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Esportes
Domingo no Parque

Casa do futebol amazonense, o Parque Amazonense sobrevive no Peladão

Estádio que acolheu o futebol amador do Amazonas nos seus primórdios, o Parque é hoje um dos maiores palcos do maior campeonato de peladas do mundo 06/10/2017 às 20:37 - Atualizado em 07/10/2017 às 09:23
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Parque Amazonense é um dos principais palcos do Peladão (Foto: Evandro Seixas)
Denir Simplício Manaus (AM)

Domingo é dia de futebol, já diziam os boleiros pelos quatro cantos do Brasil e do mundo. E em Manaus nunca foi diferente. Desde que desembarcou por essas bandas, o esporte bretão tem no domingo o seu dia. Houve um tempo em que os manauaras se reuniam ao redor de um certo estádio para ver seus ídolos em campo. O tempo passou, muita coisa mudou, mas o domingo continua sendo no parque, no campo do Parque Amazonense. 

Construído no início do século passado para a prática do turfe, o Parque Amazonense foi durante décadas o palco principal do futebol no Amazonas. Localizado no Beco do Macedo, na Zona Centro-Sul de Manaus, o estádio era o grande point dos manauras aos domingos. Também chamado de Prado, o local foi berço do nosso futebol nos seus tempos de amadorismo e tantas décadas depois continua brilhando, agora como um dos palcos do maior campeonato de futebol amador do mundo, o Peladão.


Parque recebe jogos do Peladão a décadas (Foto: Evandro Seixas) 

“Joguei no Peladão em 1997, 98 e 99, depois fiquei só trabalhando com os meninos do Unidos do Beco, time aqui do bairro. Tenho muitas lembranças gostosas disso aqui”, comenta José da Costa, 65, que mora à beira do campo do Parque.

Os Reis em campo

O Parque Amazonense teve a honra de receber dois reis em suas dependências. Pelé jogou no estádio com o Santos e Roberto Carlos, o ‘Rei da Jovem Guarda”, também deu seu show por lá.
“Assisti um show do Roberto Carlos aqui, tenho esse prazer de ter assistido de graça o show do rei aqui no Parque. Além dos grandes jogos que aconteciam aqui, ainda mais quando era o tradicional Rio-Nal, o chamado “Jogo da Paz”, relembra seu José.

O último jogo oficial no antigo estádio aconteceu em julho de 1973. Hoje o campo do Parque Amazonense recebe uma nova geração de boleiros, que não escondem a alegria de atuar no mesmo palco dos gigantes do nosso futebol.

Nascido no ano em que o Parque recebeu seu derradeiro duelo, Erivaldo Mota, 44, não esconde a alegria de jogar no local por sua equipe, o Sítio Master. “Não tive a oportunidade de ver nenhum jogo no Parque Amazonense, mas esse é meu segundo jogo aqui e é sempre uma felicidade jogar num lugar onde até o Pelé jogou”, festeja.


Dona Mikita mantém a tradição do Parque Amazonense viva (Foto: Evandro Seixas)

A mesma alegria mostra Nelson Pinheiro, 51, que volta a atuar no Parque após 30 anos. “Não joguei aqui nos bons tempos, mas joguei aqui quando era novo, no Peladão Principal. Hoje, 30 anos depois, estou voltando a jogar aqui já no time de veteranos da minha rua, no Master estou me sentindo muito bem em retornar”, comemorou o atleta do Central Master.

Entre os moradores que não deixam a essência do futebol raiz desaparecer é Elcimar Costa, 46. Mais conhecida como Dona Mikita, a treinadora mora de frente para o Parque Amazonense e faz do local sua escolinha de futebol.

“Cresci aqui, tem 12 anos que entrei nessa vida de futebol, gostei, me tornei treinadora. Ensino o que posso taticamente e todo ano tento colocar esses meninos tanto no Campeonato Amazonense, como no Peladinho”, enfatiza a técnica apontando que o Peladão movimenta a comunidade.

“Pra nós o Peladão é maravilhoso, pois traz publicidade, enche nosso campo aos domingos, pra nós é ótimo. O Peladão movimenta até em vendas mesmo. As pessoas vem pra cá vender bebidas, churrasquinhos, picolé e por aí vai. Quando não tem o Peladão, nós damos continuidade no esporte com o nosso campeonato”, revelou Dona Mikita.