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Entrevista exclusiva com o velocista Bruno Lins Tenório

Ouro no Pan de Guadalajara em 2011 nos 4x100m, o alagoano que mora em Presidente Prudente-SP, é considerado por Fabiana Murer e Robson Caetano como a grande revelação do atletismo brasileiro 10/04/2012 às 07:42
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Bruno Lins Tenório: ‘Eu sempre sonhei ganhar o ouro’
Nathália Silveira Manaus

Ouro no Pan de Guadalajara em 2011 nos 4x100m, o alagoano Bruno Lins Tenório, que mora em Presidente Prudente-SP, é considerado por Fabiana Murer e Robson Caetano como a grande revelação do atletismo brasileiro e um dos velocistas mais promissores para a conquista de uma medalha Olímpica em 2012.

O atleta que conquistou sua vaga para ir a Londres após ser convocado pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e ter ficado entres os dez primeiros colocados no ranking mundial (em décimo lugar) - disputará os 200m e está  confirmado na equipe dos 4x100m. 

Ressurgindo após dois anos de suspensão da modalidade (2009/2010) por doping, Lins garante que está muito mais maduro e afirma que não tem medo dos adversários. O passado é o único assunto que parece incomodar o atleta, já que ele disse que não falaria sobre o passado com doping.

Além da responsabilidade com o ano olímpico, Bruno que conversou com exclusividade com o CRAQUE,  ainda terá que se mostrar apto a desenvolver mais duas profissões: a de terceiro sargento do Exército e ser o mais novo papai do atletismo.

Nas Olimpíadas de 2008 você largou bem, mas não conseguiu sustentar  o ritmo durante a corrida e acabou em quinto lugar, com o tempo de 21s15. O tempo lhe rendeu a 45ª posição no geral. Algo foi trabalhado neste meio tempo, especificamente,  para que o fato não se repetisse?
Pretendo melhorar muito esse ano, ser finalista e medalhista. Quando fui às Olimpíadas de 2008 tinha 21 anos, era minha primeira competição grande e cometi muitos erros. A Olimpíada é um espetáculo e tem tudo para tirar o atleta do foco, bebidas, comidas e você tem que se concentrar muito para manter sua dieta regrada e não sair de forma. Mas, uma das coisas que mais me prejudicou e um dos meus maiores erros foi não me adaptar, naquela época, ao fuso horário de 11 horas. Quando chegava a tarde em Pequim, eu estava morto de sono. Esse ano vou mais maduro e já sabendo lidar com tudo isso, inclusive com o fuso horário.

Você agora virou terceiro sargento do Exército. Como funcionou esse processo de você servi  às Forças Armadas? O que esse novo status vai somar em sua carreira e o que você tem a agregar no trabalho militar?
Eles avaliaram o currículo e eu acabei entrando.  Eu vou ter os mesmo benefícios de um militar e vou receber para isso. Vou ter que ter mais disciplina, saber falar bem, estar sempre com a barba feita. Vou final do mês para o Rio de Janeiro fazer um curso para me qualificar, mas não precisarei ir ao batalhão todos os dias; terei esse benefício. Vou poder contribuir com os jogos militares, pois será benéfico ter um atleta olímpico para competir nos mundiais. O principal objetivo deles (Exército), inclusive, é esse.

Alguns atletas influentes no atletismo como Claudinei Quirino, Joaquim Cruz, Fabiana Murer, Sandro Viana, entre outros, pontam você como a grande  revelação e promessa para Londres. O que você acha disso?
Eu me baseio muito na confiança deles. Se eles me admiram é porque sou bom. Enxergo isso como motivação, para tentar sempre melhorar e ter a responsabilidade de fazer um bom trabalho. Fico feliz de ser visto como talento e sempre vou buscar essa conquista.

Quais as chances do Brasil ser destaque no atletismo nas Olimpíadas de Londres? Em sua segunda Olimpíada, Bruno Lins trará uma medalha de ouro?
Eu sempre sonhei com o ouro e ele que desejo conquistar. Se me contentar com a prata, daqui a pouco me contento com o bronze e mais tarde com o quarto lugar.  Não me importo se nas Olimpíadas vai estar o Usain Bolt. Se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar? Temos que acreditar que somos capazes. Temos que parar com a ideia de que o jamaicano e o inglês tem o melhor técnico, treino, tempo e o melhor tratamento. Eu acredito que tenho o dom e que sou o melhor.

Como anda sua preparação para as Olimpíadas de Londres  em relação a sua rotina de treino?
Estou tentando me manter tranquilo. Não adianta você se cobrar no dia da competição, se não fez nada para obter um bom resultado. A minha rotina está sendo de oito horas diárias de treinos, dividido pela manhã e tarde e consiste basicamente no treino de pista, academia e a prática específica de arranco, alongamento.

Você já pensa em aposentadoria?
Eu tenho 25 anos. Nas Olimpíadas se 2016 terei 29 anos e ainda com tempo para correr. Na verdade, quero correr bastante. É por isso que me cuido, evito sair à noite e não tomo nenhuma bebida alcoólica. Quando era mais novo já não saia e nem bebia, imagina agora que sou casado e minha esposa está esperando bebê.  Quando o atleta se cuida, a vida dele é longa. Até 2020 espero estar em alto nível e conquistando muita coisa.

O que acha do atletismo para as Olimpíadas de 2016, em casa? Haverá uma evolução e renovação de atletas para essa época, e você pretende estar nela?
O atletismo já está passando por uma renovação. Mas o que me parece é que muitos atletas só encaram o futuro, esquecem o presente. E 2012, não existe?!  É necessário primeiro pensar em ganhar experiência e ser rápido nessa adaptação. Estamos longe de estar no mesmo patamar dos grandes nomes do atletismo e do que eles fizeram pelo esporte, como a Murer.  Nós atletas temos que ganhar, para poder buscar o progresso. Quando conquistarmos algo, aí poderemos cobrar atenção, investimento. Tudo depende da força de vontade do atleta e sua dedicação para provar que merece estar nas Olimpíadas e ser considerado um medalhão em longo prazo.

Você tem outros projetos e sonhos, além de participar das Olimpíadas?
Eu não tenho curso superior. Logo, sonho em fazer uma faculdade. Penso em Comunicação Social, pois gosto de me comunicar, falar, escrever; como também Educação Física. Quanto a projetos para futuro, penso com a minha esposa em montar uma academia. Mas essa ideia da academia ainda temos que amadurecer.

Você retornou em grande estilo às competições. Tanto que na disputa pelo  Pan-Americano de Guadalajara conquistou o ouro no revezamento 4x100 e a medalha de bronze nos 200 m rasos. Você esperava uma volta com tantas conquistas, ou acha que ainda foi pouco?
Foi pouco. O sexto lugar no Mundial foi pouco, o bronze nos 200m também. E o ouro nos 4x100 foi bom, mas poderia ter sido melhor com o recorde de tempo. Sempre quero mais. A gente tem que parar de se basear com as conquistas do revezamento de Sidney. O atleta tem que buscar espaço, respeito. Desejar conquistas. A parte financeira é importante , mas não deve estar sempre em primeiro lugar. A história fica para <br/>sempre.

Sua esposa, Maria Lúcia, está grávida. Como você lida com o fato de ser o mais novo papai do atletismo? Além disso, algo em sua rotina de treinos mudará devido ao nascimento do bebê?
A Maria Lúcia está grávida de sete meses da Maria Clara. Ela deve chegar ao final de maio ou começo de junho. Logo, devo vê-la nascer, mas vou ter que ficar longe dela com as Olimpíadas e quando retornar à casa vou matar a saudade. Quanto administrar a situação de ter um bebê em ano olímpico, tento desviar da ideia de que filho gera pressão. Tento entrar na pista longe de tudo, deixando de  lado qualquer situação; tudo por amor ao esporte. Infelizmente tenho que deixar a minha filha longe de tudo isso, mas ela será motivação. Os treinos já combinei com minha mulher. Não vou acordar de madrugada, pois tenho que treinar cedo. Espero que nada possa interferir no meu preparo.

O que o  esporte proporcionou a você, que nada nem ninguém conseguiria?
O esporte me proporcionou muita coisa, como respeito, admiração das pessoas, conhecer o mundo. Outro dia liguei para minha mãe e disse: “Mãe, outro  dia estava ai em Maceió. E olha agora, tanto coisa já fiz e conheci ”. Além disso, aprendi a tomar conta do meu corpo pois dependo dele. Foi o esporte que me proporcionou e me proporciona saúde e alegria.