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Esportes
Só os mitos

Em nova série, CRAQUE conta onde andam as lendas do esporte baré

Caderno de esportes de A CRÍTICA começa nova série que vai mostrar como estão os ídolos que fizeram história no nosso esporte. Para inaugurar, Clovis Aranha Negra, o maior goleiro da história do Rio Negro 27/08/2017 às 18:13 - Atualizado em 28/08/2017 às 15:35
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O Aranha Negra canta nas horas vagas e expressa suas opiniões nas redes sociais (Foto: Antônio Lima)
Denir Simplício Manaus (AM)

O CRAQUE inicia neste domingo (27) uma nova série em que homenageamos os eternos ídolos do esporte Baré. “Por Onde Anda o Meu Craque?”, que será publicada no último fim de semana de cada mês, vai contar um pouco da história de atletas que marcaram seus nomes no desporto amazonense. Além de narrar seus feitos históricos, a série vai mostrar o que fazem e como estão esses verdadeiros mitos atualmente.

Para abrir a nova série, o CRAQUE traz aquele que é o maior ídolo da história do Atlético Rio Negro Clube. Clovis Amaral Machado, o “Aranha Negra”, é lembrado até hoje como um dos melhores goleiros da história do nosso futebol. E olha que ele encerrou a carreira precocemente aos 29 anos.

Clovis, que ganhou o apelido Aranha Negra por conta do uniforme de jogo, sempre preto, parecido ao do russo Lev Yashin, iniciou a carreira em 1961 no extinto Auto Esporte, mas mudou para o Rio Negro em 1963. Com defesas arrojadas, o parintinense logo se destacou, mas uma cirurgia no joelho direito em 1971 o fez antecipar a aposentadoria.

Clovis voltou a pisar no saudoso Parque Amazonense (Foto: Antônio Lima)

Hoje, aos 73 anos, a lenda viva do Galo, que casou duas vezes e tem dois filhos, mora sozinho e, por coincidência, se recupera de outra cirurgia no joelho. Mas nada que tire a alegria e empolgação do agora cantor Clovis.

“Hoje, sou aposentado. Frequentava o Parque do Idoso, mas dei um tempo. Agora vivo mais no Conjunto Tocantins (onde mora), tem um pessoal lá no mercadinho e normalmente a gente toma uma cerveja e gosto também de cantar”, revela o ex-camisa 1 do Galo dando sua programação do fim de semana.

“Hoje eu canto também. Vou às vezes às sextas-feiras no Cipriano, na Confraria. No sábado eu fui no ET, na Lôra, foi muito bom. Prometi de amanhã ir lá no Armando”, comentou Clovis.

Debaixo das traves, Clovis era destemido e não usava luvas. Em visita ao jazido Parque Amazonense, o Aranha se emocionou e relembrou dos bons tempos.

“Dá muita saudade do Parque Amazonense. Minha vida foi aqui, na Colina, não só a minha, mas como a do Edson Piola, do Antônio (Piola), do Almir, Santarém, Sabá, e esse pessoal todo antigo”, comentou o ídolo rionegrino avaliando suas maiores defesas na carreira.

Sempre de preto, o Aranha marcou época no Galo (Foto: acervo Baú Velho)

“A que mais me lembro foi na Colina. O Márcio Mineirinho cabeceou uma bola, ele no Nacional, e eu peguei, a bola foi pra frente, veio outro e cabeceou na hora que fui me levantando. Peguei de novo e coloquei pra escanteio. Depois os caras achavam que era a toalha. A toalha não tinha nada a ver, era só pra influir psicologicamente e mais nada”, enfatiza Clovis em alusão a famosa lenda da “Toalha Vermelha”, que ele costumava usar atrás do gol em jogos contra o Nacional.

Aranha antenado

Aproveitando muito bem as modernidades do mundo virtual, Clovis é ativo nas redes sociais. O Aranha vive curtindo e compartilhando no Facebook, no Instagram e demais mídias.

“Gosto de compartilhar. Às vezes tem muita coisa boa no Face, muita coisa na internet, mas tem muita coisa ruim também. Não gosto é que às vezes postam pessoas inutilizadas, sem pernas, sem braços, não gosto desse tipo de coisa. Mas questionar sobre futebol, eu gosto. Gosto de dar minha opinião”, enfatizou Clovis apontando uma de suas teses sobre o desprestígio atual do futebol Baré.

Aos 73 anos, Clovis vive conectado nas redes sociais (Foto: Antônio Lima) 

“Aqui, se prefere o campo vazio a R$ 30 do que um campo cheio a R$ 5. Não entendo certas coisas. Eu não perco as esperanças e queria que nosso futebol melhorasse. Gosto de assistir jogos, mas eu não vou à campo há muitos anos. Não tem motivação”, analisou.

Depois que deixou o futebol, Clovis exerceu várias atividades profissionais, entre elas o de bancário e consultor de vendas. Bom de papo, o Aranha tinha fama de namorador e mesmo depois de pendurar as chuteiras, continuou um ótimo “pegador”.

“Hoje estou meio parado (risos). Mas o problema é o seguinte: o assédio era muito grande e a gente jovem. Eu curtia muito mesmo, mas isso aí vai passando (risos). Mas tenho essa fama, isso me prejudicou muito em certos momentos porque todo mundo pensa que eu era assim, mas não era assim não, era muito quieto”, ponderou o Aranha Negra.