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Conheça a história da comunidade de Caramuri, que pode se tornar o nome da bola da Copa de 2014

A área fica na tríplice fronteira entre Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, municípios do Amazonas 03/06/2012 às 15:39
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A floresta é onde os visitantes tem contato com as árvores do Caramuri
Nathália Silveira Manaus

O nome de uma frutinha oriunda do município de Maués, nunca fez tanto sucesso. No entanto, Carumuri, o nome da bola para a Copa de 2014 -  sugestão do amazonense Beto Mafra -  não se resume apenas a uma fruta nativa, mas, também, a uma comunidade da tríplice fronteira entre Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, chamada de São Francisco do Caramuri. E se você nunca ouviu falar desse lugar, o CRAQUE conta a história dessa área rural, que existe há décadas, e que se sustenta da agricultura e pecuária. Bem-vindo a Caramuri, a comunidade que pode ter nome da pelota da Copa 2014.

Para chegar à comunidade, o acesso é difícil. Nossa equipe, que foi de carro e enfrentou o ramal Pedreira, no quilômetro 133 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), demorou quase três horas para chegar devido a estrada precária, ainda não asfaltada. O tempo, no entanto, é recompensado pelo cenário e contos que permeiam o ambiente.  Os moradores mais antigos dizem que a região foi batizada com o nome do fruto pela tribo indígena dos Manau, que habitava essa localidade há muito tempo. O lugar, localizado a margem direita do Baixo Rio Preto da Eva, começou a ser ocupado por novas famílias em 1992. Em 1995, a localidade passou a ter um padroeiro e  ser  chamada de  São Francisco do Caramuri, tendo o Santo patrono da Ecologia no nome.

No dia da visita à região, o CRAQUE teve  a sorte de acompanhar uma festa da comunidade, que celebrou  a semana Mundial do Meio Ambiente com um dia de lazer para a população. E na programação, o lugar que agora respira o Mundial, realizou várias atividades esportivas, só que bem diferentes dessas que a gente vê na capital. Lá, o caboclo tem que ser bom de nado para enfrentar uma extensão de 30 metros de rio com bichos peçonhentos. Tem que saber pilotar bem para poder se destacar na corrida de rabeta e, principalmente, precisa ter pé de ouro para mandar a bola pra dentro da rede no torneio de pênaltis.

Luciano Oliveira já era dono de cinco títulos na modalidade corrida de rabeta. Não satisfeito, enfrentou mais cinco pilotos e conquistou o hexacampeonato após enfrentar 1.500 metros e chegar a 33 milhas. O jovem de 22 anos, que para seu sustento chega a tirar por dia 200 litros de leite e vender a comunidade Matarim (a uma hora de Caramuri), revela seus truques para se sair bem na competição. “Eu modifico o motor para ter mais potência e faço uma canoa leve e menor, que assim tenho mais velocidade”, conta Oliveira, afirmando ser o melhor da redondeza.

Pela primeira vez participando de uma competição de natação,  Júlio César já tem discurso de campeão. O pequeno de sete anos, optou pelo crawl para atravessar os 30 metros das águas escuras do rio. “Foi um momento difícil. Fiquei muito cansado e pensei que não iria conseguir. Já não estava conseguindo respirar, mas queria muito essa medalha. No final, resolvi diminuir a velocidade para poder chegar. A emoção é muito grande”, considerou ele, ao me questionar. “Tia, isso é ouro mesmo?!”. Para seu espanto, era de latão. Apesar da decepção, o menino disse que não irá desistir do seu maior sonho. “Eu quero virar um nadador muito famoso”, comentou sorrindo.

Chute forte e preciso. É quase impossível observar o torneio de pênaltis e não se admirar com as belas jogadas de Márcio Figueiredo. Há três anos morando na comunidade, o jovem participava de um bolão de R$ 100. Pouco, para o que esse jogador que já faturou em torneios como esses. “A moçada geralmente aposta em mim, paga para eu jogar e no final dividimos o prêmio. Ao redor desses municípios, eu já ganhei um boi de 120Kg e vendi por R$ 750” contou o caramuriense e ex-policial do Exército, que não parava de ser chamado para bater a cobrança. Justo. Afinal, todos queriam dividir a ponta, pra bancar uma peixada a beira da deslumbrante Caramuri.

Daniel da Silva - morador e líder da comunidade

1 Quem mora aqui, pode descrever como a região fica na época da safra da Caramuri (de 4 em 4 anos)?
Antigamente tinha  muitas árvores de Caramuri aqui, que sendo apreciadas é como se você estivesse vendo uma bandeira do Brasil estendida  sobre a copa das árvores, já que os frutos amarelos se misturam com o azul e branco do céu.

2 Quantas famílias moram nessa comunidade  e de que forma se sustentam?
Aqui moram 35 famílias e 160 pessoas aproximadamente. Temos como principal meio de subsistência a produção de abacaxi e de cupuaçu. A agricultura seguida da pecuária também são atividades econômicas <br/>importantes.

3 O que muda na vida da comunidade com a divulgação da fruta?
Primeiro que estamos tendo destaque, e com a visitação conseguimos obter renda e prosperar.  E se o nome da bola for Caramuri, o Beto Mafra disse que vai tentar fazer a apresentação aqui. Além disso, queremos trabalhar a preservação da Caramuri.