Publicidade
Esportes
Craque

Experiência e energia

CRAQUE entrevista líbero Serginho, da seleção de vôlei. Ele vai para sua terceira Olimpíada 05/05/2012 às 20:51
Show 1
Ídolo Serginho veio da periferia para conquistar o mundo
Adan Garantizado Manaus

O líbero é o jogador de vôlei que mais sofre dentro da quadra. Afinal, a função dele é amortecer todos os ataques adversários e transformá-los em bons passes para os levantadores. Em 2001, a seleção brasileira recebeu um jovem paranaense, criado no bairro de Pirituba, periferia de São Paulo e que já havia sido empacotador de supermercado, office-boy, colocador de papel de parede e vendedor ambulante, para ser seu líbero.

E nesses 11 anos de carreira, Serginho, o “Escadinha”, construiu degrau por degrau seu nome na história do vôlei brasileiro. Considerado o melhor líbero do planeta, o jogador de 36 anos não perde o bom humor em momento algum. Nem quando precisa se desdobrar em quadra  “mergulhando” atrás de cada bola enviada pelos adversários.

Prestes a participar de sua terceira Olimpíada, Serginho conversou com o CRAQUE, no ginásio do Sesi Clube, em São Paulo. Ele mostrou que a empolgação permanece a mesma dos tempos de juvenil. “Quando você faz uma coisa com amor, gostando realmente, a idade não importa. Eu continuo jogando, estou bem fisicamente e me divirto em quadra. O ruim é quando você perde o estímulo. Vou continuar enquanto estiver conseguindo passar emoção para quem assistir e jogar em alto nível”, afirma

Escadinha

Em Londres, Serginho vai em busca de sua terceira medalha Olímpica. Ele possui um ouro em Atenas 2004 e a prata em Pequim, 2008. “Olimpíada é um momento mágico. É um torneio espetacular, onde se pratica o esporte pregando a paz. Em Atenas foi tudo novidade. Pequim foi um espetáculo em termos de organização e de estrutura. Acho que Londres vai ter que superar Pequim. Espero chegar novamente na final Olímpica e conquistar mais uma medalha de ouro”, disse.

Resultados do vôlei brasileiro em 2011 como o vice campeonato da Liga Mundial e a terceira colocação na Copa do Mundo, disputada no Japão, fizeram muita gente questionar se o “poder” da Seleção estava “esgotando”. Serginho atribui as dúvidas ao “mal costume” da torcida brasileira em sempre ver o time na primeira colocação. “A gente ganhou tudo e ninguém mais quer saber disso. O que rende é notícia ruim”.

Duas perguntas - Serginho  Líbero da seleção  brasileira

1.Qual a sensação de ser campeão olímpico?

É meio surreal, cara. Eu pego a medalha às vezes em casa e fico me perguntando como consegui conquistar ela. Desde moleque eu assistia Olimpíadas e ficava torcendo. Depois quando comecei a competir tinha aquela ânsia de saber como era jogar uma Olimpíada. E de repente você está ali no topo do pódio. Não tem dinheiro que pague isso aí. Isso vai ser história pra eu contar pros meus filhos. Só quem esteve lá, jogou e ganhou sabe como é gratificante.

2. E o que motiva você a continuar jogando?

Não tem segredo. Eu vivo do voleibol desde os meus 12 anos. É o vôlei quem leva comida para dentro de casa (risos). Eu sou um cara que eu sempre dei muito valor às coisas, vim da periferia, de um bairro muito pobre. Eu falo ‘preciso levar um prato de comida para dentro de casa’. Como é que vou fazer isso? Treinando né.

Também rola muita briga

Apesar de ser conhecido pelo bom humor e pela garra demonstrada dentro de quadra, Serginho também tem seus momentos “explosivos”. E o principal deles aconteceu justamente durante a Copa do Mundo do Japão no ano passado, no jogo contra a Argentina. Durante uma parada técnica, Serginho discutiu de maneira áspera com o treinador Bernardinho. A imagem do bate-boca fez muita gente “prever” a crise na Seleção, mas, segundo Serginho, tudo está resolvido.

“Foi algo normal. É um assunto mais do que superado. Não fica nem na quadra. Se você está jogando uma pelada e alguém te xinga, você também não responde na hora? É a mesma coisa. Depois tá todo mundo rindo junto, tomando cerveja”, frisa. “Se vocês soubessem quantas brigam rolaram só neste tempo em que o Bernadinho está à frente da Seleção... Teve muita porrada”, revela.