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André Ricardo ‘Xaropinho’, o árbitro de MMA que está perto de chegar às mil lutas

Ele é amazonense, recebeu o prêmio Osvaldo Paquetá de melhor árbitro e é figura decisiva dentro dos octógonos há dez anos 01/04/2018 às 18:07
Show xaropinho
O “Xaropinho” veio à Manaus este mês para arbitrar a luta histórica do Mr.Cage, entre uma mulher trans e um homem. (Foto: Winnetou Almeida)
Jéssica Santos Manaus (AM)

André Ricardo, 47, mais conhecido no mundo da luta como “Xaropinho”, é a figura decisiva dentro dos octógonos, onde atua como árbitro de MMA há dez anos. Amazonense, André deixou Manaus em 1991 para ir morar no Rio de janeiro. Em 1998, mudou-se novamente, dessa vez, para Curitiba, onde vive até hoje.  Após anos de profissão, André se tornou respeitado e bem requisitado como árbitro, tanto que acumula o saldo de quase mil lutas feitas e, este ano, foi eleito o melhor árbitro do MMA nacional, no prêmio Osvaldo Paquetá.

Entre os eventos em que esteve arbitrando, estão o Samurai Fc (Curitiba), Imortal Fc (Curitiba), Aspera Fc (Paranagua), Extreme fighter (Paraguai), Explosion (Paraguai), Pantanal Fight (Campo Grande), Olimpia Fight (São Paulo), e o Mr. Cage (Amazonas), evento para o qual pretende vir muitas e muitas vezes ainda. Nesta entrevista ao CRAQUE, André falou sobre a carreira, o Mr. Cage, a arbitragem no Brasil, a visão sobre o Amazonas no mundo da luta, a inclusão de atletas trangêneros, como Anne Veriato, no MMA, entre outras coisas. Confira.

AC - Há quanto tempo você é árbitro de MMA? Como foi para seguir esse caminho, pois sempre lutou, né? 
Eu sempre fui um praticante de arte marcial, sou faixa preta de jiu-jítsu desde 2001, e sempre estive envolvido com eventos. Me tornei árbitro de MMA em 2008, participando de eventos de várias cidades do Brasil e de fora do Brasil, pois já estive no Paraguai. Mas, para ser árbitro você tem que se dedicar, estudar, buscar novos conhecimentos, participar de seminários, reciclagem e procurar sempre estar envolvido nos eventos Sigo trabalhando, fazendo meu trabalho, sendo honesto, fazendo tudo certo pra que eu continue sendo contratado para os eventos.

AC - Você já fez 1000 lutas, é isso?
Não fiz mil lutas ainda, mas estou chegando lá. Estou acima das 900, e espero, este ano, chegar perto ou completar as mil lutas. Não vai ser tão difícil, mas também não vai ser tão fácil.

AC - Como você se sentiu ao receber o prêmio de melhor árbitro de lutas do Brasil, no Prêmio Osvaldo Paquetá deste ano?
Me senti feliz da vida, lisonjeado. É uma felicidade imensa. Todos os árbitros que concorreram são extremamente experientes, e um deles é o cara que me ensinou a arbitrar, o Flávio Almendra, então, eu me senti honrado por ter recebido esse prêmio, e queria compartilhar com o Amazonas esse troféu que eu ganhei de melhor árbitro do Brasil porque eu nasci e cresci no Estado, fui embora, mas não perdi as minhas raízes, sou manauara, sou amazonense com orgulho. Agora vou continuar fazendo o meu trabalho sério, o prêmio foi um reconhecimento, mas a luta continua e a busca por novos conhecimentos, mais ainda.

AC - Você também é matchmaker (casa lutas)?
Em Curitiba, eu faço a produção de alguns eventos e caso as lutas, mas nas lutas em que fico como matchmaker, não atuo como árbitro. Acho que todo mundo que trabalha com esporte, com MMA, tem que contribuir de alguma forma.O MMA é o esporte que mais’exporta’ atletas para fora do Brasil, então, você já imaginou se o governo olhasse para o MMA com bons olhos? Quantos campeões do mundo nós teríamos? A vida de um atleta é difícil, e temos que ajudar de alguma forma e trabalhar, sendo justos.

AC - Você pretender vir para todos os eventos do Mr. Cage no Amazonas?
Provavelmente, eu vou a todos os Mr. Cage que serão realizados no Amazonas, e agradeço muito ao Samir Nadaf por confiar no meu trabalho, ao Nerlison, e a todos aqueles que confiaram no meu trabalho. Foi um grande prazer voltar à cidade onde eu nasci, onde me criei, tenho família, e voltar como árbitro, mostrando que podemos sair daqui e nos tornar vencedores também. Ser árbitro hoje é uma responsabilidade muito grande e eu gosto de desafios, estou aí pra trabalhar, faço meu trabalho, gosto muito de vir a Manaus, fiquei encantado com essa mudança total na cidade, foram quase 20 anos longe, e agora fui para quatro eventos em menos de um ano, e quero ir mais vezes.

AC - Como você avalia a arbitragem brasileira no MMA brasileiro hoje, e qual a importância de um curso de árbitros como o que você ministrou este mês em Manaus?
As regras mudam com o tempo para que o MMA se torne mais competitivo, então os árbitros sempre precisam se atualizar. Além disso, a minha ida a Manaus também é muito importante porque abre o intercâmbio, árbitros do norte também podem atuar no sul, nos eventos da nossa federação, e acho isso muito importante porque assim todos nós aprendemos.

AC - Você tem conversado com outros árbitros e com lutadores sobre essa questão da inclusão de atletas transgênero nos eventos de luta? O que eles acham do caso da atleta Anne Veriato, que é uma mulher transgênero que faz questão de lutar contra homens?
Eu não busco opiniões, acho que o direito é de todos. Acho que essa inclusão é essencial. A Anne está buscando o espaço dela, quer seguir lutando e acredito que essa é a primeira de muitas e muitas lutas dela, e que muitos eventos vão fazer o mesmo que o Samir está fazendo no Mr. Cage. As opiniões, o que as pessoas falam ou deixam de falar, eu não procuro saber porque acho que o importante é eu fazer o meu trabalho e estar lá. Acho importante que ela lute.

AC - Como o Amazonas vem sendo visto no Sul e nas outras regiões do país, no que se refere à luta e à formação de lutadores?
O Amazonas já é conhecido por formar grandes campeões, tanto no MMA como no jiu-jítsu, na luta livre, e o mais importante é que continue aparecendo eventos, formando novos campeões, e que, com o apoio de empresários e do poder público, consigam dar oportunidade para que esses atletas lutem fora também, consigam sair daqui e mostrar o Amazonas pro Brasil e pro mundo. O Mr. Cage está mostrando para o Brasil a força dos lutadores do Amazonas, porque muitos já estão brilhando e muitos estarão em breve no cenário mundial.

AC - O que você vê como necessário para que o MMA continue crescendo no país?
O fundamental é que o governo e a prefeitura olhem para a luta com bons olhos, que olhem para o MMA como um esporte que tira garotos da rua, dão novos sonhos a eles, e acho o investimento no esporte fundamental para a diminuição do uso de drogas e da criminalidade.

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