Publicidade
Esportes
EXCLUSIVO

CRAQUE fala com Gilmar Popoca, técnico amazonense do Flamengo na Copinha

Revelado na base do Rubro-Negro, ele busca o bicampeonato da Copa São Paulo de Futebol Jr. e sonha em dirigir o time principal do Flamengo 11/01/2017 às 11:44 - Atualizado em 11/01/2017 às 12:08
Show gilmar popoca gilvan de souza e1483096947689 1 e1483097053256
Gilmar Popoca fala sobre o desafio de comandar pela primeira vez o Flamengo na Copinha (Foto: Flamengo.com)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Craque, o Flamengo faz em casa!”. A frase é tão conhecida entre os flamenguistas quanto as cores do manto rubro-negro e um amazonense em especial fez da Gávea sua casa. Augilmar Silva Oliveira, o Gilmar Popoca, 52, não apenas foi revelado nas categorias de base do clube carioca como brilhou com a camisa do time de maior torcida do País.

Agora treinador, Popoca - que passou pelo comando do Sub-13, Sub-15 e Sub-17 da Gávea - encara seu maior desafio, agora, comandando o time de Juniores do Fla, na disputa da Copa São Paulo. Nesta quarta-feira (11), às 19h (Hora Manaus), o treinador amazonense comanda os “Garotos do Ninho”, como são chamados, contra o Nacional-SP na primeira partida de mata-mata do Rubro-Negro no torneio.

O CRAQUE conversou com Popoca que, entre outros assuntos, falou de sua trajetória como técnico nas divisões de base do Flamengo. Assim como da alegria de conquistar seu primeiro título nos Juniores no clube que o revelou. Campeão Mundial com a Seleção Brasileira de base em 1983, como jogador, o ex-camisa 10 da Gávea também comentou sobre o futebol amazonense e como está o Rubro-Negro que briga pelo bicampeonato da Copinha.

Você foi campeão mundial Sub-20 com a Seleção – mesma categoria que você hoje é treinador no Fla. Que análise você faz sobre o momento atual do futebol de base no Brasil?

A base é tudo. Acho que sem ela os clubes terão sérios problemas, principalmente porque o mercado hoje está muito violento em relação à quantia que você tem de pagar por um jogador e, com certeza, você trabalhando os atletas desde as categorias Sub-13, Sub-14 até a Sub-20 você tem uma possibilidade de ter um retorno muito maior. Além de tudo, você consegue formar realmente esses atletas com o nível esperado pelo profissional.

Em novembro passado você se tornou campeão do Torneio OPG (Octávio Pinto Guimarães) como técnico da equipe Sub-20 do Flamengo, título que já havia conquistado como jogador do Rubro-Negro. Dá pra descrever a emoção dessa conquista, justamente a sua primeira nos Juniores?

Foi um título realmente maravilhoso. Foi uma emoção assim indescritível. Primeiro porque, lógico, já tive a oportunidade de ter ganho essa competição como atleta e agora ter sido campeão como treinador dá assim uma emoção muito grande. Principalmente da maneira que foi, em jogos decisivos contra equipes muito fortes como a do Fluminense, como a do Vasco, em que nós conseguimos resultados expressivos. Foi 4 a 0 contra o Fluminense na semifinal e 3 a 1, dentro de São Januário (contra o Vasco), na final. Então, realmente foram jogos em que a garotada mostrou todo o potencial, toda a qualidade do trabalho que vem sendo feito nas bases do nosso clube. Foi muito bom, fiquei muito feliz por isso e continuar trabalhando pra buscar mais títulos porque, por mais que a gente fale que esteja na formação do clube, as vitórias, os títulos têm sempre que andar lado a lado porque se não, você sabe que existe a cobrança e então é importante você ter isso também na cabeça.

Como foi a preparação para a Copinha?

Sobre a taça São Paulo, nós estamos nos preparando já faz algum tempo. Inclusive, disputamos a Copa RS Internacional (no Rio Grande do Sul) antes da Copinha. Nossa equipe é uma equipe jovem, houve uma mudança muito grande da OPG (Copa Octávio Pinto Guimarães) pra essa equipe. É uma equipe nova, de atletas nascidos em 97, 98, 99 e até mesmo atletas de 2000. Disputamos a Copa RS pra que eles pudessem ganhar uma experiência, que não deixa de ser internacional, porque na competição haviam equipes da América do Sul e da América Central.

Popoca, você tem acompanhado o futebol amazonense? Em sua opinião, o pouco apoio às divisões de base no Amazonas é uma das causas da situação atual do nosso futebol?

Peço até desculpas, mas, como a correria é muito grande tenho acompanhado muito pouco o futebol amazonense. Mas nas vezes em que fui a Manaus, nas vezes em que eu conversei com algumas pessoas há muitos anos, eu sempre reclamei de que falta investimento na nossa base aí, nas nossas equipes grandes de futebol. O Amazonas tem um celeiro de craques, sempre coloquei isso aqui mesmo no Sul, só que são mal preparados, não existe investimento, um cuidado com esses meninos pra que eles possam crescer e chegar ao profissional com um nível alto pra ir pra outras grandes equipes. O nosso campeonato é um campeonato frágil. Enfim, temos um estádio maravilhoso, a Colina foi renovada, temos aí a Arena Amazônia... Mas, enfim, a gente precisa de investimento na base pra fortalecer esses meninos, dar uma condição boa pra que eles possam evoluir tanto dentro como fora de campo e se tornarem profissionais, só que não vejo essa preocupação da Federação (Amazonense de Futebol, FAF) das grandes empresas aí que poderiam estar investindo no futebol amazonense.

Qual o perfil do Gilmar Popoca treinador?

Como treinador eu sou um cara extremamente tranquilo, exigente, claro, como todos, principalmente na hora do trabalho. Tenho uma preocupação muito grande com os fundamentos, coisa esquecida por alguns. Acho que o futebol brasileiro perdeu muito por esse esquecimento. Tenho uma preocupação muito grande com o estímulo técnico, nós temos de estimular o atleta a desenvolver muito a parte técnica, porque parte tática é muito simples. Os atletas hoje estão cada vez mais disciplinados e mais dispostos a cumprir aquilo que você pré-determina dentro do jogo. Sou realmente um treinador que gosta de atacar, que gosta de buscar o gol, de propor o jogo. Sou um treinador que procura organizar muito bem o meu sistema defensivo pra poder dar liberdade aos meus atletas de buscar o gol. Gosto realmente de sempre estar com o domínio do jogo, buscando sempre a vitória, acho que tenho esse perfil. Fui criado no Flamengo dessa maneira. Fui criado na “escola Flamengo”, onde a gente jogava futebol vistoso. Nós podemos continuar jogando assim, o futebol brasileiro pode continuar jogando esse futebol. Lógico, dentro da realidade atual, dentro dessa dinâmica hoje do jogo, de um jogo mais rápido, de um jogo mais competitivo, num jogo mais forte fisicamente, mas sem esquecer a essência dele, que é a beleza do jogo, a técnica, o futebol arte. Então, busco realmente, meu perfil é esse aí, é de querer que se jogue um futebol de alto nível.

Como jogador de futebol teu ídolo é o Zico, mas como técnico, quem você admira ou se espelha?

Sei que a gente tem hoje no futebol brasileiro grandes treinadores. O Tite hoje é realmente considerado pra gente um grande treinador, mas tem dois no futebol europeu que eu tenho uma admiração muito grande. Me espelho muito neles que é o Guardiola (Pep, técnico do Manchester City-ING) e o Klopp (Jürgen), técnico do Liverpool). São dois treinadores de ponta de futebol europeu que chamam muito atenção por gostarem do futebol envolvente, do futebol técnico, de qualidade e um futebol de gols. Eles não são dessa escola de treinadores em que o melhor ataque é a defesa, eles são o inverso: a melhor defesa é o ataque. Eu admiro demais esses dois treinadores.

"Craque, o Flamengo faz em casa!". Essa frase é bastante conhecida, mas o Flamengo tem aproveitado bem os atletas da base?

Acho que o clube vai voltar com essa frase que craque se faz em casa. A gente só espera que num futuro bem próximo haja uma melhoria nessa transição da saída do Sub-20 para a equipe profissional em virtude que alguns atletas estão subindo um pouco antes e estão sendo pouco aproveitados, e essa é nossa expectativa. Mas é continuar trabalhando esses garotos, continuar formando aqui na base porque só assim o Flamengo vai voltar a ser a grande equipe que a torcida quer.

Qual tua maior meta como treinador de futebol: comandar o time principal do Flamengo? Seleção Brasileira? Futebol europeu?

É difícil você dizer de imediato o que você quer na sua carreira. Você quer sempre o melhor, né? Vou buscar sempre a parte mais alta do pódio, da onde você quer chegar. Agora vamos aguardar, vamos esperar. Quando saí de Manaus, com 15 anos e vim pro Rio de Janeiro, muita gente achou que eu não conseguiria ficar nem 40 dias no Flamengo e hoje tenho uma história dentro do clube. Vou trabalhar muito, vou me dedicar muito e vou buscar sempre a evolução no que diz respeito a ser um técnico de futebol e buscar o melhor, né? As oportunidades com certeza vão aparecer e, se aparecerem, espero não cometer erros e segurá-las da melhor forma possível. Agora sobre ser treinador de uma seleção, de um clube europeu, isso só o tempo dirá, só o trabalho, só a produção do seu trabalho é que pode definir a sua carreira. Mas eu, com certeza, vou forte, vou firme buscando o ser o melhor, que é sempre importante.