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Esportes
Craque

Correndo por medalhas

Atletas da Terceira Idade pedem reconhecimento em forma de premiações nas provas disputadas.Pedro Antonio Padilha é um atleta de 65 anos de idade com uma carreira vitoriosa. 02/12/2012 às 18:41
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Pedro Padilha critica a falta mérito para atletas mais velhos
Nathália Silveira Manaus (AM)

Vistos por uma parcela da população com preconceito, os idosos deixaram nos últimos anos de ser discriminados e passaram a ser encarados pela sociedade como indivíduos ativos em vários segmentos. Com participação significativa e cada vez mais exigentes com seus direitos, entretanto, ainda existe muitas coisa que a melhor idade ainda não conquistou. Uma delas está diretamente ligada aos eventos esportivos.

Segundo Pedro Antonio Panilha de Andrade, 65, está faltando mérito para os mais velhos nas competições. No “bom português” está faltando medalha, troféu e reconhecimento.

“Tenho vários troféus na minha casa e tenho orgulho de cada um. Cada medalha conta a minha história. Mas existem corridas, por exemplo, onde os vencedores da sênior não têm direito a medalha, troféu ou premiação em dinheiro. E isso é muito errado. Afinal, esse pedido de condecoração pode parecer fútil para alguns. Entretanto, para nós, isso é um estímulo, uma forma de nos presentear. É um reconhecimento. Quando uma pessoa acima de 60 anos chega a sua comunidade com um troféu, é aclamada e serve de inspiração para outras pessoas idosas enveredarem para o esporte”, disse Pedro Padilha, que há 25 anos participa de disputas e grupos de corrida.

Atualmente, o aposentado pelo Ministério da Educação faz parte do grupo de corrida Sérgio Nazareno e percorre diariamente de 21 a 30 quilômetros. A preparação contínua, inclusive, faz parte de seu projeto para ir a 88ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, que ocorre dia 31 de dezembro. Esta será a quinta vez de Pedro em um dos eventos mais tradicionais do calendário nacional.

“Vai ser um presente divino e isso só será possível graças a ajuda dos meus amigos que estão dando todo o apoio, incluindo o Dissica Calderaro (diretor-presidente do Sistema A Crítica de Rádio e Televisão) e o vereador Fabrício Lima. São pessoas brilhantes, simples e extraordinárias. Eles incentivam e acreditam em mim”, comenta o maratonista, que fez seu melhor tempo na São Silvestre em 2011 ao cravar 1h08min15seg. Este ano o atleta pretende bater pelo menos 1h30min.

Quem vê seu Pedro tão animado para a última corrida do ano pensa que esse senhor cresceu praticando esporte. Não foi assim. Para ser essa excelência no atletismo, ele teve que passar por cima de vários obstáculos no passado.

O amazonense começou a fumar e beber aos 15 anos de idade. Aos 20, era considerado alcoólatra. Com dois filhos e casado com dona Ivete Andrade, seu Pedro deixava de sair com a família para ficar bebendo até cair. “Perdi muitas coisas, deixava minha família só e quando saía com eles, ficava bebendo ñas festinhas e aniversários e não tinha limite”, conta o senhor.

Aos 40 anos, teve diagnosticado colesterol e triglicerideos altos, hipertensão, arritmia, diabete e depressão. Panilha decidiu dar um a guinada na vida e correu para o lado da saúde. “Não tenho vergonha de contar a minha história. Pelo contrário, falo com muito orgulho, pois tem gente que acha que não tem tempo de mudar sua vida. E eu digo a eles que dá sim, tudo depende do tamanho do seu sonho e do seu foco. Eu consegui vencer e espero influenciar muito gente para o caminho da felicidade. Hoje sou uma homem feliz”, afirmou seu Pedro.