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Ciclistas amazonenses falam dos perigos que enfrentam no trânsito de Manaus

Campeão no ciclismo que usa bike no dia a dia conta como é a rotina de quem decide pedalar pelas ruas de Manaus 08/10/2017 às 13:06
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Cássio Stremel não deixa de rodar de bike pela cidade, apesar dos perigos no trânsito
Jéssica Santos Manaus (AM)

Pedalar é um esporte prazeroso e, também, um excelente meio de transporte. Mas parece que circular de bike pelas ruas de Manaus pode ser muito perigoso. A cidade possui apenas 26 km de vias para bikes (ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas) e, apesar de a bicicleta também fazer parte do trânsito, ao compartilhar as ruas com automóveis, os ciclistas lidam com a imprudência de motoristas que não os respeitam, e causam acidentes – algumas vezes fatais.

Sempre de bike

Cássio Stremel, 33, utiliza a bike na sua vida esportiva e, também, como meio de transporte. “Eu treino e também me desloco para o trabalho de bike porque de casa para o meu escritório levo entre 15 a 20 minutos, e de carro, eu levaria entre 30 a 50 minutos para chegar. Na volta, eu perderia ainda mais tempo se estivesse de carro, então ganho cerca de uma hora por dia vindo de bike”, afirma ele.

É claro que apesar de ganhar tempo indo e voltando de bike, Cássio também passa por situações de perigo no trânsito. “O mais comum de acontecer, são os motoristas passarem raspando na bicicleta, ‘tirando fino’, e também levo ‘fechadas’ de ônibus porque além da falta de educação deles, também tem o ponto cego, então procuro passar longe”, explica o ciclista, que foi atropelado em 2012, mas de lá para cá, ele conta que acontecem ‘somente’ situações de desrespeito. “Os piores são os ônibus e os alternativos. Depois os entregadores, taxistas, e por último, os motoristas particulares. O problema dos carros particulares é que quando acontece uma fechada é meio que proposital porque carro pequeno não tem ponto cego, então é maldade mesmo. Sempre acabo batendo boca”, disse ele.

Cássio afirma que prefere pedalar quando está tudo congestionado. “É onde está a maior vantagem de pedalar em Manaus, basta tomar cuidado com motos e pedestres. Já com os carros em alta velocidade, a chance de acidente e de passarem raspando em você é muito maior”, ressalta ele.

O ciclista fala ainda sobre outros perigos que os ciclistas passam na rua. “Enfrentamos asfaltos ruins, e pelo fato de os ciclistas andarem sempre no meio fio, o risco de você ser tocado por um carro, e sofrer um grave acidente é grande. Então, quem usa a bicicleta para ir pro trabalho, aconselho que dê uma distância do meio fio, para ter uma área de escape, caso caia. Também tem a questão do perigo de assaltos. Por enquanto não é um perigo tão grande aqui em Manaus, mas é bom ficar de olho. Eu geralmente acelero quando vejo alguém mal-intencionado”, disse ele.

Na chuva, Cássio continua usando sua bike para ir ao trabalho. “É perigoso, mas eu gosto, é prazeroso. Mesmo tendo que sair mais cedo nesses dias, é muito melhor que ir de carro”.

Falta de respeito nas ruas

Bruno Ricardo, 26, pedala constantemente pelas ruas, mesmo tendo sofrido sete atropelamentos. “Pedalo pela direita, com capacete, luvas, iluminação, sinalizações, na mão da via, mas por duas vezes me fecharam, me jogando para a calçada, e além de eu me machucar e de ter meu equipamento danificado, ouvi xingamento, e que meu lugar era na calçada”, disse. 

Para um dos coordenadores do Movimento ‘Pedala Manaus’, Paulo Aguiar, falta muita coisa para que a vida do ciclista em Manaus melhore. “É complicado Apesar das ações da Prefeitura, ainda temos muito pouco. Falta infraestrutura e política pública adequadas; falta entendimento da sociedade quanto à importância da bicicleta e, como consequência, falta respeito e educação”, resume.