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Entrevista com o presidente da Comissão de Arbitragem do Amazonas

O que dizer sobre a ‘importação’ de árbitros para a final do Campeonato Amazonense? 29/05/2012 às 09:22
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Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Vladimir Pessoa Bastos
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

Presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Vladimir Pessoa Bastos, de 62 anos, é responsável pelo controle de qualidade de árbitros e assistentes no Campeonato Amazonense. É Vladimir quem faz pessoalmente a avaliação técnica e físicas do trio de arbitragem nos jogos do Estadual. A missão é espinhosa, tendo em vista o nível de cobrança e pressão de dirigentes, comissão técnica, torcedores, jogadores dos clubes locais: não há uma figura mais odiada e xingada que o membro do trio de arbitragem do futebol amazonense. Há casos extremos de agressão física, a exemplo de João Batista Cunha de Brito, que levou socos, chutes e sopapos de Derlan, do Iranduba.

“Não há respeito em todos os níveis com os árbitros e assistentes locais. Isso é cultural no futebol amazonense. Mas o quadro da FAF não deixa nada a desejar a nenhum Estado. Todos têm treinamento nos padrões da CBF e atuam com isenção”, garante Vladimir, que concedeu a seguinte entrevista: 

Como o senhor analisa a contração de árbitros do fora em detrimento dos locais?
É lamentável, porque a nossa arbitragem daria segurança tanto quanto deu o Leandro Vuaden na final entre Fast e Nacional. Por outro lado até agradecemos porque trouxeram um árbitro Fifa, candidato a árbitro da Copa do Mundo de 2014. Foi válido trocar experiência. Mas o próprio Vuaden disse ter sido abordado por um torcedor do Vasco que disse ‘obrigado pelo senhor desclassificar meu time da Libertadores’. Aí Vuaden disse ter respondido: ‘Você tem de cobrar do Diego Souza, que perdeu um gol que faria a diferença no jogo’. Então tanto lá quanto aqui a cobrança e a culpa pela derrota vão ser creditadas na conta da arbitragem. 

Então por que há toda essa desconfiança em relação à arbitragem local por parte dos clubes?
Creio que seja por falta de consciência. Todos sabem que a FAF cumpre as exigências da CBF no que se refere a treinamentos práticos e teóricos, inclusive nos padrões Fifa. Ainda assim se prefere pagar caro por uma arbitragem de fora, mas se recusa a dar aumento para os daqui. Acho que isso é um contrassenso. Veja bem, a equipe do Nacional pagou R$ 14, 6 mil somente para arbitragem de um jogo da final. Para o campeonato todo, o clube pagou R$ 11 mil de arbitragem local. Então acho que há uma distorção aí, porque o Nacional foi campeão do primeiro turno com arbitragem da FAF.

Qual a avaliação que o senhor faz do Estadual de 2012 como um todo no quesito arbitragem?
Acho que houve um belo progresso. Nós tivemos esse ano duas avaliações dos árbitros locais, o Fifa teste. Então não há do que reclamar. Nossos árbitros atuam com isenção. Tenha certeza disso. É nossa maior preocupação na FAF. Agora o erro acontece, mas não somente aqui. É humanamente impossível não falhar. Eu tive uma reunião com os dirigentes dos clubes e desafiei todos a me apontarem um jogo que tenha tido o resultado influenciado por falhas da arbitragem. Nós até já tínhamos pré-selecionado o trio de árbitros para a final.

Houve muitos problemas relacionados a agressão a árbitros este ano?
Nós tivemos três casos: o goleiro do Fast (Nailson) que deu uma peitada no árbitro Djalma Santos Souza, no primeiro turno, o goleiro do Operário (Stanley), que partiu para cima do árbitro Weden Castro, mas foi contido. E tivemos o caso do Derlan, que agrediu mesmo o João Batista. Em todas as situações, não houve qualquer falha que justificasse os exageros. É indisciplina.