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Entrevista com a campeã olímpica de judô Sarah Menezes

Equipe do CRAQUE  bateu um super bate papo com a judoca Sarah Menezes. Ela contou sobre a competição em Londres, quais seus planos para o próximo ciclo olimpico e um pouco de sua vida pessoal. 18/08/2012 às 16:48
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Sarah Menezes conquistou o primeiro ouro do Brasil em Londres
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

A medalha de ouro em Londres catapultou a judoca Sarah Menezes, 22, da condição de ilustre desconhecida ao posto de celebridade olímpica nacional. Ela é a atleta brasileira mais requisitada no momento pela imprensa, por programas televisivos, pelos fãs por onde quer que passe, e até por políticos que querem tirar uma “casquinha” da popularidade da menina de ouro do judô nacional.

Quando voltou à terra natal da Grã-Bretanha com a medalha na mão foi recebida com pompa pelo governo do Piauí. Na ocasião, a faixa-preta pediu mais investimento e atenção para o esporte amador.

Todo esse assédio, segundo Sarah, é consequência da conquista inédita e vai dar um gás na carreira no sentido pessoal e financeiro, mas chega uma hora que cansa.

“Encaro isso (assédio da mídia) numa boa, porque podem surgir oportunidades, mas tem uma hora que bate o cansaço de tanta entrevista, de tantos autógrafos, de tanta participação em televisão”, revelou Sarah, que concedeu sua primeira entrevista a A CRÍTICA, por meio do celular da irmã, Sâmia Menezes, que é sua assessora.

Mas de elogios e tapinhas nas costas, Sarah deve estar cheia. A faixa-preta está a fim mesmo é de férias. E elas são mais que merecidas.

“Preciso descansar, cuidar de mim um pouco, reorganizar meus estudos”, enumerou a campeã, enquanto se dirigia ao salão de beleza. “Antes de ser atleta, eu sou mulher. Gosto de ir ao salão para ajeitar o cabelo, fazer as unhas”, revelou.

A única mulher até então a trazer ouro para o Brasil no judô disse poder ir mais longe e tentar o bicampeonato no Rio, em 2016, quando estará com 26 anos.“Ainda vou chegar no meu auge”. Mas se manter no topo não será uma tarefa fácil. Sarah agora é a judoca a ser batida na categoria ligeira (até 48 quilos). “Estou tranquila quanto as cobranças e a obrigação de me manter competindo em alto nível. Para isso, vou continuar focada no meu treinamento e disputando competições importantes”, afirmou a piauiense, que mora com os pais, Rogério e Dina e as irmãs no bairro popular de Bela Vista, zona Sul de Teresina.A atleta é patrocinada pela Sadia, Embratel, Samsung, Mewland e Faculdade Santo Agostinho.

Entrevista

 O que foi determinante, na sua opinião, para conquistar a medalha de ouro em Londres?

Eu estava focada, concentrada, conhecia um pouco minhas adversárias. Houve uma preparação boa da equipe brasileira para Londres. Minha determinação foi importante para a medalha de ouro. Eu dei tudo de mim em cada combate até chegar à final. Quando a luta com a romena terminou, foi um alívio (ela derrotou Alina Dumitru, da Romênia, campeã olímpica em Pequim) Eu não me contive. Foi muita emoção.

E como lidar com todo esse assédio da mídia, dos fãs, das autoridades políticas?

Tudo isso é muito importante para mim como pessoa e para a minha carreira no futuro. Muitas oportunidades podem surgir. Mas confesso que desde quando cheguei ao Brasil ainda não tive tempo para descansar. Preciso de férias. Essa rotina de entrevistas uma atrás da outra, de parar para dar autógrafos aos fãs, de participar de programas televisivos (essa semana ela gravou para o Agora é Tarde, da Band, e participou do Criança Esperança da Globo). Tem um momento que o cansaço bate.

Quais seus planos mais imediatos e para o futuro no judô?

Vou tirar umas duas semanas de férias e voltar a treinar. Hoje não estou treinando para nenhuma competição em especial. Mas no final de setembro vai ter um Mundial por equipe na Bahia. Eu vou estar lá. Vai depender da Confederação (Brasileira de Judô). Há uma categoria até 52 quilos que é forte. Se quiser eu luto.

Sua mãe declarou que você precisa voltar a estudar, dar mais ênfase à sua vida pessoal e que o judô não seria um esporte adequado para mulheres?

Eu faço o 4º período de educação física na Faculdade Santo Agostinho, um dos meus patrocinadores. Vou retomar os estudos. A maratona de treinos, viagens e competições acaba atrapalhando de algum modo. Mas dá para conciliar. Na vida pessoal, eu me cuido, sou vaidosa. Sobre o judô eu consegui o ouro com ele. Mas eu compreendo minha mãe. Ela quer que eu estude também.

O que você gosta de fazer nas horas de folga?

Eu tenho uma rotina muito caseira. Mas gosto de ir ao cinema, a restaurantes jantar com amigos, e gosto muito de estar com meus familiares. Nossa família é gigante. Então tenho muitos irmãos, primos, tios. Gosto bastante de estar com eles.

Você tem namorado, pretendentes, paqueras? Sua mãe também quer que você arranje um namorado...

(Pausa). Acho que namorar é uma coisa que acontece naturalmente. Nada pode ser forçado. Não estou desesperada em busca disso. Se tiver de acontecer, vai acontecer. Sempre tem pretendente, sim, mas com essa rotina de atleta acaba sobrando pouco tempo para isso. Isso não me preocupa tanto quanto me manter competindo em alto nível. Até o Rio de Janeiro tem muita coisa. Ainda vou chegar no meu auge.

Você já veio disputar alguma competição em Manaus? Conhece algum atleta daqui?

Ainda não conheço Manaus. Mas quero conhecer um dia. Há muitos lutadores bons daí. Eu conheço o Daniel Moraes, que está hoje no Minas Tênis Clube. Ele é um lutador muito técnico, com muita habilidade e força física.