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Entrevista com a amazonense Lígia Santos da Silva

A melhor mesatenista do País  luta aos 30 anos  pela sua terceira  Olimpíada  e fala das dificuldades do início da carreira 04/03/2012 às 16:27
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Ligia Santos da Silva começou no tenis de mesa quando tinha 13 anos
Nathália Silveira Manaus

Considerada uma das melhores mesatenistas do País, a amazonense  Lígia Santos da Silva, deu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE sobre a possibilidade de sua terceira olimpíada,  este ano em Londres. Simpática, a atleta que mora em Santos (SP) há 13 anos, e que ficará no Rio de Janeiro até terça-feira  para  disputar o Pré-olímpico da modalidade, ainda falou sobre  as razões de ter deixado Manaus, sua infância pobre, projetos futuros e  o encerramento da carreira - já que a atleta pretende aposentar as raquetes em 2016, nos Jogos do Rio.

AC - Há quanto tempo você deixou Manaus e de onde surgiu seu interesse pelo tênis de mesa?

Estou fora de Manaus desde meus 17 anos, hoje estou com 30 anos de idade. Comecei no esporte com 13 anos e foi tudo por acaso. O professor Clóvis Souza me viu  jogando na Vila Olímpica de Manaus e após o episódio ele me convidou para começar a treinar.

AC - Porque deixou Manaus?

Não deixei Manaus por opção, mas por necessidade. Eu queria crescer e a falta de competições em Manaus não deixava. Sempre tive o objetivo de chegar aos Jogos Pan-americanos e as Olimpíadas, e continuar aí não me permitia isso. Infelizmente, naquela época, o único evento que ainda podíamos participar era o Brasileiro.

AC - Qual sua expectativa em relação à conquista da vaga para as Olimpíadas  de Londres? Acha que dá para trazer medalhas?

A expectativa é sempre boa. Vamos ter batalhas curtas e bem difíceis. Ainda não dá para o Brasil sonhar com medalha olímpica, mas poderemos lutar por uma boa colocação nas Olimpíadas.

AC - Os orientais dominam o tênis de mesa. Logo, o que falta para a modalidade despontar no Brasil e qual a principal diferença técnica dos chineses para os brasileiros?

Acho que não é questão nem de despontar. Em São Paulo, por exemplo, a proporção de atletas, campeonatos e mídia para o tênis de mesa é bem grande e a modalidade e os atletas aparecem bem. Eu moro em Santos (litoral do Estado de São Paulo) e lá o esporte também é bem visado. Mas, o que ainda falta são resultados. Temos bons atletas, mas também contamos com adversários fortes. Vamos ter que contar com o tempo para poder mostrar superioridade. Não é só o Brasil que ainda não conseguiu superar os orientais, na verdade a China está a cima de qualquer  país.

AC - Você já participou de duas Olimpíadas. Ir para Londres, dessa vez, é diferente?

Se Deus quiser eu vou às Olimpíadas de Londres e estarei com 31 anos (Lígia faz aniversário dia 6 de março). Sendo assim, vou a essa Olimpíada muita mais experiente, com a cabeça feita; madura. A primeira vez que estive numa Olimpíada foi com 19 anos (em 2000 em Sidney, na Austrália), eu era muito novinha.

AC - Você almeja mais alguma coisa além das Olimpíadas?

Fico feliz de já ter participado do Pan e das Olimpíadas. Mas, ainda tenho um sonho, que é criar um projeto social em Santos de Tênis de Mesa . Eu quero oferecer às pessoas a oportunidade de poder sonhar e crescer, assim como um dia eu sonhei e consegui sair de uma comunidade pobre.

AC - Por falar nisso, como foi sua infância aqui em Manaus?

Eu morava na Alvorada (Zona Centro-Oeste) e a minha família nunca passou fome, mas a minha mãe que era costureira tinha que dar conta sozinha de oito filhos, sem pai. Era uma época difícil e de pouca condição financeira, mas minha mãe sempre me ensinou a ter educação e a respeitar o próximo.

AC - Pretende participar das Olimpíadas do Rio em 2016?

Pretendo sim. Inclusive, quero encerrar minha carreira em casa, com chave de ouro.

AC - Você tem interesse ou existe alguma negociação para que você volte a se federar pelo Amazonas, mesmo que pelo Bolsa Atleta?

É difícil trocar o certo pelo incerto. Até porque nunca chegou nenhuma proposta para mim. Mas, é difícil pois desde início fui muito bem recebida em Santos, que na vitória e na derrota me apoiaram. Nunca  vou esquecer minha origem, mas sou muito grata a Santos.

AC - Fora o tênis de mesa, você tem outra ocupação em Santos?

Sim, trabalho na Prefeitura de Santos. Sou professora e formada em Educação Física. Trabalho com Tênis de Mesa e tenho alunos que poderão vingar no futuro.