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Fala, professor!

Vagner Benazzi fala sobre antigos ‘vilões’ do Nacional nas ultimas edições da Série D

Portal A Crítica conversou com o novo treinador do Leão e levantou antigos problemas enfrentados por técnicos anteriores, que causaram fracassos do Nacional na luta pelo acesso à Série C 15/05/2016 às 05:00 - Atualizado em 15/05/2016 às 13:54
Show benazzi
Treinador conhecido como 'Rei dos Acessos' vai tentar levar o Nacional à Série C do Campeonato Brasileiro (Foto: Antônio Lima)
Valter Cardoso Manaus (AM)

Lateral direito com passagem por grandes clubes durante carreira como jogador, Vagner Benazzi, 61, é técnico de futebol com um grande histórico de acessos pelos clubes por onde passou. Neste mês, o treinador fechou com o Nacional para comandar a equipe na disputa da  Série D.

A competição será disputada em seis fases - até o final da competição. Na primeira os 68 clubes jogam na fase de grupos e metade avança para a fase de mata-mata. Quem conseguir chegar, pelo menos até as semifinais, já garante o acesso à Série C.

Na última sexta-feira (13), a CBF divulgou os grupos e o Nacional enfrentará Atlético-AC, Trem-AP e  Genus-RO, na primeira fase da Série D. O Leão da Vila Municipal estreia no dia 12 de junho.

O Portal A Crítica levantou as principais reclamações e justificativas dos últimos treinadores do Leão para os fracassos na luta pelo acesso e conversou  com o atual técnico do Nacional sobre o tamanho do desafio.

Muitos dos treinadores que passaram pelo Nacional, nos últimos anos, justificaram o baixo rendimento do time aos gramados da Série D, uma vez que no CT Barbosa Filho, a grama é da melhor qualidade. O Benazzi fará alguma preparação específica para esse tipo de situação?

Existe sim. A primeira pergunta é: - Quem tá com medo? Porque o buraco, o medo de torcer o tornozelo, existe mesmo, mas precisa ver se estão com medo também do carrinho do adversário. Deu carrinho? Dá também, qual o problema? Essa divisão é jogada dessa maneira, forte. Tomara que isso não aconteça, mas joga forte.

Quando a gente chega num lugar desse, tem que entrar no campo, dá uma olhada como é que tá e não se expressar não, ir lá, se trocar, pôr sua melhor chuteira, ir pra dentro de campo e fazer o resultado. Mas para isso aconteça, tem que todo mundo pegar firme.

Nós vamos fazer os pontos necessários. Isso tudo vai ser passado para eles (jogadores). Fazer que o campo (mesmo ruim)  vire uma motivação dentro da partida e a gente consiga o resultado positivo, que é o ideal.

Mesmo a gente encontrando campos que não dá essa condição de certeza, que a gente não vai machucar, que não vai acontecer nada. Tem que fazer a marcação lá na frente, lá em cima da defesa adversária, que já fica muito mais fácil pro setor de meio campo adquirir essa bola e trabalhar pelos lados para a gente chegar ao gol.

Neste ano, em uma eventual classificação para a segunda fase da Série D, os adversários não seriam restritos à região Norte, como nas edições anteriores. Essa possibilidade de fazer viagens mais longas preocupa?

É uma preocupação porque tem cinco jogadores aí no departamento médico. A gente precisa fazer um plantel que tenha muita disposição, que esteja preparado. Tem viagens que realmente  dá um desgaste muito grande.

Durante toda a Série D tanto Nacional quanto os adversários vão encontrar situações climáticas diferentes aqui no Amazonas. Outros treinadores chegaram a reclamar do calor intenso da região. Para você isso também atrapalha ou pode ser um aliado?

Pode ser um aliado, sim, ainda não senti. Tem que estar pronto para o jogo, tem que estar pronto para tudo isso.

 Outros treinadores que já passaram pelo Leão, na Série D, também viviam reclamando da dificuldade de obter informações sobre os times rivais, uma vez que a Série D, tem pouco apelo de mídia.  Já há alguma estratégia para evitar isso? Existe, por exemplo, um olheiro que passe informações para o Nacional?

(Risos) Eu não vou falar porque senão você vai perguntar o nome dele. Logicamente você tem que colher boas coisas dos adversários. E acredito que eles vão ficar muito satisfeitos de ver a gente preocupado com eles. Tem um cara numa linha de trazer as coisas para a gente, como eles também fazem isso com o Nacional, mas é coisa do futebol. É o jogo, o jogo vale tudo. Se você sentar na mesa com um dominó, e não tiver uma grana, você levanta depois de um minuto, agora se tiver grana você vai ficar lá. E o futebol é grana, é dinheiro, é vitória, é contratar bons jogadores e dar condições pro treinador fazer um bom campeonato. Tudo isso a gente tem que saber, que não pode falar besteira, ficar conversando muito pro adversário não ouvir. Tudo isso é importante durante a competição. Às vezes o cara vê um vídeo de um jogo, que passa pra gente. O negócio é que você vai ver os melhores jogadores do time, mas você  não vai ganhar o jogo porque você vai fazer isso.

Os jogos da Série D costumam ser mais ‘pegados’ do que técnicos, muitas vezes o contato físico se destaca, como o time pode evitar sofrer com isso?

Arbitragem. A arbitragem tem que ser boa, tem que ver como o jogador tá se portando dentro de campo, pro torcedor não perder o espetáculo. Se todo mundo colaborar, se a arbitragem souber levar os jogadores, o jogo vai ser bom e tomara que o resultado seja da gente.

A maioria dos jogadores que estão no Nacional hoje nunca disputou a Série D pelo time. A torcida do Nacional cobra muito. O que você acha desse tipo de cobrança da torcida?

Todo lugar tem pressão. Na segunda-feira fica triste, logicamente pela derrota quando acontece, isso é normal. E sabe que o jogador é um ser humano que às vezes pode dar tudo e ser o cara do jogo, como às vezes ele pode ser xingado, que aquele dia não deu certo. Mas eu acho que o grupo é bem fechado. Estamos fazendo um trabalho de troca: Pagamento em dia, vitória no jogo.

Você passa a sensação de ser um treinador ‘linha dura’ é isso mesmo?

Não, você tem que conversar com o jogador, todos os jogadores. Logicamente que lá dentro do jogo é duro chamar de José, João... é duro. Porque lá se não escutar, vai escutar com um f***. Mas isso aí a gente sabe que tem que comentar com eles, para eles saberem que a gente tá lá torcendo, que eles joguem bem, que não se machuquem, para que eles resolvam a partida para a gente.

De 0% a 100%, o quanto o torcedor nacionalino pode contar com o tão sonhado acesso à Série C do Campeonato Brasileiro neste ano?

Por enquanto, 50%. Nós vamos chegar lá na frente, mas por enquanto 50%. Espero que toda as vezes que entrarmos em campo, entrarmos com confiança, entrarmos para honrar a camisa. Perder ou ganhar é no final, mas mostrar garra, determinação, vontade.