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Esportes
GIGANTE DO APITO

Com quase 70 anos, árbitro Paulinho é verdadeira lenda viva do Peladão

Apitando o torneio desde a primeira edição, em 1973, o juiz, que já comandou 12 finais da competição, conta algumas de suas histórias nos 45 anos de Peladão 19/01/2018 às 16:36 - Atualizado em 19/01/2018 às 16:46
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Do alto de seu 1,54m de altura, Paulinho segue botando moral na boleirada (Foto: Antônio Lima)
Denir Simplício Manaus (AM)

Juiz responsável em apitar a final da Copa do Mundo de 1986, no México, entre Alemanha e Argentina, o paulista Romualdo Arppi Filho já dizia: “Árbitro inteligente não apita o que ele viu. Apita só o que o estádio enxergou”. Agora imaginem o quanto viu o árbitro Paulo Jorge de Moraes Rodrigues, 69, o Paulinho, que arbitra desde a primeira edição do Peladão, em 1973.

Com memória invejável, Paulinho é uma lenda viva do maior campeonato de futebol amador do mundo. Só pro leitor ter uma ideia, Paulinho foi bandeirinha na primeira decisão do torneio, entre JAP e Penequinho, há 45 anos. “Lembro bem, a final foi entre Juventude Atlético Paroquial, que era mais conhecido por JAP, contra o time do Penequinho, do Parque Dez. Eu estava bandeirando na época. O jogo foi no estádio General Osório, que hoje é mais conhecido por campo do Colégio Militar”, relata.

O árbitro Paulinho é daquelas figuras folclóricas do Peladão. Se sua equipe não teve jogo apitado pelo quase septuagenário “homem de preto”, desculpe amigo, mas seu time não tem história do Peladão.

Expulsão com tomate

Por falar em história, elas não faltam a Paulinho, afinal, são 45 anos só de Peladão e “causos” é que não faltam pro homem que viu a competição nascer, como por exemplo a vez que expulsou um jogador com um tomate.

“Estava num campo pra ver um jogo do Peladão e a arbitragem faltou. E você sabe que os times são responsáveis pela arbitragem, como eu estava lá, me chamaram pra apitar o jogo. Os caras tinham apito, mas não tinham os cartões. Segui o jogo assim, mas quando terminou o primeiro tempo resolvi o problema. Conhecia o dono de uma banca de verduras que ficava atrás do campo, o seu Nestor, e voltei pro campo com um tomate meio maduro no bolso. Durante o jogo, tive de expulsar um jogador e o jeito foi mostrar o tomate pra ele”, conta o árbitro emendando outra história de tirar risos.

Paulinho mete moral em cima dos grandões (Foto: Antonio Lima)

“Outra vez, no campo da Suframa, expulsei um ladrão. Não sabia, mas o cara era procurado pela polícia por roubo. Assim que mostrei o cartão vermelho pra ele, a polícia que tava à beira do campo correu atrás do cara que sumiu na carreira”, recorda o juiz de futebol que já apitou 12 finais de Peladão.

Maior que Daronco

“Já apitei muito jogo difícil. Em 1978, a final foi entre Arranca Toco e Ótica São Paulo. O Vivaldão tava lotado, mais de 42 mil pessoas. Estava sendo ameaçado pelos jogadores do Arranca Toco, que era um time muito violento. No final do jogo, dei o pique mais violento da minha vida pra não apanhar”, recorda Paulinho.

Quem vê Paulinho em campo, pode até não dar nada por ele, mas do alto de seu 1,54m de altura e pesando apenas 44 quilos, o juiz bota moral pra cima dos grandões. Totalmente o oposto do “bombado” Anderson Daronco, 37, que tem 1,88m de altura e pesa 90 kg.

Não é ilusão de ótica, Paulinnho tem mesmo 1,54m de altura, enquanto Daronco tem 1,88m (Foto: reprodução)

“Este ano já bati o recorde. Apitei seis jogos no Principal e 18 no Master. Mas tenho o sonho de apitar mais uma final, a única que ainda não fiz, que é a do Feminino. Quem sabe esse ano”, revela o árbitro que nessas mais de quatro décadas de apito, já expulsou desde o próprio filho até deputado federal.

Expulsou até o filho

“Sempre fui um árbitro muito rigoroso. Jogador tem de respeitar se não coloco pra fora mesmo. Expulsei até meu filho uma vez do Peladão, hoje eles está com 37 anos (risos). Me lembro também que expulsei o Alfredo Nascimento. Ele era novo ainda, jogava no time do Ponta Pelada, que era da base aérea de Manaus. Lembro que ele deu uma raspada no adversário. Depois ele virou prefeito, um dia a gente se encontrou e demos muita risada do lance”, brinca Paulinho que segue na ativa.

Semana passada o gigante do apito dirigiu o duelo das quartas de final do Master entre Mauazinho Master e Almirante Hall, e mais uma vez ele pôs moral em campo.

Um "gingante" entre anões

Paulinho foi o árbitro perfeito para o “Duelo de Gingantes”, no Sesi. Apesar de “crescido e aparecido” pro futebol amazonense no maior campeonato de peladas do mundo, as fantásticas histórias do árbitro Paulinho não se resumem ao Peladão.

Essa temporada já são 24 jogos apitados só no Peladão (Foto: Antonio Lima)

Certa vez o ícone da arbitragem local foi convocado para dirigir um dos mais pitorescos duelos do esporte bretão na nossa capital. Paulinho foi o juiz de uma partida entre anões, no estádio Roberto Simonsen, no Clube do Trabalhador do Sesi. “Foi meu maior pagamento como árbitro. O estádio do Sesi lotou pra ver esse jogo entre os anões. Foi muito engraçado, lembro que na hora de formar a barreiras eles subiam uns em cima dos outros, era uma graça”, recorda Paulinho.

O sonho de Paulinho

Apesar de ter apitado 12 decisões, Paulinho tem um sonho a ser realizado. Considerado uma verdadeira máquina de apitar partidas de futebol. Mesmo aos 69 anos, Paulinho segue sua rotina de comandar jogos difíceis, seja em campeonatos de bairro ou no maior torneio de futebol amador do mundo.

Somente nessa temporada, o juiz já arbitrou 24 jogos do Peladão, sendo seis na categoria Principal e outras 18 no Master. “Sempre corri muito. Chegava num lugar pra apitar dois jogos e acabava apitando cinco. Todos sempre gostaram da minha arbitragem”, lembra o veterano juiz, que tem na mente um último desafio antes de “pendurar o apito”. “Já apitei 12 finais de Peladão, mas nunca apitei o Feminino. Quem sabe esse ano, né?”, ponderou Paulinho.

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