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Craque

Diferente de outros profissionais, treinadores de renome nacional curtem desemprego sem desespero

Em um País onde muitos profissionais não recebem salários compatíveis com sua qualificação técnica, os treinadores de ponta  podem se dar ao luxo de passar meses desempregados 23/03/2013 às 18:52
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Treinadores
André Viana Manaus (AM)

Quando estão empregados, os técnicos de futebol são chamados de professores por poucos e de burro por milhares. Mas de lesos não têm nada. Em um País onde muitos profissionais extremamente capacitados não recebem salários compatíveis com sua qualificação técnica, os treinadores de ponta – após um curto período de trabalho - podem se dar ao luxo de passar meses, anos, ou mesmo o resto da vida sem ter que acordar cedo para pegar no batente. O ex-treinador do Flamengo, Dorival Júnior, é o exemplo mais recente desta afirmação. Após quase um ano no cargo, um dos mais cobiçados treinadores da nova safra de “professores” da bola recebia mensalmente R$ 700 mil. Agora diz que vai se “reciclar” e dar um tempo na profissão.

É verdade que ao ser dispensado, Dorival não recebeu fundo de garantia, assegurado por lei a qualquer trabalhador comum. A explicação é simples, Dorival – como a maioria dos colegas de profissão – não tinha carteira de trabalho assinada. Seu vínculo com o Flamengo era contratual. Isso, porém, não deve ter atrapalhado o sono dele. Os motivos são óbvios. Dorival é um dos técnicos mais conceituados do mercado da bola brasileiro e dificilmente ficará desempregado por muito tempo, e, com a grana que faturou nos quatro últimos clubes que passou (Vasco, Santos, Atlético-MG e Flamengo), as aplicações financeiras e aquisição de imóveis lhe permitirão tranquilidade de sobra para viver confortavelmente.

Sem calvície

O técnico Dorival faz parte de uma pequena, mas significativa, parcela de profissionais cuja demissão não acarreta na aceleração da calvície ou do surgimento de cabelos brancos. Ao acertar dirigir um grande clube, os treinadores impõe cláusulas contratuais vantajosas. A primeira delas é o prazo. Quanto maior, melhor. Eles, como qualquer torcedor e dirigente, sabem que uma sequência ruim de resultados do time que dirigem pode tirá-lo do cargo. Então, estipulam uma multa rescisória bilateral, que na maioria dos casos é sempre rompida pelo empregador (o clube).

Outra possibilidade é a exigência de que, mesmo após a demissão, o salário acordado seja pago até o término do contrato que seria cumprido, e de forma integral.

Dispensando ajuda

Por essa razão, técnicos de ponta desempregados não estão inscritos em programas assistencialistas do governo federal, estadual ou batendo de porta em porta de clubes de menor expressão. Nomes consagrados como o de Mano Menezes (valor de mercado em torno de R$ 600 mil) estão na lista dos “professores” cujo salário mensal pode construir, com sobras, instituições de ensino para alunos de verdade, que o Brasil tanto carece. Desta forma, teríamos poucos burros gritando na arquibancada.