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História das Olimpíadas: Nadia Comaneci faz parte da ginástica artística mundial

Nascida na cidade de Onesti, em 12 de novembro de 1961, a menina que revolucionou a ginástica, já era uma “veterana” em Montreal, quando tinha somente 14 anos 23/06/2012 às 12:22
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Nascida na cidade de Onesti, em 12 de novembro de 1961, a menina que revolucionou a ginástica, já era uma “veterana” em Montreal, quando tinha somente 14 anos
André Viana Manaus

O público presente nas provas de ginástica artística na Olimpíada de Montreal, em 1976, não entendeu quando o placar expôs a nota 1,00 após a extraordinária apresentação da menina romena Nadia Comaneci nas paralelas assimétricas. Antes do surgimento das vaias vindas da arquibancada, porém, o sistema de som explicou que o placar não estava preparado para registrar numericamente uma exibição digna de nota dez (ou quatro dígitos). O placar não. O mundo também. Mas a menina, sim.

O placar que se aperfeiçoasse, pois aquele era o primeiro das muitas notas dez que viriam, não só naqueles jogos, mas em todos os outros campeonatos em que a filha do mecânico Gheorghe Comaneci e da faxineira Stefania Alexandrina participaria na brilhante carreira.

Veterana aos 14 anos
Nascida na cidade de Onesti, em 12 de novembro de 1961, a menina que revolucionou a ginástica, já era uma “veterana” em Montreal, quando tinha somente 14 anos. Descoberta no pátio da escola, aos seis anos de idade, enquanto brincava com seu flexível corpo, durante o intervalo das aulas, Nadia foi convidada pelo treinador Béla Karolyi para fazer um teste. A menina não teve problemas para receber a permissão dos pais, que já não aguentavam mais as constantes trocas de molas do sofá da sala por conta das estripulias da filha mais velha.

Menina sem medo
Certo de que estava diante de um fenômeno, Béla Karolyi colocou Nadia para andar sobre a trave - aparelho que assustava a maioria das crianças. Nadia não se limitou a caminhar em cima do aparelho, mas saltou sobre ele com uma naturalidade impressionante. O primeiro treino da menina, cujo nome foi escolhido pelos pais por ser uma abreviação da palavra russa Nadiejda, que significa esperança, foi considerado por Béla como arrebatador. “Ela não conhece o medo”, definiu, ao lembrar do momento em que assistiu a exibição, anos depois. Por tudo que passou na vida, de fato esse sentimento nunca lhe foi apresentado.

Inocência
Ao final das apresentações em Montreal, uma declaração típica de uma criança serviu para cativar ainda mais o público. “Só penso em voltar para casa”, disse quando questionada pelos repórteres sobre o que achava das sete notas 10 e das cinco medalhas (três de ouro, uma de prata e outra de bronze) que tinha no pescoço.

Nadia voltou para casa, mas sua casa já não pertencia aos Comaneci, pertencia ao mundo e, principalmente, ao governo ditatorial do presidente romeno, Nicolas Ceausescu, que “confiscou” a ginasta como patrimônio nacional. De imediato, o tirano ordenou que Nadia trocasse de treinador e passasse a integrar o complexo esportivo comunista escolhido por ele. Na sua última Olimpíada, em Moscou, 1980, mais dois ouros e duas pratas.

Fuga
A aposentadoria viria um ano depois. A revolta contra o governo opressor suportaria até 1989, quando a revolução, que culminou com a saída de Ceausescu, começou a ganhar força na Romênia comunista. Fazendo jus a definição que o seu descobridor lhe empregou, Nadia partiu para uma nova vida fora do país natal, rumo ao desconhecido. Atravessou a Hungria e a Áustria com destino aos Estados Unidos.

A ligação dela com o refugiado compatriota Constantin Panait, que a acolheu em solo americano, lhe causou vários problemas, não só com o governo norte-americano, mas com a própria liberdade que tanto almejava quando deixou para trás a Romênia.

De volta ao passado
Explorada por Panait, que via em Nadia a possibilidade de enriquecer vendendo entrevistas e cobrando por aparições públicas, a romena precisou da ajuda de amigos para se livrar do segundo homem que a quis aprisionar. A rota de fuga foi a mesma que a apresentou para o mundo: a inesquecível cidade de Montreal.

No lugar onde desabrochou todo seu talento, Nadia reencontrou Bart Conner, um ex-ginasta, por quem se apaixonou e casou em Bucareste, capital da Romênia, já livre do tirano Ceausescu.

Com a vida estruturada nos Estados Unidos, Nadia, conseguiu a naturalização norte-americana, e hoje mantém a vida atrelada ao esporte que revolucionou, ao lado do marido e do único filho, Dylan Comaneci, nascido em 2006, com quem só se comunica em romeno.

Patrimônio
A melhor ginasta da história é considerada o maior patrimônio e orgulho da Romênia. Por tudo que fez na carreira, e nas declarações públicas contra o regime de opressão na época do comunismo, diversos países a elegeram como a maior esportistas do século 20 (a versão feminina de Pelé).

Nadia, que passou a infância treinando, e dedicava o pouco tempo livre que tinha para brincar com sua coleção de 200 bonecas. Nenhuma com a graça, beleza e carisma que demonstrou em suas inesquecíveis apresentações que ainda impressionam e servem de inspiração para ginastas em todo mundo. Nem mesmo a boneca inspirada nela.

Curiosidades
Convidada vigiada:  Em 1984, já aposentada, foi convidada para assistir aos Jogos de Los Angeles. O governo romeno, liderado então pelo ditador Nicolas Ceausescu, permitiu a viagem de Nadia Comaneci, mas temendo sua deserção, confiscou toda sua correspondência, grampeou seu telefone e monitorou seus passos.

Explorador:  O compatriota Constantin Panait, que a ajudou a fugir da Romênia de Ceausescu, cobrou de Nadia U$$ 5 mil. E aproveitou o fato da ginasta não falar inglês para ganhar dinheiro as suas custas. Vendeu entrevistas à imprensa, dizendo o que deveria responder e a manteve durante três meses viajando pelos Estados Unidos, trancada em seu quarto ameaçando-a de enviá-la de volta para Romênia.

No sacrifício: Nos Jogos Olímpicos de Moscou Nadia fez sua apresentação com fortes dores ciáticas, que dificultavam os movimentos das pernas, mesmo assim conseguiu a medalha de ouro e duas de prata.


Nadia Elena Comaneci

Nascimento:  12 de novembro de 1961.

Idade:  50 anos.

Naturalidade: Onesti.

Nacionalidade: Romena.

Altura: 1,53m.

Peso: 45kg.

Modalidade: Ginástica.

Especialidade:  Barras assimétricas e trave.

Carreira: 1971 até 1981.

Olimpíadas: Duas (Monteral, 1976, e Moscou, 1980).

Medalhas olímpicas: Oito (cinco de ouro, três de prata e uma de bronze).

Treinador: Béla Károlyi.

Coreógrafo: Geza Pozar.