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Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, Cigano fala sobre o revés no UFC 155

O lutador catarinense radicado em Salvador teve desvantagem técnica nítida em todos os aspectos nos cinco rounds, além de ter sofrido um knockdown no início da peleja 05/01/2013 às 18:13
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Junior Cigano e Cain Velasquez se encaram em pesagem oficial para o UFC 155,
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

Júnior Cigano, 28, ainda sente o gosto amargo da derrota acachapante para Cain Velásquez, sábado passado, na revanche pelo cinturão dos pesos-pesados, UFC 155, em Las Vegas (EUA). Foram os 25 minutos mais dolorosos da carreira do brasileiro no MMA, sobretudo no aspecto físico: o rosto castigado pelos velozes e furiosos punhos de Velásquez era a prova inequívoca de que Cigano falhou estrategicamente, errou a postura no octógono. Era o adeus ao cinturão dos pesos-pesados.

O lutador catarinense radicado em Salvador teve desvantagem técnica nítida em todos os aspectos nos cinco rounds, além de ter sofrido um knockdown no início da peleja. Wrestler por excelência, Velásquez derrubou o oponente à vontade, acertou golpes tão precisos quanto traumáticos, enfim, controlou as ações na luta como bem entendeu.

Atordoado, Cigano era um alvo fixo de guarda baixa, sem movimentação, sem atitude, omisso na sua capacidade de reagir, diferentemente do que se costumava ver nas lutas anteriores.

“Eu estava 100% fisicamente para aquela luta. Nunca tinha feito um camping preparatório tão perfeito para um combate. Mas eu não estava ali mentalmente na luta. Mérito para o Velásquez. Mas eu vou voltar mais forte. Tudo na minha vida foi conseguido com dificuldade. Não vai ser diferente agora. Eu não desisto nunca”, garante o ex-campeão, que falou com exclusividade com o CRAQUE via celular de San Diego, na Califórnia, onde esfria a cabeça, refaz os planos profissionais, além de visitar uma filial da academia do seu criador, Rodrigo Minotauro. O lutador também fará visita à loja da Nike na cidade de Portland, Oregon, marca esportiva adotada pelo Corinthians, clube que o patrocina.

“É na derrota que a gente aprende. Vou esfriar a cabeça e refazer o planejamento da minha carreira. Mas eu quero uma terceira luta. Não era eu naquela luta (a derrota de sábado). O Velásquez sabe disso. Todos, aliás, querem ver quem realmente é o melhor da categoria. E eu digo que sou eu. Vou provar isso e trazer esse cinturão de volta para o Brasil. Eu quero essa terceira luta o mais breve possível”.

Cigano disse que já viu e reviu o tape da luta quatro, cinco, seis vezes e o fará novamente tantas vezes forem necessárias até chegar à exatidão dos erros que cometeu. Ele ainda não conseguiu uma justificativa plausível para a atuação pífia, mas admitiu que a falta de foco mental influenciou negativamente para o resultado, reconhecendo, é claro, os méritos do adversário norte-americano do origem mexicana.

“O Velásquez é um grande lutador, duro, resistente. Eu também tenho minhas qualidades de lutador e pude provar agora minha capacidade de resistir a situações de desconforto na luta.

Mas, se por um lado, Cigano teve atuação pífia na revanche contra Velásquez, por outro demonstrou grande resistência e capacidade de absorver golpes. Nocauteado em pé, ele buscou forças de onde não tinha para suportar a saraivada de socos, quedas, e a pressão imposta desde o início da luta. “É como eu falei: eu estava 100% fisicamente. O problema foi mental”.

Júnior CIgano dos Santos - Ex-campeão peso-pesado do UFC

1) Que lições você tira de uma derrota como essa num duelo tão esperado ?
Muitas. Ainda estou avaliando onde eu errei estrategicamente, o que terei de fazer de diferente para um possível terceiro confronto, essas coisas. Mas uma derrota não me fará desistir. Ao contrário: retomarei o foco e voltarei mais forte para recuperar o cinturão para o Brasil. Questão de tempo.

2)Houve excesso de auto-confiança de sua parte ?
Não. Eu sempre tenho respeito por todos os meus oponentes. O Velásquez é um lutador duro, com qualidades técnicas, coração, um grande atleta, Teve méritos. Não haveria como eu menosprezá-lo. Eu é que não estava mentalmente na luta.

3)Seu próximo adversário pode sair do confronto entre Fabrício Werdum x Rodrigo Minotauro na final do próximo TUF Brasil. Você enfrentaria o Minotauro?
Essa luta não acontece nem da minha parte e nem da dele (Minotauro). O Rodrigo não é apenas um companheiro de treinos, de academia, ele é mais que um irmão. Ele é meu mestre, meu conselheiro. Mas com o Werdum seria uma bela revanche para mim.

Recado para os fãs
Cigano mandou um recado para os fãs dele no Amazonas, que não devem ser poucos. “Eu mando um grande abraço para todos meus fãs em Manaus e em todo o Estado. Sei que o povo daí é guerreiro, que corre atrás dos seus sonhos, que é valente. A cidade é rica em bons lutadores. Não fiquem desapontados comigo. Eu volterei mais forte que nunca para trazer esse cinturão de volta para o Brasil”, afirmou o ex-campeão, nascido na cidade de Caçador, interior de Santa Catarina. “A derrota te ensina muito e tudo na minha vida foi conseguido com sacrifício. Por isso a volta será triunfante”.

Embora Cigano queira o terceiro capítulo da trilogia contra Cain Velásquez o mais rápido possível, ele terá que fazer ao menos uma luta antes. Ainda não houve confirmação do chefão do UFC, Dana White, mas surgem alguns adversários, a exemplo de Daniel Cormier, campeão do GP dos pesados do Strikeforce, pertencente a Zuffa, dona também dos direitos sobre o Ultimate. O Strkeforce será extinto e boa parte dos lutadores migrarão automaticamente para o UFC.

“O Cormier participou do camping do Velásquez para a minha luta”. Outra possibilidade é o vencedor do próximo TUF Brasil, que confronta Fabrício Werdum e Rodrigo Minotauro. “Uma revanche com o Fabrício é possível, mas contra o Minota não acontecerá. Ele é mais que um irmão para mim: é meu mestre. Não rola jamais”.