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Confira entrevista exclusiva com o lutador do UFC Fabrício Werdum

Agora elevado ao status de um dos maiores nomes do esporte, o bicampeão mundial de jiu-jitsu e atual dono do cinturão unificado dos pesos pesados no UFC falou sobre o atual momento da carreira, que ele diz ser “a melhor fase” de seu histórico nas Artes Marciais Mistas 18/07/2015 às 10:43
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Fabrício Werdum campeão dos pesados do UFC
Felipe de Paula ---

Se tem uma lição que a história de Fabrício “Vai Cavalo” Werdum pode ensinar é a de que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. O gaúcho de 37 anos viveu altos e baixos na carreira e teve suas qualidades muitas vezes questionadas no mundo da luta. Mas nunca por si mesmo.

Mais uma vez, ele saiu como o azarão de uma luta disputada contra um dos grandes nomes da história dos pesos pesados. E venceu! Depois de surpreender o mundo finalizando lendas como Fedor Emilianenko, ele voltou a brilhar na vitória diante do então campeão dos pesados, Caín Velásquez no UFC 188.

Agora elevado ao status de um dos maiores nomes do esporte, o bicampeão mundial de jiu-jitsu e atual dono do cinturão unificado dos pesos pesados no UFC concedeu entrevista exclusiva ao CRAQUE para falar sobre o atual momento da carreira, que ele diz ser “a melhor fase” de seu histórico nas Artes Marciais Mistas.

Werdum também prospectou os próximos desafios (ou poderíamos dizer vinganças?) no Ultimate, recordou o Jungle Fight disputado em Manaus há mais de 10 anos, e defendeu o lutador amazonense José Aldo, que abandonou o UFC 189 após uma lesão na costela, mais tarde contestada pelo chefão da organização Dana White.

“Eu achei uma falta de respeito com o José Aldo”, detonou Werdum, que falou ainda sobre o nível dos atletas na região Norte e colocou o capixaba radicado em Manaus Ronaldo Jacaré como o próximo campeão dos médios, categoria que já foi de Anderson Silva e hoje tem Chris Weidmann como homem a ser batido.

Outro destaque no bate-papo de Werdum foi um fato curioso ocorrido segundos antes da finalização por guilhotina em Caín Velásquez: com o golpe armado, o lutador brasileiro apertou a chave de pescoço e, antes do fim da luta, já abria um sorriso no rosto. O sorriso da vitória. O sorriso do sonho se tornando realidade.

Você conseguiu  a proeza de se tornar campeão do mundo aos 37 anos de idade, um feito de certa forma histórico, já que no esporte a idade também conta muito. Você esperava por isso?
Queria ser campeão há  muito tempo. Claro, sempre lutei pra ser campeão, nunca gostei de ser mais um. Acho que todo mundo luta, mas sempre tive essa coisa de querer mesmo, de verdade. Me concentrei, me dediquei bastante, e consegui, com 37 anos agora. Mês que vem faço 38. Me sinto na melhor fase da minha carreira. Acho que a idade depende do teu corpo, epende de como tu se cuida. Isso é que é importante. Como eu te falei, melhor fase com 37 e pretendo manter isso. Até os 40, mais ou menos, quero continuar lutando.

Quando você estava encaixado a finalização no Cain Velásquez, a câmera conseguiu capturar  um sorriso no seu rosto. Já era o sorriso da vitória? O que você sentiu naquele momento?
Aquela sorriso foi natural, não foi momento deboche, foi só a emoção de ser campeão indiscutível. Fiquei feliz de ganhar dois cinturões. E foi natural, saiu o sorriso, muita gente comentou até. Sempre respeitei o Caín, e fiquei feliz de conseguir encaixar a guilhotina e saber que tinha pego. Eu tinha certeza quando eu peguei, senti que ele começou a engasgar. Consegui escutar a respiração dele e já saí rindo porque tava muito feliz mesmo. Foi uma emoção diferente de tudo que já passou na minha vida.

Você é conhecido por ter sido o primeiro homem a vencer de fato (por finalização) o maior peso pesado de MMA de todos os tempos, o russo Fedor Emelianenko. O que lembra daquela luta? O que você fez para concretizar esse que era o sonho de tantos lutadores?
Finalizar o Fedor foi um dos ápices da minha carreira também. Foi um negócio muito diferente, uma vitória muito especial. Pelas vitórias contra o Cain Velásquez, contra o Minotauro, muita gente fala que eu estou na história do MMA. Eu fico muito feliz por isso. Não gosto de falar de mim mesmo, prefiro que o fã fale isso. Mas o pessoal fala que sou o único a ter finalizado os três: Fedor, Minotauro e Velásquez, os caras que são os mitos até hoje. Fico feliz de ter esse reconhecimento e o Fedor com certeza foi especial. Foi talvez o maior momento de todos, porque naquela época ninguém acreditava. Ninguém me conhecia e a pergunta era: quem é que finalizou o Fedor?


Você já lutou na primeira edição do Jungle Fight em Manaus há mais de dez anos e fez a melhor luta do evento. Qual a importância daquele evento realizado num hotel de selva para sua trajetória?
O evento Jungle Fight foi com certeza muito importante pra minha carreira, como experiência. O Wallid (Ismail, amazonense e criador do Jungle) até hoje chamo de padrinho, o considero como meu padrinho da luta. Ele fica bem feliz quando eu falo, ele me adora e eu adoro ele também. Eu chamo ele de padrinho e ele fica todo bobo. “Werdum é louco..!”, ele diz. Porque realmente foi aquilo que me alavancou naquele momento. Participei do primeiro Jungle Fight. Participei do segundo contra o Ebenezer. E dali fui pro Pride (extinto torneio de MMA realizado no Japão, que já foi bem maior que o UFC). Então foi uma porta de entrada pro mundo (da luta). O mundo me viu naquele momento. Eu gostei muito de participar e foi muito importante também.

O que você projeta no seu futuro dentro do UFC?  É hora da “vingança”, uma revanche contra  Andrei Arlovski? Ou Alistair Overeem?
O Overeem tá um a um. Eu ganhei dele no Pride em 2006, finalizei na Kimura. Depois ele me ganhou, tava numa situação não muito boa. Não quero dar desculpa, mas foi a primeira vez na minha vida que eu senti um overtraining (excesso e treinamento), eu passei do ponto. Todas as lutas que eu perdi foram lutas feias, pros dois lados. A do Arlovski eu achei que eu ganhei. Foi 2 a 1 pra ele em decisão dividida. Foi a única que eu perdi por pontos, porque a única que eu perdi por nocaute foi pro Cigano, que é a que eu quero fazer uma revanche, mas no futuro. Eu acho que no futuro quem tiver melhor (Velásquez, Cigano, Arlovisk), vai lutar comigo. Acho que eles devem lutar entre eles e o que mais merecer vai lutar comigo.

O amazonense José Aldo, segundo o UFC, deixou de faturar milhões na última luta contra Conor McGregor. O que você achou da postura do Aldo?
Postura do José Aldo foi excelente, grande profissional, não estava 100% para uma luta tão importante como essa. Fizeram muita mídia em cima do Conor McGregor, eu achei uma falta de respeito com o José Aldo porque o José Aldo é o campeão atual. O José Aldo é um cara muito simples, é um cara gente boa, um cara que tem carisma do jeito dele. Não pode fazer uma coisa forçada. Não acho legal forçar o cara a ser uma outra pessoa para promover a luta. Acho que o José Aldo tomou a decisão certa, não tava 100%, machucou a costela, achei ótimo (ele não lutar). Porque não se vendeu por dinheiro. Achei muito boa a postura dele.

E sobre os atletas da região Norte: há muito talento e pouca estrutura. O Sul, neste caso, o que tem a ensinar ao Norte?
Só tem atleta bom, só falta oportunidade para os amazonenses. Tem muita quantidade e qualidade no Norte do Brasil. Acho que o pessoal da Amazônia, o pessoal daí de cima, é excelente, aquela coisa de guerreiro mesmo. José Aldo, Fredson Paixão, (Ronaldo) Jacaré veio do jiu-jitsu, depois foi pro MMA. O Jacaré, aliás, vai ser o próximo campeão (dos médios) com certeza. Tenho certeza, só falta a oportunidade pra ele. Os caras não querem dar porque sabem que ele vai ganhar do Weidmann, então os norte-americanos não querem dar essa oportunidade pro Jacaré. Tive conversando com o Jacaré em Nova Iorque, está muito focado, é um cara que treina muito, é um grande amigo. É impressionante como é dedicado, e fora o resto, que tem um monte de nome aí, uma galera do Norte que realmente representa o Brasil muito bem.

Um recado para Manaus?
Um abraço aí pro pessoal do Amazonas, galera de Manaus, todo mundo aí sempre me tratou super bem, galera muito dedicada... um abraço pra todo mundo! Sempre que tiver oportunidade, eu gosto de ir pro Norte, fazer um seminários, falar com a galera, o que for, fazer uma visita!