do mestre.

Discípulo direto do mestre, Zander, que é médico especializado em ortopedia, vai organizar seu tempo para dar aulas no lugar de quem o fez campeão brasileiro da modalidade em 1998. “O caratê do mestre Noguchi não pode perder o brilho. Vamos dar sequência ao que ele nos ensinou. Devo muito a ele”.

O caratê como religião
Mestre Noguchi era faixa-preta 5 DAN de judô, mas o caratê realmente é que foi sua paixão. “A vida dele era formar alunos não apenas como bons atletas, mas como exemplos de homens fora do tatame”, disse a viúva, Madalena  Noguchi, 60.

Graduado no 3 DAN na arte carateca, Noguchi fundou em 1966 uma academia no antigo clube União Esportiva Portuguesa, na Joaquim Nabuco, onde vários alunos receberam seus ensinamentos. “Mestre Noguchi era o mais velho graduado em atividade com academia funcionando”, garante o historiador de artes marciais, Rildo Heros, ex-judoca e ex-dirigente de federação.

Na academia, o mestre não media esforços para tornar seus discípulos os melhores nas pelejas de caratê.  “Meu pai era muito rígido na disciplina de treinamento. Era um método até arcaico, mas eficiente. Não existe mais mestres como esse perfil. Ele queria qualidade e não quantidade, emocionou-se o técnico em radiologia, Ricardo Noguchi, faixa-marrom de caratê e filho do mestre. 

Adepto do kyokushin
Noguchi teve as primeiras aulas de caratê do estilo shotokan, mas migrou o kyokushin, arte mais rígida e agressiva disseminada pelo mestre coreano Masutatsu Oyama, o full contact.

Emoção
O velório de Noguchi foi feito na academia, onde seus alunos lhe prestaram uma bela homenagem, com discursos e posições de treino básico do caratê.

Atividade e legado
O mestre era o mais velho graduado em artes marciais em atividade com academia funcionando. Ele formou mais de 1,1 mil alunos. Sofria havia oito meses com o câncer.

 Frases
“Mestre Nogushi nos ensinou não apenas um sistema técnico refinado, mas foi uma influência muito forte na formação do caráter”Zander Sazaki, discípulo do mestre.


Professor Noguchi foi enterrado no cemitério Parque Tarumã (Foto: Alexandre Fonseca)