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Geração de ouro do vôlei brasileiro chegará em Londres 'envelhecida'

Os 'trintões' da seleção brasileira de vôlei, ainda fazem sucesso nas quadras, apesar da idade! 05/06/2012 às 11:09
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Rodrigão fala que não tem condições de suportar mais um ciclo
Adan Garantizado Rio de Janeiro

Os resultados do vôlei masculino brasileiro na última década são incontestáveis. Desde que Bernardinho assumiu o comanda Seleção em 2001, a equipe venceu oito Ligas Mundiais, duas Copas do Mundo, três Mundiais e conseguiu duas medalhas Olímpicas (ouro em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008). A base que defende a camisa verde e amarela nas quadras foi mantida e é o principal “ingrediente” no sucesso de tantas conquistas.

Mas, às vésperas de sua terceira Olimpíada, a “geração de ouro” do vôlei brasileiro chegará em Londres envelhecida. Entre os dezoito jogadores que disputam atualmente a Liga Mundial, nove possuem mais de trinta anos, o que deve elevar a média de idade do grupo que irá à Londres (12 atletas).

Quando conquistou a medalha de ouro em Atenas, somente quatro “trintões” faziam parte do grupo: Nalbert, Giovane, Maurício e Anderson (todos já aposentados). Cinco campeões olímpicos em 2004 ainda estão na “ativa” e devem defender o Brasil em Londres: os pontas Dante (31) e Giba (35), o líbero Serginho (36), o meio de rede Rodrigão (33), além do levantador Ricardinho (36). Outros dois “nomes certos” na lista Olímpica são o ponteiro Murilo Endres (31) e o levantador Bruno Resende (25). A dupla disputou os Jogos de Pequim, em 2008, quando a Seleção ficou com a medalha de prata.

A idade avançada dos jogadores da seleção já foi alvo de críticas. No ano passado, quando a equipe perdeu a Liga Mundial de vôlei para a Rússia e ficou com a terceira colocação na Copa do Mundo, muito se questionou sobre o “envelhecimento” do time canarinho. Entre os jogadores, isso virou até motivação. Em entrevista concedida ao CRAQUE no mês de fevereiro, Murilo Endres revelou o ‘estímulo’. “O Giba se joga no treino, pede pra sacarem em cima dele e fica provocando dizendo ‘eu tô velho, mas ainda aguento’. Nós vamos fazer melhor do que fizemos nestes últimos dez anos”, prometeu o ponta.

Com os medalhistas olímpicos quase garantidos em Londres, sobrariam, teoricamente, cinco vagas para “novatos” na seleção. O ponteiro Lucarelli, 20 é o mais novo entre os candidatos. Com dois anos a mais, o oposto Renan é a outra cara jovem do grupo. Mas, a garotada enfrentam a concorrência “pesada” de nomes mais “rodados” como os opostos Théo (28), Leandro Vissotto (29), os meios de rede Éder (29) e Sidão (30).

 Ponto de referência
Apesar das críticas, a experiência do voleibol brasileiro em Londres pode ser um fator muito importante para a transição entre esta e a próxima geração. Com passagens por vários clubes do Amazonas, como Rio Negro e São Sebastião, o treinador Odílo Baptistela acredita nos “vovôs” do vôlei brasileiro. “Eu acho que expor os mais novos já nessas Olimpíadas de Londres seria um risco muito grande. Colocar um Giba e um Serginho nesse grupo é importante, pois eles acabam se tornando uma referência para os mais novos, além de protegê-los de críticas e atrapalhar o desempenho”, defende. Para Odílo, esse “cuidado” com a nova geração é indispensável. “Se você não ganha, sempre vão aparecer críticas. Ter um cara como o Giba ali do lado é motivador para a garotada. E muitos desses jogadores mais velhos pensam em encerrar seus ciclos olímpicos em Londres. Eu não abriria mão de nenhum”, garante o treinador.