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‘Eu não vou parar depois do Rio 2016’, diz ginasta Diego Hypólito em entrevista ao CRAQUE

O ginasta também falou de Manaus e salientou que ainda sonha em disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020 16/01/2016 às 19:18
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O atleta Diego Hypolito participa do treino da equipe brasileira de ginástica masculina no Greenwich Olympic Park
Denir simplício Manaus (AM)

Diego Matias Hypólito, o menino nascido no ABC paulista, na região metropolitana de São Paulo, que desde os sete anos de idade treina incessantemente em busca da perfeição dos movimentos, está mais uma vez na luta por uma medalha olímpica na ginástica artística do Brasil.

Hoje, com quase 30 anos, o bicampeão mundial  volta a sonhar com o pódio nos Jogos Olímpicos, dessa feita em solo brasileiro.

Especialista no salto e no solo, Diego confirmou presença em sua terceira Olimpíada e tenta deixar para trás as decepções nos Jogos de Pequim (2008) e Londres (2012), que marcaram negativamente sua brilhante carreira na ginástica. 

Duro na queda, Hypólito, assim como tantos outros esportistas brasileiros, tem uma história de superação no esporte até chegar ao patamar de ídolo da ginástica. 

Aos oito anos, Diego se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde chegou a ajudar o pai a vender bebidas nas praias cariocas para sustentar a família. Incentivado pela irmã, a também ginasta Daniele Hypólito, Diego trilhou um caminho de glórias no esporte e atualmente é referência na equipe de ginástica masculina do Brasil, que pela primeira vez disputará uma Olimpíada.

Restando 201 dias para o início dos Jogos Olímpicos no Brasil, o CRAQUE conversou com o bicampeão mundial na Série Conexão Rio 2016.Diego Hypólito falou sobre a preparação para a Rio 2016, assim como os objetivos dele na competição e após os Jogos.

O atleta também confessou que deseja migrar para o jornalismo esportivo e que um dia pretende ser um apresentador, isso após encerrar a carreira. O ginasta também falou de Manaus e salientou que ainda sonha em disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. 

Como está sendo sua preparação para os Jogos Rio 2016? Comecei minha preparação para a Rio 2016 no dia 4 de janeiro, está sendo no Rio de Janeiro. Fico aqui no Rio até o dia 28 de fevereiro. Depois volto pra São Bernardo. Lá eu faço uma preparação para duas etapas da Copa do Mundo que vou participar. Uma na Alemanha e uma em Doha, elas duas são muito importantes. Depois, possivelmente, tenha a Copa do Mundo de São Paulo, que eu acho que é a última grande competição antes dos Jogos Olímpicos. Acho que essas três competições são as mais importantes. 

Como você está encarando a Rio 2016? Como uma espécie de ressurgimento ou última chance de medalha olímpica? Estou encarando as Olimpíadas como eu encaro todas as competições. Ela é muito importante, tenho que fazer toda a preparação, respeitar todos os treinamentos. Não lido como última chance, até porque não vou parar depois do Rio de Janeiro. Ainda pretendo competir em mais duas Olimpíadas, a do Rio de Janeiro e mais uma (Tóquio 2020).

Após as quedas em Pequim e Londres, qual o maior objetivo do Diego Hypólito na Rio 2016? Acho que o meu objetivo nessa Olimpíada é fazer minha parte. Tentar acertar a série. Se eu fizer minha parte nos treinamentos e conseguir acertar minha série, jogo a responsabilidade para os outros atletas. É isso que eu pretendo. Fazer uma boa série na competição para que eu me sinta satisfeito e satisfaça as pessoas e contribuir pelo que as pessoas acreditaram em mim por tantos anos. 

O Diego Hypólito já faz planos para depois dos Jogos do Rio? Meus planos atuais ainda são em cima dos Jogos do Rio de Janeiro. Vi que o próximo código de pontuação (sistema de avaliação usado pela Federação Internacional de Ginástica), depois das Olimpíadas, ele me favorece bastante em alguns pontos. Então, fiquei bem satisfeito. Mas agora os planos são para o Rio de Janeiro. Depois que acabar as Olimpíadas vou tirar umas duas semanas de férias e depois eu penso no planejamento para a outra Olimpíada, os quatro próximos anos.

Você também já afirmou que quer ser fazer jornalismo esportivo após a aposentadoria, talvez até ser comentarista de ginástica, assim como a ginasta amazonense Bianca Maia e o judoca Flávio Canto. Já se imaginou apresentando ou comentando na TV ? Então, acho que a questão de migrar pro jornalismo é porque é algo que eu realmente gosto. Queria poder contribuir para o esporte também no jornalismo. Mostrar para as pessoas aquilo que elas não veem. Porque muitas vezes a gente sempre só vê os campeões de brasão, os que ganham medalha, mas todos são campeões, todos se esforçam muito.

E a questão de ser um apresentador, assim como o Flávio (Canto) e outros atletas conseguiram também ser, é algo que realmente ainda não é a minha meta inicial. Mas, futuramente quem sabe? Acredito que é algo que eles (ex-atletas) conquistaram com muito trabalho também, e é uma nova área. A partir do momento que eu começar a me dedicar, vou me dedicar o melhor possível para que eu seja também um bom comentarista, e quem sabe, no futuro, um bom apresentador.

Você já esteve em Manaus, que também será sede dos Jogos quando receber o torneio olímpico de futebol? O que acha dos Jogos saírem da sede principal, que é o Rio de Janeiro? Acho muito legal a questão de mostrar o esporte pelo Brasil inteiro. Já fui a Manaus sim, tenho amigos também daí... sei que é bastante evoluído.

O que acha que deve ser feito para que surjam novos talentos como você na ginástica artística do Brasil? O esporte tem de crescer cada vez mais para que dê oportunidade para novos atletas. Assim como eu e minha irmã (Daniele Hypólito), Jade Barbosa, Dayane dos Santos... Artur Zanetti tiveram. E quem sabe futuramente um ginasta aí de Manaus não se destaque... não se torne um campeão mundial ou olímpico.