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Entrevista com ex-campeão do UFC - Murilo Bustamante

Astro maior da segunda edição do Amazon Forest Combat (AFC) vive atualmente a doce, mas cansativa experiência da paternidade 19/03/2012 às 08:11
Show 1
Ex-campeão do UFC fará despedida no Amazon Forest Combat 2
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

Astro maior da segunda edição do Amazon Forest Combat (AFC), Murilo de Menezes Bustamante, de 45 anos, vive atualmente a doce, mas cansativa experiência da paternidade. A adaptação aos humores e aos horários do pequeno Antônio Pedro, de três meses, fruto da relação com a gaúcha Luciane Moreira, tem sido literalmente uma luta diária para Murilo. Na noite de 31 de março, porém, o pai sai de cena e o lutador entra no octógono do AFC 2 para aquela que é tida como a luta de despedida da carreira.

“Já estou realizado como lutador. Agora quero investir na carreira de treinador e na expensão da Brazilian Top Team (BTT), que hoje se tornou uma grande empresa”, diz esse carioca da gema, morador da Urca, tradicional bairro do Rio de Janeiro, e remanescente da geração de ouro formada por Carlson Gracie (1933/2006).

Murilo fará a luta principal do show organizado pela M1 Eventos contra Deve Manne. Será uma revanche histórica não apenas pelo respeitável cartel de cada um, mas pelas circunstâncias: Murilo já venceu Menne no dia 11 de janeiro de 2002, no Ultimate Fighting Championship (UFC) 35, sendo o primeiro brasileiro a conquistar um cinturão da organização, pela categoria dos médios (até 84 quilos). Dez anos mais tarde e às voltas com a possibilidade de pendurar as luvas, o fundador da BTT aceitou lutar novamente depois de dois anos inativo.

“Aceitei esse convite do AFC porque estive na primeira edição e me impressionei com o nível de organização do evento e com a vibração dos amazonenses com o MMA”. Murilo falou com exclusividade ao CRAQUE sobre a expectativa dele para o AFC 2 e outros assuntos.   

Preparado para essa luta? Quem é o favorito?
Estou pronto e bastante confiante para essa luta. Vou lutar para me divertir e não sob aquela pressão de ter que ganhar só porque vou lutar no Brasil. Na verdade estou empolgado por ser um evento novo e promissor no mercado de MMA, e também por voltar a lutar no meu País depois de muitos anos. Fiz uma preparação muito boa e me sinto muito bem. Estou esperando a hora lutar e conquistar a vitória para meus fãs em Manaus e no Brasil. Acredito que o favorito seja o Menne, porque ele vem de uma vitória e lutou há quatro meses. Eu estou sem lutar desde 2010. Por mais experiente que seja o lutador, a falta de ritmo no combate acaba sendo um complicador

Com essa luta em Manaus você encerra a carreira?
Acho que sim. Me sinto realizado como lutador. Agora eu quero investir na carreira de treinador e empresário, descobrindo talentos como o Rousimar (Toquinho, contratado do UFC). A BTT se tornou uma grande empresa, com presença no Brasil e na América do Norte. Temos projeto de expandir para outros mercados, como Europa, Tailândia, Malásia, Cingapura, China, Japão, enfim, países com tradição em artes marciais. 

Fale um pouco sobre sua infância, influências e sua formação intelectual?
Cresci no bairro da Urca, tenho como hobby o surf, torço para o Flamengo, embora tenha sido patrocinado pelo Vasco entre 1999/2000 num projeto olímpico do clube. Sou um carioca típico.  Sou formado em economia na Candido Mendes e também estudei engenharia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Sou oriundo de classe média, estudei em bons colégios, quando garoto, muito pela influência dos meus pais, Walda Bustamante, uma jornalista desbravadora que falava cinco idiomas, e Luiz Bustamante, um arquiteto especializado em cálculo estrutural. Tive boa criação. Eles morreram. Mas deixaram a educação como legado.