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Escola de Remo no Amazonas pede socorro

Com um dos principais pontos turísticos de Manaus em obra, a entidade durante dois anos não pôde promover campeonatos, participar de eventos, realizar treinos e ainda teve que suspender convênios, que são concedidos apenas quando a Federação Amazonense de Remo (FAR) 14/07/2012 às 18:10
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Reforma da Ponta Negra tratou reforma de escola de remo como entulho
Nathália Silveira Manaus

Banhado pela maior bacia fluvial do mundo, o Amazonas deveria estar no patamar do esporte náutico.  No entanto, essa é uma realidade bem distante. O que dizer, por exemplo, da Escola Amazonense de Remo, que teve suas atividades paralisadas em 2010 devido à reforma da Ponta Negra?

Com um dos principais pontos turísticos de Manaus em obra, a entidade durante dois anos não pôde promover campeonatos, participar de eventos, realizar treinos e ainda teve que suspender convênios, que são concedidos apenas quando a Federação Amazonense de Remo (FAR) está em pleno funcionamento. Segundo o vice-presidente da entidade, Daniel Herszon, foi acordado com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) que a sede da Escola também faria parte do projeto de revitalização.

Mas, com a entrega da nova Ponta Negra há dois meses, a garagem da sede náutica destoa da orla: está suja, pichada, com resto de materiais de construção, sem luz e uma barcaça (no valor de R$ 20 mil) danificada.

“O secretário Américo Gorayeb chegou a conversar comigo e apresentou inicialmente uma proposta de nova sede. Depois, mostrou um novo projeto para viabilizar a retirada da garagem do final da Ponta Negra e passá-la a primeira etapa. Mas tudo isso ficou lá atrás. Tentei falar com ele novamente durante esse tempo e nunca fui recebido. A própria Secretaria já chegou a divulgar em outro veículo de comunicação, que a responsabilidade da revitalização da garagem é da Federação.

Mas como vamos mexer em patrimônio público? Quero um documento que prove que a Federação tem livre arbítrio de entrar com as obras", disse Herszon, ao apresentar um projeto do estudo preliminar da reforma da sede, assinado pela Seminf/Prourbis, em 2010.

 Alvo de delinqüente
 Ainda de acordo com o vice-presidente, a sede foi entregue no início das obras com o funcionamento de água e energia. Mas, a construtora responsável pela obra cortou os cabos de ligação e a Federação segue sem luz, tornando-se alvo fácil de delinquentes. “Como vamos voltar a ter aula se não podemos oferecer o mínimo de estrutura? A água é fraquíssima, e a falta de luz é um perigo. Aqui, durante à noite, fica um breu e virou ponto de droga e prostituição. Além disso, já tivemos três assaltos”, conta Daniel, mostrando as originais do Boletim de Ocorrência (B.O).

A FAR, há dois anos, também firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Desporto, Lazer e Juventude (Semdej) para atender 480 crianças e adolescentes de escolas municipais durante todo o ano, com o projeto “Remar é Preciso”. Na época, o convênio foi fechado em R$219 mil (valor dividido em duas parcelas). Com sete meses de vida, o  projeto foi suspenso, devido às obras na orla, e parte do primeiro montante de R$131 mil teve de ser devolvido aos cofres municipais, no caso R$45 mil.

“O ‘Remar é Preciso’ era um excelente projeto. Além do que, o convênio ajudava na manutenção da Federação. Hoje em dia não temos recurso para nada! O remo amazonense concentra títulos expressivos no Norte-Nordeste. Até 2010 ocupava o quarto lugar na classificação nacional. O Marcos Ibiapina, campeão Mundial, foi embora para o Vasco da Gama. Quantas atletas ainda teremos que perder?”, questiona Daniel.

Filiada por ‘piedade’
 No período em que a Escola de Remo ficou paralisada as competições também naufragaram. Assim, há dois anos, o Estado não participa de uma disputa e a própria Confederação Brasileira de Remo emitiu um comunicado sobre a ausência da entidade nos eventos esportivos, ao alertar que caso a Federação não retorne às competições, seria excluída da entidade nacional. Apesar disso, Daniel Herszon explica que a Confederação reconhece o esforço dos atletas de alto nível, que mesmo sem condições estruturais não deixaram de madrugar na escola e treinar. Ao todo, 10 atletas ainda continuam na Escola de Remo, que antigamente contabilizava 20 atletas de alto nível e mais de 180 alunos.

“Continuamos treinando das 5 às 6h30 da manhã. Principalmente agora que teremos o Campeonato Brasileiro para disputar em Novembro, em São Paulo”, disse o técnico Edvando Alves, confessando que pela falta de estrutura, o Amazonas não terá tanto destaque no evento. “Não estamos com nível nacional, afinal faz tempo que não contamos com as condições necessárias para nos destacar. A falta de competição é prejudicial”, afirmou Alves.

A Federação pretende levar ao menos uma dupla para a terra da garoa, para disputar a categoria Junior. “Agora vai faltar as passagens e a hospedagem”, comentou o técnico amazonense.