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Esportes
De escanteio

De sensação ao esquecimento, Iranduba sofre para se manter no futebol sem patrocínios

Dois meses após jogo histórico que quebrou recorde de público no futebol feminino no País, o Hulk perdeu a força e luta para manter o futebol feminino vivo no Estado 28/08/2017 às 19:06 - Atualizado em 29/08/2017 às 15:17
Show hula
Time perdeu até campo para treinar (Foto: Gilson Melo)
Denir Simplício Manaus (AM)

De sensação ao esquecimento, passados exatos dois meses do jogo histórico na Arena da Amazônia, em que mais de 25 mil pessoas empurraram o Hulk contra o Santos, pela semifinal do Brasileirão, o Iranduba sofre para se manter no futebol feminino no Amazonas.

Sucesso de público dentro dos gramados, a maior sensação do  futebol baré nos últimos dez anos sofre fora deles. Sem grandes patrocínios ou novas competições no campo, o Hulk tenta sobreviver atuando no futsal, onde está na final da Copa do Brasil da modalidade. Atualmente o clube se mantém com o patrocínio de uma empresa de contabilidade e do apoio de uma universidade particular, que libera bolsas de estudos para algumas atletas. Além da Sejel, que ajuda na logística do time. Mas o clube não tem nem mais campo para treinar. 

“A Sejel dá o apoio logístico por intermédio do Fabrício (Lima, secretário). Antes de o Fabrício entrar, vale ressaltar, que nós não tínhamos nem campo ou quadra pra treinamento... A Uninassau dá 20 bolsas 100 por cento, que é importante porque se o clube fosse pagar isso daria mais de R$ 25 mil (por mês), e a Premium (contabilidade) ajuda pagando salário de algumas atletas. São essas as empresas que nos apoiam e é muito pouco”, aponta o diretor de futebol do Iranduba, Lauro Tentardini.

Promessas de apoio

Entre tapinhas nas costas e pose para fotos, de concreto mesmo o que o Hulk recebeu foram R$ 15 mil em apoio da Amazonastur. A verba veio antes da partida de volta contra o Santos, e em troca o Iranduba  divulgou  o nome do Estado em novo uniforme.

“Na verdade a única coisa que se concretizou foi o apoio de R$ 15 mil pro jogo em Santos, que foi o que nos foi prometido na verdade pela presidente da Amazonastur, a Oreni Braga, e isso é consolidado e ela cumpriu com a palavra dela. Há de se ressaltar, foi um patrocínio pontual”, confirmou Tentardini lembrando que dois deputados prometeram liberar R$ 300 mil ao clube para a temporada de  2018.

Hulk recebeu R$15 mil da Amazonastur e promessas para 2018 (Foto: Márcio Silva) 

“O deputado Francisco Souza prometeu R$ 200 mil. Também tivemos a promessa do presidente da Comissão de Esportes da Assembleia (deputado Augusto Ferraz - DEM), de que nós teríamos também da parte dele destinados R$ 100 mil em emenda parlamentar. Isso seria verba pro ano que vem e teria de entrar no orçamento a partir desse ano. Tirando essa promessa de apoio pro ano que vem,  nós não temos absolutamente nada”, enfatizou o dirigente.

O CRAQUE entrou em contato com ambos os deputados. Francisco Souza (PTN) não atendeu às ligações, já a assessoria do deputado Augusto Ferraz (DEM)  informou que a intenção do parlamentar em repassar verba no valor de R$ 100 mil a equipe do Iranduba continua de pé. No entanto, o processo de abertura para novas propostas de emenda parlamentar ao orçamento de 2018 está previsto para o próximo mês de dezembro.

“O Iranduba sempre se manteve sozinho. Porém, sem o Campeonato Brasileiro, nesse vácuo de cinco meses sem um jogo importante na Arena da Amazônia ...  nós ficamos com a receita completamente comprometida e nós precisamos de patrocínio e não estão chegando”, lamenta Tentardini comentando que tenta conseguir parcerias privadas, mas esbarra, segundo ele, no insucesso do futebol masculino.

“Infelizmente, o futebol feminino está ‘pagando o pato’ do masculino. Você chega e, pelos resultados do masculino, as empresas, mesmo antes de a gente conversar, já dizem não pros clubes. Não estou fazendo nem um tipo de crítica ao futebol masculino, estou dizendo o que as empresas me dizem”, enfatizou Tentardini explicando o porquê das negativas.

“Eles (empresários) alegam que o Distrito (PIM) não ajuda porque quando ajudaram não obtiveram os resultados esperados e a gestão dos recursos não agradaram à eles. É mais ou menos isso que eles falam, que eles (dirigentes) não levam o futebol à sério”, concluiu.

Números do fenômeno Hulk

Segundo o diretor de futebol do Iranduba, Lauro Tentardini, as despesas do clube beiram os R$ 100 mil mensais. Somente a folha salarial das atletas chega a R$ 60 mil por mês.

Prestígio não falta às atletas do clube. Ontem mesmo a volante Djenifer Becker foi convocada para a Seleção Brasileira principal para a disputa de dois amistosos na Austrália. Sem contar as categorias de base, onde o Hulk cede jogadoras no Sub-17.

Mesmo com o futebol feminino em ascensão no Brasil, as perspectivas da modalidade no Amazonas não são as melhores por conta da falta de apoio. “O futebol feminino brasileiro está passando por um momento muito bom... As perspectivas nacionais são muito boas, mas aqui no Amazonas em termos de apoio tem sido muito pouca, muito poucas mesmo”, analisou o dirigente.

Mais de 25 mil torcedores empurraram o Hulk contra o Santos na Arena (Foto: Márcio Silva)

Pelo Brasileirão 2017, o Hulk fez história e arrastou multidões à Arena. Em apenas seis jogos pela competição o Iranduba levou 46.482 torcedores ao palco da Copa do Mundo de 2014 e da Rio 2016. Foi uma quebra de recorde atrás da outra culminando no espetacular número de 25.721 torcedores na semifinal contra as Sereias da Vila. Mais público que o amistoso da Seleção contra a Bolívia, que com Marta e cia arrebatou apenas 16.198 presentes. Os números não mentem e apenas comprovam que com apoio o Hulk tem tudo para ‘esmagar’ ainda mais em 2018.  

 

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