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Esportes
Inclusão e evolução

Dia do Orgulho Autista: Max Wilson tem a vida transformada após conhecer o jiu-jítsu

Max é autista e sempre foi um rapaz fechado, que não interagia com as pessoas. Conheça a história do atleta de 17 anos 19/06/2017 às 05:00
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Max Wilson começou a fazer jiu-jítsu como um hobby, e o esporte acabou mudando sua vida (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Jéssica Santos Manaus (AM)

Max Wilson, 17, é autista, vivia isolado no seu mundo e não era feliz. Isso até conhecer o jiu-jitsu, modalidade que trouxe a felicidade e a evolução pessoal de Max. Em homenagem ao Dia do Orgulho Autista, comemorado no último domingo (18), vamos conhecer melhor este jovem lutador, que viu sua vida ser transformada para muito melhor, por meio do esporte.

Max Wilson, 17, foi diagnosticado autista aos cinco anos de idade. Ele sempre apresentou as características do autismo, segundo sua mãe, Rosane Queiroz. “Antes, meu filho precisava seguir uma rotina, ficava apenas sentado na frente da televisão e no celular. Ele vivia uma vida sedentária e visivelmente não era feliz”, conta ela.

Mas tudo mudou quando Max descobriu o jiu-jitsu. Ele pratica a  ‘arte suave’ há oito meses, no Projeto Social Ivo Neto, no bairro Santa Luzia, Zona Sul, de segunda a sexta, e, de lá pra cá, sua família e seus professores vêm notando a grande evolução do jovem, no seu comportamento.

“O contato físico dele comigo e com os outros melhorou, ele me abraça, fala com as pessoas, obedece a regras, e foram coisas que o esporte proporcionou a ele. Até na escola também melhorou bastante, ele está indo melhor, antes nem gostava de ir porque sofria muito bullying”, ressalta a mãe de Max.

O início no esporte

Rosane conta como seu filho iniciou no jiu-jitsu. “Moro há três anos aqui no bairro Santa Luzia, daí vim aqui na rua Leopoldo Neves comprar comida. Vi que tinha o projeto social, e meu filho já tinha me falado que queria fazer um esporte, então eu perguntei dele se ele queria fazer jiu-jitsu, e ele disse que sim, mas ficamos cinco meses vindo à academia e voltando para casa, antes de ele começar a treinar. E  daí não parou mais”, relembra a mãe de Max.

Hoje, Max se encontrou no jiu-jitsu, e participou de três campeonatos, sendo o último, o Campeonato Roraimense de Jiu-Jitsu, onde foi campeão. “Até me emociono de falar porque eu nunca pensei que iria sair de Manaus com ele, porque o autista tem uma rotina, e ele saiu da rotina dele, para superar 12 horas de viagem, de Manaus a Boa Vista, tudo pelo esporte”, conta Rosane.

Max explica como foi para ele fazer essa viagem para competir. “Eu nunca tinha viajado para fora do Amazonas. Sair de Manaus para ir a Roraima não parecia uma coisa muito boa para mim, mas eu pensei e decidi arriscar porque talvez eu pudesse me surpreender, e aconteceu. A infraestrutura de lá é muito boa. E acho que futuramente eu poderei ir para um campeonato fora do Brasil”, disse Max.

Sobre o jiu-jitsu, Max fala com gratidão do esporte. “O jiu-jitsu é muito bom. Eu não tinha convicção de que isso poderia mudar a minha vida. Eu só queria fazer isso como um hobby, mas eu comecei a ficar mais interessado, e então eu percebi que esse esporte é para mim”, disse Max, que vem notando sua própria evolução. 

“Eu treino quase todo dia, e cada vez mais eu fico um pouco melhor. Ainda tenho alguns problemas, mas estou indo bem”, avalia Max. 

Evolução comemorada

Seu professor, Ivo Neto, fala da mudança de Max, depois do jiu-jítsu. “Quando o Max chegou ao projeto, ele não interagia com os colegas, tanto que no primeiro dia dele, o Max chegou a passar mal e eu pensei que ele não voltaria, mas, para nosso espanto, ele voltou três dias depois, e hoje notamos uma evolução dele. Hoje, ele interage com os colegas e conversa. O interessante é que uma vez uma colega e instrutora daqui machucou o pé, e quando ela chegou, ele perguntou: ‘O que aconteceu com o seu pé?’ E achamos muito legal essa mudança dele”, relata Ivo.

Fabrício de Azevedo foi o primeiro professor de Max. Ele disse que no início foi difícil, mas que nunca pensou em desistir de Max. “Ele era fechado no mundo dele, era difícil dar aula para ele, mas o Max foi se adaptando, e eu nunca pensei em desisti dele. Nunca esqueço de quando o Max falou pela primeira vez comigo. Ele disse: - vou fazer, professor”.

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