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‘Direto do túnel do tempo’. Há 18 anos Vasco e Botafogo não decidem o Carioca

O “Clássico da Amizade” não define o campeão carioca desde 1997. Quando as duas equipes duelaram pela decisão do Estadual do Rio pela última vez, as redes sociais ainda nem existiam e a princesa Diana ainda estava viva 24/04/2015 às 21:41
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Botafogo e Vasco não decidem um Carioca desde 1997.
Denir Simplício Manaus (AM)

Neste domingo (26), às 15h (hora Manaus), no Maracanã, Botafogo e Vasco da Gama fazem a primeira partida das finais do Cariocão deste ano. A última vez que o “Clássico da Amizade” decidiu o Campeonato Carioca foi no longínquo ano de 1997, e o clube da Estrela Estrela Solitária levou a melhor em cima da equipe da Cruz de Malta. Aliás, os vascaínos jamais levantaram a taça do Estadual do Rio quando duelaram com os botafoguenses.

Há 18 anos, com direito a  reboladinha do “Animal” Edmundo pra cima do zagueiro Gonçalves, quem deixou o Maracanã com o título foi o Glorioso. O confronto entre as equipes em decisões no Rio se repetiu em outras três ocasiões. Em 1948, o Alvinegro “descarrilhou” o temido Expresso da Vitória vascaíno, que continha a base da Seleção Brasileira que seria vice-campeã mundial dois anos depois. No ano de 1968, sob o comando do velho Lobo Zagallo, Gérson e Jairzinho comandaram o Fogão na goleada de 4 a 0 sobre os cruz-maltinos.

Em 1990, numa final repleta de polêmicas, mais uma vez o Glorioso levou o caneco em meio a protesto dos vascaínos, que queriam uma prorrogação.

Alguém lembra?

Só para o torcedor de Botafogo e Vasco ter uma ideia, a última vez em que o “Clássico da Amizade” decidiu o Cariocão, Lady Di ainda estava viva - a princesa Diana veio a falecer quase dois meses depois em acidente de carro.

No  meio científico, o mundo se espantava com o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado do mundo. O papa João Paulo II fazia sua última visita ao País e Madre Teresa de Calcutá ainda espalhava a bondade pelo planeta.

No Brasil, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso era o presidente da república. A população brasileira se assustava com a violência de um policial militar de São Paulo, chamado Rambo, que foi flagrado matando um mecânico na Favela Naval, em Diadema. Os brasileiros se revoltavam com cinco  jovens de classe média  que atearam fogo no índio Pataxó Galdino dos Santos, morto por conta das queimaduras.

No esporte, o pugilista Mike Tyson arrancava um pedaço da orelha de seu oponente, Evander Holyfield, e era ‘nocauteado’ do mundo do boxe. O País tinha no tenista Gustavo Kuerten o mais novo ídolo no esporte e  com a participação decisiva de Ronaldo e Romário - a  dupla Ro-Ro –, a Seleção Canarinho finalmente erguia a taça da  Copa América fora do Brasil.


O craque Neymar tinha apenas 5 anos e nem se imaginava que um dia iria fazer dupla infernal  no Barcelona com o argentino Lionel Messi, que em 1997 ainda estava nas divisões de base do Newell’s Old Boys. 

Fatos históricos  à parte, a decisão do Carioca de hoje pode dar início a  quebra de um tabu para os vascaínos - que não ganham o Estadual desde 2003 - e a continuação da escrita para os botafoguenses.

Atravessando um bom momento, tanto Vasco quanto Botafogo eram vistos como azarões no início da competição. O primeiro retorna da Segunda Divisão nacional sem boa campanha e fez uma total reformulação em seu elenco para 2015. O segundo, após péssima atuação no Brasileirão do ano passado, foi rebaixado para Série B. 

Impor a quinta derrota em decisões ao Vasco  dá ao Glorioso a chance de iniciar o caminho para retornar à elite do futebol brasileiro com moral de campeão e o veterano René Simões sabe disso.

Para o clube de São Januário é a oportunidade de coroar o ótimo trabalho do jovem técnico Doriva, que chega a sua segunda final de estadual seguida. Vale lembrar que em 2014, Doriva se sagrou campeão paulista com o Ituano batendo o Santos da finalíssima. Como fez melhor campanha, o Fogão joga por dois empates para erguer seu 21º título carioca. 

No Vasco segue o mistério

Assim como fez nas semifinais contra o Flamengo, a diretoria do Vasco fechou os portões de São Januário e ninguém pode acompanhar a preparação da  equipe na reta final do Campeonato Carioca. Como o “campeonato à parte” com o Rubro–Negro foi vencido pelo time da Cruz de Malta, a estratégia de esconder o time que vai à campo contra o Botafogo no primeiro jogo da final de hoje segue na base do mistério.

Mas  nem tanto. Com a total recuperação do atacante Dagoberto, Doriva acenou com o retorno do jogador e sua presença desde o início da final é dada como certa por todos. “Na minha cabeça o time já está escalado. Estamos trabalhando muito nesses treinos fechados”, disse o comandante da nau vascaína.

O jovem treinador afirmou que o momento no Vasco não é de fazer grandes mudanças. Sem querer dar pistas da escalação do time, o provável sacado da equipe é o meia-atacante Rafael Silva. “ A equipe tem tido uma consistência importante e vamos manter essa linha. Não é hora de fazer loucuras”, comentou Doriva, lembrando que Dagoberto deve sofrer com a falta de ritmo de jogo, mas que está próximo do esperado. “Dagoberto está pronto. Lógico que ele ainda vai sofrer, os jogos são intensos. Mas está próximo do ideal”.

Com todos os titulares à disposição, Doriva aproveitou a semana para treinar jogadas ensaiadas e finalizações.

A “bomba” Jobson

A notícia da punição imposta pela Fifa ao atacante Jobson caiu como uma bomba no Botafogo. O “gancho” de quatro anos de punição por ter se recusado a fazer exame antidoping quando atuava na Arábia Saudita tirou o jogador da final do Carioca e abriu uma vaga no ataque do Glorioso.

De cara, a preocupação do técnico René Simões foi a de preservar o psicológico do jogador, que tem histórico de recaídas com o uso de drogas. “Ele foi para casa, mas não está desamparado. Já coloquei uma pessoa para cuidar dele. Se eu temo uma recaída? Todos os dias. Sabemos como é difícil e precisamos estar juntos agora”, revelou o treinador que apostou na recuperação do atleta desde seu retorno ao Fogão.

Mesmo triste e preocupado com a situação de Jobson, Simões procurou ver o lado positivo do momento que atravessa o jogador e explicou que o Botafogo irá jogar pelo companheiro nas finais do Cariocão. “Não tenho dúvida da importância do atual grupo do Botafogo na recuperação do Jobson. E hoje o grupo assumiu a responsabilidade. Vamos jogar por ele”, disse o técnico do Glorioso.

Se Jobson não pode ajudar o Fogão, a boa notícia veio com o retorno do atacante Bill. Depois de passar dois dias sem comparecer aos treinamentos, o centro-avante é presença quase certa na equipe que vai enfrentar o Vasco na tarde de hoje, no Maracanã.