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LEVANTADOR

Talento do voleibol amazonense: conheça a história de destaque de Dannyzinha

Vitoriosa no Grand Prix de Vôlei LGBT, Danny possui muito talento, mas tem, principalmente, amor ao voleibol e à liberdade 08/10/2017 às 08:00 - Atualizado em 08/10/2017 às 17:03
Show dany
O segredo do sucesso de Danny vem do amor ao esporte (Foto: Antônio Lima)
Jéssica Santos Manaus (AM)

“O meu mundo é isso daqui”, afirma Dannyzinha, sobre o esporte que ama: o vôlei. Eleito o melhor levantador do Grand Prix de Vôlei LGBT, realizado em Manaus, na semana passada, Danny impressiona pelo seu alto nível técnico, mas surpreende ao dizer que nunca foi de treinar muito e, também, que não tem interesse de fazer parte de um time profissional.

Daniel ou Dannyzinha, como é conhecido, tem 28 anos, acaba de ser campeão do Grand Prix junto com o time da Espanha, e conta um pouco da sua trajetória. “Comecei num campeonato LGBT em 2008, só que eu nunca tinha treinado vôlei, sempre gostei, sempre fui apaixonado pelo voleibol, e tinha muita vontade de jogar, mas só via pela TV”, disse ele. Foi quando Danny foi chamado para integrar seu primeiro time, a Sérvia. “Fiquei lá dois anos, em 2010, fiz minha primeira final na Liga Gay, e em 2012, fui para a Romênia, e fui para a final de novo. Em 2014, fui campeão da Liga Gay, e agora, fui campeão junto com o time da Espanha”, relembra. 

Danny, que sempre demonstrou muito talento em quadra, conta que isso não o fez querer se profissionalizar. “Eu nunca tive vontade de jogar pela Federação Amazonense, o meu mundo é o campeonato LGBT. Já fui convidado a jogar em times federados, treinei em um time, mas não me senti à vontade lá, não era eu que estava ali jogando, não podia botar um shortinho e jogar, e aqui, não, me sinto à vontade, e sou Dannyzinha!”, ressalta.

Outro fato que impressiona é que Danny nunca fez treinos especializados, com técnicos renomados da cidade, nem nada parecido. Ainda assim, desde o início da sua carreira, foi destaque na função de levantador, ganhando nos últimos três anos, o prêmio de melhor jogador da posição, nos campeonatos. “Posso dizer que o que eu sei até hoje é o que eu vi os outros fazerem. Lembro que eu observava e tentava fazer igual e, graças a Deus, estou aí”, disse.

Mas, quanto ao destaque que tem nos campeonatos, ele enfatiza que o importante é o trabalho em equipe. “Esse prêmio de melhor levantador não é nada, o que eu queria mesmo era o troféu para a equipe, e foi o que buscamos”, disse.

Vôlei por amor, e com respeito

A razão de Danny e os outros atletas LGBT gostarem tanto de um campeonato só deles é bem simples. “A gente não pode fazer o ‘fresca’ num campeonato federado, a gente não pode fazer brincadeiras com outro atleta, e as pessoas vêm nos assistir por isso”, disse ele.

Mas, apesar de serem campeonatos apaixonantes pela alegria que trazem, os jogadores da Liga Gay passam por preconceito. “Preconceito a gente sofre em todo lugar, não só no vôlei. Mas observo que separam o vôlei do vôlei gay: - ai, é liga gay, é viadinho!, e não devia ser assim. É um esporte só’.
Porém, independente de qualquer situação de desrespeito, lá estão os times LGBT de Manaus, treinando com afinco para a próxima competição da modalidade que conquistou o coração de cada jogador, incluindo Dannyzinha. 

“O voleibol é minha paixão, é gostar do que eu faço, porque se você não gostar do que faz, você nunca vai ser nada. Se hoje, eu sou o que sou, é porque batalhei. Voleibol não é só chegar na quadra, brincar, ‘se rasgar’, não, você tem que acreditar naquilo que faz”, destaca Danny. E, para o levantador, que valoriza a união e a felicidade de ser livre para fazer o que ama, o mundo ideal seria sem conflitos. “Meu mundo seria de paz. O que o mundo precisa é de paz e muito respeito. Se você se respeitar, você vai respeitar o próximo”, finaliza.