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Construídas e administradas por órgãos públicos, academias ao ar livre deixam a desejar em Manaus

Lançadas há dois anos, as academias ao ar livre já ajudaram muita gente a entrar em forma. Mas, existem apenas sete delas na cidade. Regiões como a Zona Leste, não possuem nenhuma sequer 22/04/2015 às 17:24
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Academia no Prosamim do Alvorada foi a segunda a ser inaugurada, em 2013. Ela está conservada e sendo utilizada diariamente pela população que não pode pagar uma
Paulo André Manaus (AM)

Se exercitar em uma “academia ao ar livre”, aquelas que geralmente ficam instaladas em praças ou outros logradouros da cidade para a atividade física gratuita dos moradores, é um privilégio para poucos bairros em Manaus. É o que constatou o MANAUS HOJE ao mapear quais os locais onde existe esse tipo de espaço na cidade. E, pasmem: há áreas bastante populosas que não possuem nenhum desses equipamentos para o simples exercício do bem estar físico! A Zona Leste, por exemplo, não conta com uma única academia instalada.

A Prefeitura de Manaus administra apenas duas dessas academias instaladas atualmente na cidade. A primeira está localizada dentro do Parque dos Bilhares e a segunda foi implantada na reforma da Praça Coronel Jorge Teixeira (CIGS), na Estrada do São Jorge. Ambas foram construídas pela Secretaria Municipal de Infra-Estrutura (Seminf), porém, são administradas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

Questionada pela reportagem do MH sobre projetos de futuras academias a serem instaladas em outros bairros, a assessoria de comunicação da Seminf confirmou, via e-mail, que realmente há projetos sendo elaborados junto à secretaria.

“Os locais serão mapeados em praças e parques que possam receber o projeto em todas as zonas da cidade. No momento a praça do São Jorge, já está em obra por meio de administração direta, e ela receberá a academia ao ar livre. Nos projetos as obras civis serão por recurso do tesouro. Já a parte de equipamentos e aparelhagem será feito por meio de emenda parlamentar federal. As obras estão prevista para começarem até o mês de junho, logo após a conclusão do projeto e o mapeamento dos locais”, informou a Seminf por meio de sua assessoria de comunicação.

Segundo a pasta, entre os bairros onde já foram feitos estudos para implantação estão São José, Japiim, São Jorge, Cidade Nova e Jorge Teixeira.

Comunidade dá aula para as autoridades

Quando o poder público não dota as comunidades de espaços que elas necessitam, é natural que os próprios moradores façam o que seria competência do Estado e do Município. Foi o que ocorreu no bairro Monte Pascoal, mais precisamente às margens do Igarapé do Passarinho, onde, sem opções de academias próximas, e mais ainda sem dinheiro sobrando para se exercitar de forma particular, os moradores construíram por conta própria uma academia ao ar livre dotada de vários equipamentos como barras e halteres, por exemplo.


Tudo começou há mais de 5 anos por iniciativa do comerciante Edson de Oliveira Pereira, 36. “Construímos a academia por necessidade da comunidade. Começamos com duas barras – uma reta e uma paralela - e depois fomos comprando mais ferros em uma sucata, onde é mais barato. Conseguimos um soldador que cobrou menos dinheiro. Tudo pagando aos poucos. Fizemos um alicerce para aumentar o espaço, aterramos e cobrimos parte do local. Hoje temos também uma máquina de fazer agachamento, dois puxadores de costas e braços, supinos, malhador de braço, prancha para abdominal e um saco de boxe improvisado.

Reunimos cerca de 30 a 35 pessoas diariamente malhando à noite. E também pessoas durante o dia passam e vão malhando”, explica Edson Pereira.

“A iniciativa da academia foi minha, mas hoje, para fazer alguma melhoria como soldagens dos ferros ou comprar alguma máquina, a gente faz uma ‘cotinha’ com a comunidade, de R$ 5 ou R$ 10, e quem puder colabora. E quem não tiver a gente não força, mas há muitos que estão desempregados e não podem. Estamos fazendo o que podemos, pois a academia é muito necessária para nós pela falta de um local específico para a prática de esportes aqui na Zona Norte”, frisa o comerciante, ressaltando que já viu pessoas que pesavam cerca de 140 quilos passar a pesar 85 quilos caminhando e malhando na academia ao ar livre.

O comunitário pede mais atenção do poder público. “O governo deveria olhar mais para esses bairros carentes. Vejo mais academias ao ar livre em bairros nobres. Aqui temos esse espaço criado por nós, mas o prefeito poderia olhar, ou mandar seus assessores aqui para ver uma maneira de fazer algo pela comunidade”, desabafa ele, frisando, também, a inexistência de um destes espaços na populosa Zona Leste da cidade.

Estado promete ampliação, mas depende de burocracia

Atualmente, segundo a Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), o Governo do Estado possui instaladas quatro academias na capital - Alvorada, Parque do Idoso, Cidade Nova 3 e Colonia Oliveira Machado – e três no interior - nos municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão. O órgão informa que o Estado aguarda a visita técnica da Caixa Econômica Federal (CEF) para dar prosseguimento nas obras de mais 22 academias que serão instaladas nos seguintes bairros Colonia Antonio Aleixo (2), no Jesus me Deu, Jardim Paulista, Cidadão 12, Cidadão 10, Cidade Nova Núcleo 16, Conjunto Canaranas, Nova Cidade, Lírio do Vale, além dos municípios de Atalaia do Norte, Caapiranga, Careiro-Castanho (2), Iranduba, Itamarati, Japurá, Manacapuru, Manaquiri, Carauari, Parintins e São Gabriel da Cachoeira. As obras estão avaliadas em R$ 780 mil com recurso Federal e que terá uma contrapartida do Governo do Estado de R$ 90 mil.

Serão instaladas ainda academia ao ar livre no Santos Dumond, Petrópolis, Parque São Pedro, Viver Melhor, Compensa 2, Anori, Boca do Acre, Careiro-Castanho, Japurá, Jutaí, Novo Aripuanã, Lábrea, São Gabriel da Cachoeira, Canutama e Manacapuru - estas no valor de total de R$ 952 mil com uma contra partida estadual de R$ 102 mil. O Município de Itacoatiara receberá, ainda, 5 academias no valor total de R$ 271.057,42 com contra partida do Estado de R$ 30 mil. As obras, entretanto, só devem começar no segundo semestre do ano, após toda a burocracia ser resolvida junto à Caixa.

Para 2016 existem ainda 94 academias a serem instaladas, mas ainda em fase de processo licitatório. Quando instaladas, as referidas academias são entregues para as respectivas associações de moradores que, por sua vez, ficam responsáveis pela manutenção. A Sejel ressalta não possuir nenhum professor sob a sua responsabilidade orientando ou ministrando atividades no uso dos aparelhos nesses espaços públicos.