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Craque entrevista Hulk: "Tenho a confiança de todo mundo"

Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, o atacante da Seleção Brasileira falou, entre outros assuntos, como superou a desconfiança da torcida para se tornar um dos craques da Copa do Mundo 28/06/2014 às 09:34
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Atacante vem se constituindo em um dos principais nomes da Seleção Brasileira
Leanderson Lima Brasília (DF)

No cinema e nos quadrinhos, o personagem criado pela Marvel, o cientista Bruce Banner, tem o seu DNA modificado depois de ser contaminado por raios gama. Graças a isso, toda vez que ele fica irritado, se transforma em Hulk, um monstro verde de proporções e força descomunais. É, mas um brasileiro nascido em Campina Grande, interior da Paraíba, nunca precisou de energia radioativa para ficar grande e forte. O Hulk brasileiro é “gigante” pela própria natureza.  E, diferente do personagem que inspirou a apelido, ele é calminho, calminho.

Quando estrou com a camisa canarinho, Hulk era contestado pela torcida. As vaias eram constantes. A preferência de boa parte dos torcedores era pelo meia do PSG, Lucas. Também pudera. Lucas conseguiu ser ídolo de um grande clube brasileiro como o São Paulo. Hulk, não.

Depois de ser revelado pelo Vitória, ele deixou o Brasil cedo. Rodou por clubes do futebol japonês até ser contratado pelo Porto. Lá ele explodiu para o futebol e até chegou a receber convites para defender a seleção de Cristiano Ronaldo. Ele não quis, achou melhor esperar a chance de vestir a camisa da Seleção mais vitoriosa do mundo.

A oportunidade veio na gestão de Mano Menezes. Na época, ninguém entendia a “insistência” do treinador com aquele atacante brutamontes. Hulk seguiu sendo convocado e foi até medalha de prata nos  Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Mano se foi. Felipão voltou e quem pensava que jogador perderia espaço, caiu do cavalo.

Givanildo seguiu absoluto. Venceu a desconfiança da torcida, conquistou o título da Copa das Confederações e agora é titular absoluto e também é um dos queridinhos da torcida, principalmente feminina.

O CRAQUE teve uma conversa exclusiva com o meia-atacante da Seleção Brasileira depois do jogo contra Camarões, ainda em Brasília. Nesta conversa, ele falou sobre como superou a desconfiança geral, o papel dele no time de Felipão, revelou um detalhe interessante sobre o esquema tático do time e ainda deu a receita do que o time precisa fazer para vencer hoje o Chile no Mineirão.

O ataque da Seleção Brasileira nitidamente caiu de produção contra o México, partida em que você não atuou. No jogo contra Camarões você voltou ao time e a vitória veio de forma mais fácil. Isso mostra o quanto você é importante na equipe, não é mesmo?

Fico feliz de ter voltado e de estar aqui, na Seleção Brasileira. Quando se faz gols as pessoas sempre veem de outra maneira, mas o jogo contra o México foi bom. Infelizmente não ganhamos. Hoje fica a diferença que a equipe entrou mais motivada e os gols fazem a diferença.

No jogo contra Camarões você teve algumas oportunidades de fazer gols, mas ainda não conseguiu. É a ansiedade de marcar o primeiro gol na Copa?

Não fico com isso (ansiedade). A gente fica com vontade de fazer gol, mas tudo no momento certo. O mais importante é a vitória. É ficar tranquilo. Quando ganhar, ganhar bem como foi contra Camarões, representando bem o nosso futebol. É isso que é importante.

E fisicamente o Hulk já está 100% bem?

Eu me sinto bem, graças a Deus. Corri para frente e para trás tentando ajudar os outros. Tenho a confiança de todo mundo. A minha saída no jogo contra o México foi opção do treinador e a gente tem que respeitar. Contra Camarões ele optou por mim e consegui entrar e ajudar a Seleção.


Historicamente o Chile é freguês do Brasil, mas a sua geração teve uma certa dificuldade quando cruzou com o time...

O Chile é uma grande seleção, merece respeito e merece concentração máxima quando se joga contra eles. Vamos trabalhar nisso sabendo que nós estamos enfrentando uma grande seleção. 


Na Copa das Confederações você era muito criticado. Muita gente chegou a te vaiar, pediam o Lucas e agora a situação mudou. A Seleção e a torcida sentiram a sua falta no jogo contra o México e hoje você é um dos jogadores mais aplaudidos pela torcida. Como você analisa essa mudança?

Fico feliz. Sabia que poderia fazer com que acontecesse isso. O Felipão me deu total confiança, não só ele, mas como toda a comissão técnica. Eles sabiam do meu potencial, do meu trabalho. A torcida passou a me conhecer depois da Copa das Confederações. Hoje já conhece, já sabe como joga o Hulk e graças a Deus tenho o carinho de todos eles (torcedores) e procuro retribuir da melhor maneira possível.

Das seleções que você viu jogar qual foi a que mais te chamou atenção?

Todas as seleções que passaram (de fase) fizeram por merecer. É difícil apontar uma seleção...

A Costa Rica te surpreendeu?

Costa Rica surpreendeu merecidamente, fez grandes jogos e mereceu passar de fase e merece respeito pelo que fez.


No jogo contra Camarões, a Seleção voltou a fazer aquele estilo de jogo que se tornou marca registrada do time durante a Copa das Confederações, que é jogar pressionando o adversário em seu campo de defesa. Na Copa do Mundo, a Seleção não estava fazendo isso. O que aconteceu? Foi o Felipão que trabalhou isso com vocês, para que o time voltasse a jogar desta forma?

Não. Isso é conversa dos jogadores mesmo. Fazendo isso a gente sabe que fica difícil para o adversário jogar. Fizemos isso contra Camarões e vamos continuar fazendo.

Qual é o segredo para bater o Chile nas oitavas de final desta Copa do Mundo?

Entrar concentrado, procurar não errar e saber que estamos enfrentando um grande adversário.