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Exclusivo > Técnico da seleção brasileira de handebol fala sobre o cenário do esporte

Jordi Ribera está em Manaus para aplicar o Curso de Desenvolvimento técnico tático de atleta na modalidade 28/11/2012 às 08:36
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Técnico da seleção brasileira de handebol - Jordi Ribera Romans
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

Atual técnico da Seleção Brasileira Masculina de Handebol, o espanhol Jordi Ribera Romans, 49, acumula duas funções determinantes para o presente e o futuro da modalidade: a de observador de talentos e a de renovar o selecionado ver de amarelo.

  O treinador está em Manaus para aplicar o Curso de Desenvolvimento Técnico Tático de Atleta de Handebol, projeto levado a cabo pela confederação brasileira para formar bons técnicos e descobrir jovens talentos brasileiros com a bola nas mãos. Até quinta-feira, os adeptos locais do handebol terão oportunidade de aprender com o técnico com jeito de professor de matemática austero.

  Quando terminar esse trabalho de formação de base, o espanhol sisudo e de poucas palavras, retorna ao seu posto de liderar o processo de renovação da Seleção Brasileira com vistas aos Jogos Olímpicos de Rio em 2016. Jordi, aliás, voltou ao comando do handebol brasileiro justamente para o ciclo

olímpico.

  De imediato, o Brasil tem pela frente o Mundial da Espanha, a partir de 11 de janeiro do próximo ano. Dias antes, disputa um torneio internacional preparatório. Será momento para lançar jogadores jovens no meio dos medalhões do handebol tupiniquim, que não disputaram a Olimpíada de Londres porque foram derrotados para os rivais argentinos no Panamericano de Guadalajara, no México.

  Foi justamente o que faltava para desencadear uma crise na seleção e a consequente troca de treinador: saiu Javier Questa e voltou Jordi Ribera, que fez um belo trabalho durante o período que englobou 2005/2007, classificando o Brasil para os Jogos de Pequim. A confederação ficou satisfeita com a metodologia de Jordi, mas ele deixou o comando da seleção.

 No intervalo de uma palestra que ministrava para jogadores e treinadores, ontem, na Arena Amadeu Teixeira, Jordi falou rapidamente com o CRAQUE. Ele cruzou nove Estados brasileiros em quatro meses, dando aulas básicas de handebol oriundo da Espanha, uma das principais escolas mundiais da modalidade: cruzou Amapá, Acre, Piauí, Pará, Sergipe, Roraima, Rio de Janeiro e, por último, o Amazonas. O espanhol não viu nada que lhe enchesse os olhos nas suas andanças pelo País tanto no que se refere a talentos quanto em estrutura para o desenvolvimento do da modalidade. A seguir trechos da entrevista com o treinador espanhol.  

   

Qual a impressão que o senhor teve sobre a realidade do handebol local. Há valores que mereçam uma chance na seleção por aqui?
Há muito que se trabalhar por aqui. Mas é uma realidade no Brasil. É claro que há Estados onde o handebol é um pouco melhor estruturado, a exemplo do Rio de Janeiro, mas, no geral, a realidade é a mesma: há que se fazer um bom trabalho de base e motivar os atletas mais evoluídos tecnicamente com um calendário de competições ativo.

 Qual o biótipo físico ideal para a prática do handebol?   O senhor percebeu alguém em especial aqui em Manaus?
Há padrões na Europa, onde estão as grandes escolas de handebol, no qual os jogadores de linha de frente são mais altos, físicos, resistentes, e os de ponta são mais explosivos e velozes. Essa padrão físico combinado a um sistema de jogo eficiente determina o sucesso ou fracasso em quadra. Creio que há bons atletas aqui no Brasil e em Manaus mais precisamente. Mas eles devem ser bem mais trabalhados nos aspectos de base.

 O que podemos esperar o hendebol brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio, uma vez que não há uma tradição de sequência em Olimpíadas da seleção brasileira?
Há um trabalho sendo feito paralelamente visando o presente e o futuro do handebol no Brasil. Para o Rio 2016, há um curso um processo de renovação da seleção. Mas isso passa antes por condições de trabalho, um selecionado bom de jogadores e, sobretudo, estrutura para treino. Agora é que termos um grande Centro de Alto Rendimento para o handebol, em São Bernardo do Campo. Mas ele só será entregue em 2013.

Com quanto tempo se começa a ter resultados com um CT permanente, oferecendo todas as condições para os atletas e os treinadores?
Se um CT começa a funcionar em 2013, por exemplo, projeta-se bons resultados para 2020.

O senhor voltou a seleção para comandar o processo de renovação visando aos Jogos do Rio em 2016 e descobrir novos talentos para o futuro. Mas até lá o senhor permanecerá no cargo?
Espero que sim (risos). Eu fui contratado para o ciclo olímpico do Rio, que dura quatro, cinco anos. Voltei em julho deste ano à Seleção. Logo após o Panamericano de Guadalajara, no México. Há muito trabalho a fazer pensando em 2016. Mas temos que pensar sempre no presente e no futuro. Um trabalho não funciona sem o outro, pois a evolução técnica do atleta passa por um ciclo de fases. É assim que funciona nas grandes escolas, a exemplo da Noruega, de Montenegro, da Dinamarca, da Espanha. 

 Por que o handebol feminino do Brasil é mais evoluído que o masculino e obtém melhores resultados em competições internacionais?
Muitas mulheres jogam em grandes equipes no fortíssimo campeonato europeu. O convívio com as outras atletas, a troca de experiência, o contato com sistemas de jogo eficientes, tudo isso influencia na forma de jogar das meninas. Por isso o handebol feminino do Brasil é mais evoluído. Essa realidade é diferente no handebol masculino. Temos que buscar justamente essa evolução técnica e tática.

Dos nove Estados que o senhor visitou e ministrou cursos, qual o que mais lhe impressionou do ponto de vista de jogadores, técnicos e estrutura para o esporte?
O Brasil tem muito mais tradição com a bola no pé. Já no que diz respeito ao handebol, o Brasil ainda precisa investir muito em condições e estrutura para desenvolver a modalidade. Nenhum Estado me impressionou. Todos estão praticamente no mesmo nível de evolução. E há que se evoluir muito mais para as Olimpíadas aqui no Brasil em 2016. Mas como já disse, isso passa por um Centro de Alto Rendimento, tal qual aconteceu com o voleibol, os resultado foram satisfatórios, mas demorou.