Publicidade
Esportes
Craque

'Eu dormia de quimono', diz lutador Jacaré em entrevista exclusiva ao CRAQUE

O lutador radicado em Manaus, onde aprendeu o jiu-jítsu que é sua especialidade no octógono, cada vez mais cotado para disputar o cinturão dos médios, revelou que em breve vem a Manaus para filmar documentário sobre sua vida 26/04/2015 às 14:57
Show 1
Ronaldo Jacaré já tem cinco vitórias no UFC e é candidato a disputa de cinturão
Felipe de Paula Manaus (AM)

Ronaldo Jacaré não é apenas um dos figurões do UFC. O ex-campeão do Strikeforce e agora candidato potencial à disputa do cinturão dos pesos médios do Ultimate é, de fato, uma “figura” e tanto.

No meio de uma agenda corrida, que o lutador concilia com o “privilégio”, como ele define, de deixar e pegar os dois filhos na escola todos os dias, ele atendeu à ligação da reportagem com espontaneidade e bom humor e respondeu a tudo que foi perguntado.

Num sotaque em parte do Amazonas, estado onde morou e conheceu o jiu-jítsu, sua grande especialidade no octógono, em parte do Rio de Janeiro, onde vive, e também do Espírito Santo, onde nasceu, o penta campeão mundial jiu-jítsu baixou a guarda.

Falou sobre a luta contra Chris Camozzi no último fim de semana, em que finalizou americano com 30 segundos de combate; sobre o sonho do cinturão dos médios, cuja disputa Jacaré faz questão de dizer que há tempos já está merecendo; exaltou o jiu-jítsu que “só treinou em Manaus”, e revelou novidades.

“Estou indo para Manaus em breve para filmar um documentário”, disse o representante do arte-suave amazonense, que tinha o hábito de dormir de quimono antes dos torneios de jiu-jítsu, costume que até hoje permanece, em parte. “Agora só fico vendo luta, boto a roupa da luta à noite, mas não durmo mais de roupa (risos)”.

Confira a entrevista na íntegra:

Você entrou no octágono contra Chris Camozzi e a luta acabou em 30 segundos? Que avaliação é possível fazer? Inspiração, trabalho duro, alguma sorte?

Eu acho que foi um conjunto. Sou um cara oriundo do jiu-jitsu, background muito forte de jiu-jítsu, caiu na minha área, quando caiu. Posso finalizar qualquer um daquela maneira!

Você é especialista no chão. Tem a mesma confiança para a trocação?

Sinto confiança muito grande da minha parte em pé, tanto é que venho de alguns nocautes. Consigo trocar com qualquer uma da minha categoria. Confiança maior 100% no jiu-jítsu. Mesmo que esteja perdendo no jiu-jítsu, de uma hora pra outra posso fazer alguma coisa e mudar a luta.

Com a vitória de Rockhold, vc acha que terá que esperar? Quando será sua vez de disputar o cinturão? Dá uma ansiedade?

Não, não tenho nenhuma ansiedade em relação à disputa de cinturão. Acho que ele (Luke Rockhold) foi bem mesmo, surpreendeu. Eu também não tive muita sorte na escolha dos meus adversários. Desde que entrei, ia lutar com (Costa) Philippou, que é um cara bem ranqueado, mas ele se machucou. Agora ia lutar com outro cara ranqueado (Yoel Romero) e ele se machucou novamente!

E qual análise que você faz da luta do Lyoto em si?

Antes da luta, olhei pro Lyoto e o senti fraco. Não sei se teve perda de peso ou recuperação ruim, ou foi o camping... não sinto que ele parecia forte. Na luta, achei que Luke conseguiu por estratégia em prática. Quando chegou  no endurance (resistência), (na hora de) fazer força, Lyoto cansou e não voltou pro segundo round bem...

Você pensa muito no cinturão? Como é sua relação com esse sonho que é ser campeão do UFC?

Quando eu entrei no UFC, entrei preparado pra ser campeão. Não tenho essa ansiedade de querer o cinturão amanhã, quero trabalhar para isso. Posso provavelmente fazer mais uma luta ou ir direito. O Ultimate é muito louco, as coisas mudam rápido. Mas estou preparado!

E hoje, você, assim como muita gente no mundo do MMA, também acha que merece disputar o cinturão?

Com certeza, desde a luta do (Gerard) Mousassi já mereço lutar. Quando peguei Yushin (Okami), já merecia. Não tem problema, eu faço.

O nocaute é menos valorizado do que a finalização no UFC?

Não, não acredito em nada disso. Pra mim, é a mesma relação. O importante é terminar a luta antes do tempo final.

Estou tentando entender porque você ainda não foi chamado para disputar o cinturão (risos). Por que você acha que não é chamado?

Datas. Lesões dos campeões. O Vitor tem que lutar pelo cinturão ainda...

Como é sua relação com a cúpula do UFC, com o Dana White...?

É ótima. Eles me contratam, eu calo minha boca, eu vou lá e faço meu trabalho. É igual um empregado: se for chamado para trabalhar numa cidade feia, num hotel que não é legal. Eu não quero saber onde vou lutar. Eu vou lá e  faço meu trabalho.

Você se considera um representante legítimo do jiu-jítsu amazonense? Você acha que essa escol...

Não vou nem deixar tu terminar (risos)!  Sem sombra de dúvida nenhuma. Tenho título de cidadão amazonense. Sempre treinei, sempre lutei em  Manaus. Não treinei jiu-jítsu em nenhum lugar do mundo, só em Manaus. Então sou um representante da cidade.

Já falaram da possibilidade de uma luta sua com Dan Henderson. O que acha da ideia?

Antes de tudo, sou um grande fã dele. Mas hoje o Henderson está em decadência. Não vem fazendo boas apresentações. Quero lutar com Rockhold, ou pelo cinturão!

Você já lutou com ele (Rockhold) e perdeu, não é?

Dessa vez eu não vou deixar nas mãos dos juízes. Da primeira vez, o s juízes lutaram pelo pelo Rockhold, mas eu venci a luta. Só que dessa vez se houver outro confronto entre nós dois, eu não vou deixar a luta chegar ao fim. Vou vencer ele antes.

E sua relação com a cidade de Manaus hoje, como é?

Eu tenho uma relação muito boa. Sempre que posso vou a Manaus. Vivi uma vida aí, quando vou não consigo encontrar todo mundo.  Estou gravando um documentário sobre minha vida e estou indo para aí em breve para filmar.

Temos uma novidade aí.

É, mas não posso falar muito sobre isso (risos).

Você tem algum ritual, algum método de concentração antes da luta?

Eu já me concentro uma semana antes. Começo a dormir melhor, comer melhor, as coisas começam acontecer naturalmente, meu corpo começa a ficar mais tranquilo. Só faço comer, dormir e esperar a luta. No tempo do jiu-jítsu, eu dormia de quimono. Agora só fico vendo luta, bota a roupa da luta à noite, mas não durmo mais de roupa (risos).