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Esportes
DRAMA

Com escolinha sucateada e modalidade sem apoio, remo amazonense vive crise

Considerada, há alguns anos, a quarta potência nacional, a Federação de Remo do Amazonas sobrevive apenas pelo amor dos atletas pelo esporte 21/11/2017 às 05:00
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Atletas se esforçam para treinar e competir, mesmo sem nenhum apoio para a modalidade no Amazonas.
Jéssica Santos Manaus - AM

O Amazonas já revelou campeões brasileiros no remo, mas, depois de vários anos sem apoio, a escolinha da modalidade encontra-se abandonada pelo poder público, e o esporte segue sem perspectivas para o futuro favorável. 

Daniel Herszon é o presidente da Federação Amazonense de Remo desde 2014, mas afirma que a modalidade está praticamente parada em Manaus, e explica o motivo.

“Nós já estávamos sem atividades de campeonatos estaduais desde quando a Ponta Negra foi interditada, entre 2010 até 2013, período em que ficamos impedidos de realizar competições. Por causa disso, os atletas foram parando, e até hoje não trouxemos de volta as competições da federação porque os clubes paralisaram suas atividades e, hoje, a escola funciona apenas para o ‘remo por lazer’, e somente alguns atletas abnegados continuam treinando, mas sem nenhuma ajuda”, enfatiza Daniel.

Sem apoio, a Escola de remo funciona com o esforço dos amantes do esporte, com cerca de 15 praticantes. “Não temos verba para nada, mantemos a garagem com nossos próprios recursos, e os antigos remadores são as pessoas que cuidam da escola”, disse Daniel.

História e problemas

Inaugurada em 2001, a Escola de Remo apresenta, hoje, sinais alarmantes do descaso. Academia foi sucateada, equipamentos estão ultrapassados e alguns remos foram quebrados. O fato de o único barco da federação também está quebrado e isso é outro fator determinante para que não sejam realizadas provas em Manaus.

Outro problema sério da Escola de Remo é o forte odor que vem da caixa de esgoto. Segundo o atleta Kelvin Charles, isso afasta novos alunos da escolinha que, segundo ele, só vão treinar uma vez, ficam desmotivados  e não voltam mais para praticar o esporte. 

Kelvin também contou que sempre representou o Amazonas em competições nacionais, mesmo sem ter nenhum apoio. “Treino por amor”, disse ele.

De volta aos treinos

Mas, apesar de o remo amazonense não contar com apoio do poder público ou privado, no ano de 2012, os atletas Elinelto Vieira e Diego Maia se dedicaram aos treinos, se esforçaram e foram campeões brasileiros na categoria Júnior, naquele ano. “Depois, os dois foram convidados para irem treinar no Rio de Janeiro, e não tivemos como competir com um clube que dá apoio, mesmo que pequeno aos atletas”, afirma o presidente da Federação, Daniel Herszon.

Inspirados na história desses atletas guerreiros e vencedores, aproximadamente 15 amantes de remo treinam de terça a domingo, das 5h30 às 8h30. Mas o atleta Josimar Boneti lamenta a falta de atenção dada ao seu esporte. “Apesar de nós, atletas, representarmos o Estado em competições nacionais, não somos reconhecidos dentro de nossa própria cidade”.

Na garra e na coragem

Mesmo com poucos recursos e nenhum apoio, a ideia é resgatar os bons resultados do remo amazonense nos campeonatos fora do Estado. “Nosso foco é correr provas Máster, com remadores antigos que querem resgatar nossa tradição no remo. Em 2010 éramos a 4° melhor equipe de remo no Brasil”, disse Josimar.

A vontade de competir dos remadores é tanta que oito atletas amazonenses estão participando do Campeonato Brasileiro Máster, neste final de semana, em São Paulo. “Inclusive, temos na equipe uma senhora de 62 anos, a Carmen Lúcia, que está representando o Estado competindo individualmente e em dupla”, disse Josimar, que também se prepara para uma competição, o Norte-Nordeste, que será realizado entre os dias 7 a 10 de dezembro, na Bahia. “Estou me preparando para ir só. Irei representar o Estado em dois barcos mistos, com remadores de Natal. Mas estou encontrando dificuldade para o transporte aéreo, pra poder ter uma garantia de que realmente irei participar dessa competição”, afirma o atleta.

Assim, preocupado com o futuro, e em trazer de volta os grandes resultados do remo amazonense, Josimar relembra o passado. “A última competição da qual participamos foi em 2015, em Belém, no Pará, a Copa Norte e Nordeste de Remo, em que conseguimos uma medalha de bronze, um quarto e um quinto lugar”, disse ele.