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CRAQUE analisa, mas não alisa: que galo é esse?

Estrutura, pagamento em dia, um técnico que sabe montar boas equipes... Conheça os segredos do Super Galo de Minas 26/08/2012 às 16:43
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Cuca, técnico do Atlético Mineiro
Adan Garantizado Manaus

Pegue um jejum de 41 anos sem títulos e misture a um elenco recheado de medalhões, um treinador desacreditado e um presidente que adora falar mais do que deve. Misture tudo em uma panela e acrescente a contratação do jogador que mais gerava notícias ruins no futebol brasileiro (fosse por seu desempenho em campo ou por suas farras intermináveis). Pronto! A “receita” acima teria chances altíssimas de ser um desastre anunciado.

Mas após 17 jogos no Brasileirão, o Atlético-MG provou o contrário. Fazendo uma campanha quase perfeita na competição, o Galo conquistou 42 pontos, perdeu apenas uma única vez e possui o aproveitamento de 82,4%, inédito em um Brasileiro de pontos corridos. O que faz a equipe de Belo Horizonte ser tão devastadora? O CRAQUE analisou a equipe e conseguiu chegar ao menos perto da “fórmula” da eficiência do Galo mineiro.

Cuca resolveu apostar em uma formação tática, que em princípio, parece ser defensiva, o 4-5-1. A questão é que o esquema é um 4-2-3-1 “disfarçado”, ou seja, ofensividade pura.

A segurança passada por Victor no gol (contratação que caiu como uma luva no time), Réver e Leonardo Silva na zaga formaram a segunda defesa menos vazada do Brasileirão. O polivalente Escudero e Pierre protegem o sistema defensivo e conseguem cobrir os avanços de Marcos Rocha (que atravessa fase excepcional) e Junior César (o ponto mais vulnerável da equipe). Daí para frente, a equipe ataca em bloco. Danilinho e o garoto Bernard conseguem se movimentar bastante pelos lados do campo e chegam muito no ataque e fazem até seus gols.

Estratégia
Toda essa “estratégia” possibilita que um jogador que chegou à equipe como incógnita, ganhe liberdade para mostrar seu talento distribuindo jogadas. É assim que Ronaldinho Gaúcho tem funcionado. O Gaúcho não é mais aquele do Barcelona, mas também não é o “zumbi” dos tempos de Flamengo. Mais um ponto para Cuca. Amigo pessoal da família (principalmente de Assis, com quem jogou no Grêmio), o treinador é uma das poucas pessoas no mundo a quem R49 dá ouvidos. Com companheiros que “correm por ele”, Ronaldinho tem colocado principalmente o centroavante Jô na cara do gol. Este também “acordou para a vida” e vem naquela fase de a bola resvalar nele e entrar.

12 jogos de invencibilidade, possui o Atlético-MG neste Brasileirão. A única derrota do Galo foi para o São Paulo, no Morumbi, na quarta rodada. A equipe empatou três vezes.

Força ‘extracampo’
Fatores “extracampo” também estão fazendo o Galo dar show. A equipe tem estrutura boa e completa. Os salários podem não ser as fortunas oferecidas no eixo Rio-São Paulo, mas são pagos religiosamente em dia. O trabalho físico feito por Carlinhos Neves também merece ser destacado. Foi ele quem moldou fisicamente equipes como o Palmeiras de 94-95, e o São Paulo de Muricy Ramalho. A volta do estádio Independência fez o Atlético-MG ganhar um “caldeirão” como casa.

Sempre lotado pela fanática torcida, o Galo ainda não perdeu como mandante neste Brasileirão. A torcida também se tornou aliada da diretoria da equipe, ao avisar que vai “caçar” jogadores que estejam exagerando nas noites de Belo Horizonte. Se compararmos o retrospecto de cada líder do Brasileiro por pontos corridos, de 2003 para cá, na 18ª rodada, o máximo de aproveitamento que uma equipe chegou foi o Fluminense, em 2010, com 75%. O Galo está quase 10% à frente.

E os pontos fracos?
Nem só de boas notícias e pontos fortes vive a Cidade do Galo. O Atlético-MG também tem alguns problemas que enchem os adversários de esperança. A instabilidade emocional do treinador Cuca é talvez o ponto mais preocupante. Quando comandava o rival Cruzeiro, Cuca também montou um time que dominou a primeira fase da Libertadores no ano passado, mas, que caiu diante do Once Caldas-COL (com direito à cotovelada e expulsão do treinador no colombiano Reintería).

Ronaldinho Gaúcho também é um barril de pólvora. Ele inclusive já se estranhou com o presidente do Galo, Alexandre Kalil, por uma “escapada” da concentração antes do duelo contra o Vasco. Ronaldinho não jogaria a partida, mas, por insistência do grupo atuou e foi decisivo no jogo. O ego do jogador tem o poder de implodir a equipe. Em campo, a lentidão de Júnior César na lateral esquerda e os excessos de Pierre no meio são pontos vulneráveis. É, o Galo ainda vai ter que ralar muito para provar que não é paraguaio.