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Clubes do Amazonas depositam confiança em técnicos portugueses

Como na época da descoberta de Cabral, três treinadores de Portugal  aportaram nau no futebol amazonense e, aos poucos, bem ao ritmo do  fado, vão transformando o Estadual numa casa portuguesa, com certeza. 14/04/2012 às 19:44
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Luis Miguel e Fernando Laje desbravam o futebol local
PAULO RICARDO OLIVEIRA Manaus

Paulo Morgado, 37 anos, nascido em Lisboa, chegou a Manaus no ano passado para comandar o Rio Negro e hoje está no Fast Clube. Luis Miguel, 40, passou pelo América em 2011, Iranduba esse ano e agora desembarcou no São Raimundo. Fernando Lage, 40, veio este ano direto de Viseu, onde morava, na região Centro-Oeste.

O gajo está há exatamente 35 dias no comando do Iranduba, de onde não pretende sair por enquanto, a não ser para outro clube local. Para conhecer um pouco mais sobre os portugas, o CRAQUE os convidou para comer o prato mais famoso do país de origem deles regado a vinho do Porto na Cachaçaria do Dedé do Manauara.

O almoço, com direito entradas, prato principal, bebida e cafezinho foi cortesia da Cachaçaria  e servida quentinha pela chefe de cozinha, Valda Mathias. Paulo Morgado teve problemas e não pôde ir. Então a dupla peso-pesado Luis Miguel, com 138 quilos,  e Fernando, com 130 quilos, aproveitou a boca livre. Entre goles e garfadas, falou-se, dentre outros assuntos, para variar um pouco, sobre o futebol amazonense.

“Fui muito bem recebido em Manaus. Foi a cidade em que os clubes ofereceram trabalho para mim”, afirmou Luis, comandante do Tufão, que nasceu e formou-se em economia em Lisboa e mora no Brasil faz oito anos. “Fixei residência em Fortaleza (CE), onde moro com minha mulher brasileira e minha filha Bianca de oito anos”, explica Luis, que se programa para fazer a cirurgia de redução de estômago. Lage nasceu na Angola, mas foi criado desde criança na cidade portuguesa de Viseu.

Tem formação técnica em contabilidade e deixou de jogar futebol há dez anos, quando combinava o trabalho contábil com o de técnico. Mas o futebol falou mais alto e cá está ele para fazer currículo e dirigir um grande clube local. “Quando deixei de jogar, confesso que relaxei um pouco no peso. Mas não tenho problema com isso. Me sinto bem”.     

Sofrimento é coisa do passado

Do trio de técnicos portugueses, o mais bem estabelecido aqui é Paulo Morgado, que diz estar bem no Fast Clube e volta e meia ser sondado por outros clubes. “Tenho boas condições de trabalho na Fast, um elenco competitivo e ótima relação com a diretoria. Falta um título. Estamos trabalhando forte para isso”.

Porém, até viver vacas gordas no Rolo Compressor, Morgado literalmente comeu o pão que o diabo amassou quando veio para o Rio Negro, em 2011, numa fase não menos negra em que um tal Robson Ouro Preto comandou o departamento autônomo de futebol do clube. Formado em educação física com especialização em motricidade, o treinador não recebeu quatro meses de salários e chegou a ficar sem almoçar. “É passado. Nem vale a pena lembrar. Quando a pessoa trabalha com seriedade, o reconhecimento vem naturalmente. Isso é que vale”