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Haitianos contagiam torcida brasileira e fazem 'carnaval caribenho' em jogo na Arena da Amazônia

Dezenas de haitianos foram a pé do bairro São Geraldo até o estádio, com direito a carro de som, cantoria e dança num verdadeiro carnaval caribenho em plena Costantino Nery 12/10/2015 às 23:17
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Haitianos caminharam ao lado de carro de som até a Arena
acritica.com Manaus

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Eles não são muito diferentes de nós. Descontraídos, festeiros e apaixonados por futebol, os haitianos que assistiram ao 5 a 1 da Seleção Olímpica Brasileira contra o Haiti, ontem, na Arena da Amazônia, nem se importaram com o resultado da partida. Mesmo em menor número, fizeram uma festa que contagiou até mesmo a torcida brasileira, que comemorou com eles o gol de honra haitiano.

O estudante de engenharia de alimentos Pascal Rocher,  comemorou como um título o tento, gritando e correndo em êxtase no corredor principal da Arena. “Esse gol valeu por cinco”, brincou ele, que parecia não acreditar no lance. “Você viu o jogo bonito que ele fez? Esse gol é para todos os haitianos que estão aqui”, disse, ainda ofegante depois de sua quase “volta olímpica”.

Durante a partida, Pascal era um dos mais animados. No primeiro drible do bom lateral direito haitiano, já brincava dizendo que estava 1 a 0 para o Haiti. Mas não ficou atrás o conterrâneo Jules Simoen, 31, que gritava, ora em sua língua nativa, o crioulo, ora em português, para mexer com brasileiros. Ao fim da partida, o mecânico de refrigeração, que esperava um empate, não parecia decepcionado com o resultado. “Foi um presentão para nós”, disse ele, ainda extasiado após o último gol da partida - e primeiro do Haiti contra o Brasil.

Caminhada

Como prometido, a comunidade haitiana em Manaus fez uma festa para brasileiro nenhum botar defeito. Desde as 15h, eles já se reuniam na frente da Paróquia de São Geraldo, ponto de referência dos refugiados e imigrantes do Haiti que chegam à cidade. Ao som de um ritmo que eles identificaram como rap haitiano, mas que parecia mais um axé caribenho, crianças, mulheres, idosos e jovens dançavam num êxtase carnavalesco a caminho da Arena.

O pedreito Pierre Evenson trouxe a família: a esposa Marie Altagrace e os filhos Miguel e Edson Charles. Este último, apaixonado por futebol brasileiro, trazia uma camisa da seleção e um palpite na cabeça. “3 a 0 Brasil”, disse ele, que é fã de Hulk e nem ligou para o repórter quando informado de que seu ídolo não jogaria.

Comentário - Felipe de Paula, repórter do CRAQUE

A festa que os haitianos protagonizaram ontem, na Arena da Amazônia, surpreendeu e até contagiou a torcida brasileira. Apaixonados por futebol e pela Seleção Brasileira, para eles tudo era festa. Houve quem comemorasse dribles como se fossem gols, quem pedisse pênalti para falta fora da área e até quem se emocianasse à vera ao ouvir o hino do país caribenho ecoar na majestosa Arena Amazônia.

“(O hino) Fala de nossa independência”, me ensinou o jovem Pascal Rocher, citando a primeira revolução por independência política das Américas. Ao lado dele, de seu amigo Belony Filosier e de outro conterrâneo dos dois, Jules Simoen, eu assisti ao jogo me sentindo um deles. E até comemorei o gol no fim da partida. Ao olhar para o lado, percebi que não estava sozinho: a parte brasileira do estádio inteira, batia palmas para o gol mais feliz da partida.

http://acritica.uol.com.br/craque/Torcedores-caminham-Arena-Brasil-Haiti_5_1447705216.html