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Craque na área

Contratada pelo Iranduba do Amazonas, Andressinha fala ao CRAQUE

Fenômeno do futebol feminino, a meia-atacante chega ao Iranduba para reforçar as Guerreiras do Hulk na luta pelo heptacampeonato Amazonense 10/10/2017 às 14:19 - Atualizado em 10/10/2017 às 14:20
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Andressinha é a mais nova Guerreira do Hulk (Foto: Divulgação/CBF)
Denir Simplício Manaus (AM)

O futebol feminino do Amazonas está passando por um processo de extremos. Até dois atrás, nosso representante no Brasileirão não havia passado de fase no torneio. Hoje, o Hulk é sensação no Brasil e no mundo atraindo craques do nível de Seleção Brasileira.

A mais nova aquisição do Verdão da Amazônia também vem de outro extremo, do extremo do Brasil. Nascida na pequena Roque Gonzalez, no Noroeste do Rio Grande do Sul, Andressa Machry, mais conhecida como Andressinha, chega no Iranduba com status de herdeira da camisa 10 da Seleção Brasileira.

Aos 22 anos, a meia-atacante estava atuando no Houston Dash, dos Estados Unidos, e desembarca em Manaus na próxima semana para se tornar mais uma “Guerreira do Hulk” na disputa do Barezão Feminino.

Considerada uma das maiores revelações do futebol feminino nos últimos anos, Andressinha conversou com o CRAQUE antes mesmo de chegar a Manaus, onde falou da expectativa de voltar a capital amazonense, onde atuou pelo Brasil nas Olimpíadas e no Torneio Internacional de Seleções. A gauchinha boa de bola também falou da nova rivalidade com o 3B, da mudança de técnico na Seleção, do futuro do futebol feminino brasileiro e, é claro, da alegria em reencontrar a torcida amazonense.

Como surgiu o convite pra vir jogar no Iranduba e o que pesou na tua decisão em voltar a atuar no Brasil?

O convite surgiu após o término do lá dos Estados Unidos. A princípio não sabia o que eu ia fazer depois da temporada lá, e acabou surgindo esse convite. Já tinha trabalhado com o Lauro (Tentardini, diretor de futebol do Hulk) no Kindermann-SC e como eu não tinha mais nenhuma competição esse ano -  apenas as convocações da Seleção, - eles acabaram me convidando pra ir jogar no Iranduba.

Você esteve com a seleção Brasileira em Manaus durante a Rio 2016 e o Torneio Internacional de Seleções, o que achou da torcida amazonense e qual a expectativa de voltar a jogar na Arena da Amazônia ?

Sempre acabo falando que a torcida de Manaus é umas das mais especiais do Brasil. Eles acolheram muito bem o futebol feminino quando a gente passou lá nas Olimpíadas. Foi muito legal o carinho da torcida. Depois jogamos o Torneio (Internacional de Seleções) em Manaus novamente e a torcida nos acolheu muito bem. Com o Iranduba está sendo a mesma coisa: eles acompanham todos os jogos, torcem, e vão em grande número sempre. É uma torcida muito especial mesmo.

Você esteve na Seleção tanto na gestão do Vadão, como no da Emily Lima, quais as principais diferenças entre os dois trabalhos?

É muito difícil a gente estar comparando os dois assim, a Emily (Lima) e o Vadão. Mas acredito que o Vadão tem um estilo mais quieto, nos jogos ele procura não falar tanto, ele tenta corrigir mais nos treinamento. A Emily já era um pouco mais falante nos jogos. Acho que uma das principais diferenças, e acredito que todo mundo viu, foi a filosofia de um e de outro. A Emily queria mais um jogo apoiado o tempo inteiro, mesmo com a pressão na bola. E o Vadão, quando o adversário faz a pressão, opta pelo lançamento. Até porque a outra equipe está com a marcação mais em cima e a gente acabava buscando as atacantes pra correr. Vejo que isso é um das principais diferenças de estilo de jogo. O esquema acabou sendo o mesmo, tanto num como no outro, que foi o 4-4-2, e acredito que essa é uma das principais diferenças.

O momento do futebol feminino no Amazonas é de alta, muito por conta do sucesso do Iranduba no Brasileirão desse ano. Chegou a acompanhar as notícias das quebras de recorde de público do Hulk na competição? Como acha que será a recepção da torcida local com sua chegada?

Estava acompanhando sim, pelas redes sociais, as quebras de recorde da torcida de Manaus, do Iranduba, e achei isso incrível. A gente não vê muito isso no Brasil, não estamos muito acostumados e quando isso acontece é uma grande vitória pro futebol feminino. Penso que a recepção será da melhor maneira, a torcida é muito carinhosa e espero que eles fiquem felizes com a minha chegada.

Como foi sua experiência no futebol dos Estados Unidos, que é uma das potências no futebol feminino? Acha que estamos muito atrás das norte-americanas na categoria?

Já estou indo pra terceira temporada lá nos Estados Unidos e é um lugar que gosto muito de jogar porque as equipes são muito competitivas e os treinamentos são bons. Acho que o Brasil está ‘engatinhando’ nesse processo. Hoje, já temos um campeonato mais longo, que é o Campeonato Brasileiro, e acho que a gente está melhorando aos pouquinhos. Claro que os Estados Unidos está anos na nossa frente, elas já tem uma competição estruturada, organizada, mas acredito que o Brasil vai chegar lá um dia. 

Você já deve ter ouvido falar do time do 3B, hoje, o principal rival do Iranduba no Campeonato Amazonense. Tem amigas no 3B? Sabe da rivalidade que surgiu entre as equipes?

Estava acompanhando e vi que surgiu um outro time, o 3B. Na minha opinião é bom, porque quanto mais equipes melhor pro futebol feminino. Vi que montaram uma equipe competitiva. Conheço sim algumas jogadoras como a Duda, a Geovana e o próprio Tchelo (Marcelo), que é o treinador lá, e isso é bom pro futebol feminino. Quanto mais equipes, melhor.

Mesmo com apenas 22 anos, você tem uma baita rodagem no futebol feminino e, principalmente, na Seleção. Qual o caminho que o Brasil deve seguir pra voltar a conquistar títulos?

Acredito muito que o trabalho que cada uma de nós faça fora da Seleção é, talvez, o mais importante. Porque hoje a gente fica um período muito curto na Seleção. É uma convocação de dez a 15 dias no máximo e a gente já vai pro jogo. Acredito que o maior tempo que gente tem de fazer nosso trabalho dentro do clube pra chegar bem na Seleção. Acho que a única exceção que teve foi a permanente (Seleção), que a gente ficou um tempo reunida, e a gente ficou muito perto de uma medalha. Acredito que a gente está no caminho certo. O futebol brasileiro está melhorando cada vez mais, as condições estão melhorando cada vez mais e nós estamos cada vez mais perto de conquistar alguma coisa. Vejo hoje, que a gente se aproxima muito e bate de frente com as grandes seleções do mundo e sinto que a gente está bem perto.

A torcida do Iranduba não vê a hora de te ver com a camisa do clube. Se pudesse dar um recado pro torcedor do Hulk, qual seria?

O que eu diria pra torcida é que estou muito feliz com essa oportunidade de voltar pra Manaus e poder jogar na cidade. Dizer que tenho um carinho muito grande pela cidade e pela torcida. É lindo sempre o espetáculo que eles fazer e estou muito feliz por poder ir pra lá de novo.

Você é uma das herdeiras da camisa 10 de Seleção, a Rainha Marta. Sonha um dia em vestir a mesma camisa da maior jogadora de futebol do País?

Muitas vezes escutei isso de ser a herdeira da camisa, mas pra falar a verdade eu não penso muito nisso e queria mesmo é que a Marta fosse eterna, que ela pudesse ficar muitos e muitos anos na Seleção. Acho que não vai existir uma jogadora como ela e pra mim ela é a melhor da história. Enquanto ela puder ficar na seleção e eu tiver o privilégio de jogar junto com ela pra mim vai ser muito legal, vai ser muito bom e bom pra seleção também.

O Brasileirão 2017 foi muito concorrido, o Hulk terminou a competição na 4ª colocação. O que a Andressinha espera agregar ao time do Iranduba na luta pelo título em  2018?

Eu acompanhei a campanha do Iranduba em 2017 pela internet nos Estados Unidos. Eu espero que em 2018 a equipe passar chegar mais longe. Eu na verdade torci para que o Iranduba chegasse na final de uma competição nacional, pois eu tinha certeza que iriam lotar o estádio. No entanto, acabaram ficando na quarta colocação. Em 2018, Eu espero poder agregar justamente para podermos chegar até a final da competição e podermos ser campeãs. No entanto, meu futuro ainda não está definido.