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Cartão postal de Manaus está cercado de lixo

Palco do movimento literário Clube da Madrugada e do novíssimo e belo Palacete Provincial, a praça Heliodoro Balbi, no Centro, é ofuscada pelas montanhas de sujeira armada na rua José Paranaguá 12/03/2012 às 20:27
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Por até cinco horas, sujeira produzida no Centro “enfeita” o Palacete Provincial
Florêncio Mesquita Manaus

Um dos cartões postais mais visitados de Manaus, a praça Heliodoro Balbi, também conhecida como Praça da Polícia, vive diariamente um contrataste entre a beleza e a relevância histórica do lugar e o lixo produzido por lojistas e deixado pela  prefeitura por até cinco horas no meio da rua José Paranaguá.

Durante o dia, a praça, famosa por ter sido o palco do Clube da Madrugada, o mais importante movimento da poesia amazonense,  é uma boa opção para turistas que querem conhecer mais sobre a história da Capital. Contudo, a partir das 17h, o cenário de beleza dá lugar a pilhas de sacolas de  lixo, que,  além de causar mau cheiro, incomoda as pessoas  e  entope os bueiros.

O resíduo  é recolhido pelos garis  em lojas e restaurantes localizados em vias onde  o carro coletor não tem acesso, uma vez que são fechadas ao trânsito, como é o caso da rua Guilherme Moreira e da Marcílio Dias.  As sacolas,  segundo da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), são deixadas na via pública a partir das 18h e recolhidas às 22h. No entanto, a reportagem constatou que o lixo começa a ser depositado no local antes, entre 16h30 e 17h. A Semulsp desconhece a antecipação do descarte do lixo.

Nesse período, aos poucos a imagem da rua que durante o dia é utilizada para o tráfego de veículos vai sendo modificada e passa a ser ocupada pelos resíduos. O lixo que inicialmente é colocado próximo a calçada, aumenta ao ponto de ocupar uma faixa inteira da via destinada ao estacionamento de taxis e avança para a faixa onde os carros passam em direção a avenida Floriano Peixoto. 

Enquanto em outras áreas da cidade o lixo atrai animais em busca de alimento como, por exemplo, ratos e urubus; na rua José Paranaguá os dejetos atraem dezenas de catadores de materiais recicláveis e moradores de rua. O problema é que em minutos, o lixo armazenado em sacolas plásticas é espalhado por uma área maior que a própria pilha de lixo. Os moradores de rua rasgam as sacolas a procura de comida e de materiais que possam render algum dinheiro para a reciclagem, tais como, latas de alumínio e pedaços de papelão.

Segundo a Semulsp, as sacolas são rasgadas apenas por moradores de rua. Os catadores, segundo a pasta, pertencem a uma empresa de reciclagem e são orientados a amarrar as sacolas após retirarem o que lhes interessa. A reportagem acompanhou a situação e constatou que as sacolas são rasgadas e o lixo espalhado pela rua por várias pessoas sem identificação e ao lado de agentes de limpeza.  Ainda segundo a Semuslp, a quantidade de moradores de rua que rasgam as sacolas de lixo é insignificante e os 350 garis que limpam o Centro da cidade podem varrer o lixo espalhado.

Apesar da situação,  a secretaria informou que o mesmo esquema de coleta de lixo no local será mantido sem alteração até o fim da atual administração.