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Histórica roda de capoeira no Encontro das Águas marca Dia da Consciência Negra

Evento, que foi o auge do 5º Jungle Meeting Internacional de Capoeira, reuniu a nata da expressão cultural num dos maiores cartões postais do mundo em alusão à data das comemorações da inserção do negro na sociedade e à morte de Zumbi dos Palmares 20/11/2017 às 14:59 - Atualizado em 20/11/2017 às 15:02
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Mestre da capoeira deram show de arte, luta, dança e música no Encontro das Águas (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Denir Simplício Manaus (AM)

“O capoeira é um artista e um atleta, um jogador e um poeta”. A definição  do capoeirista feita pelo dramaturgo baiano Dias Gomes soou como música no Jungle Meeting de Capoeira realizado no último final de semana em Manaus.

Com extensa programação feita em alusão ao Dia da Consciência Negra, comemorado nesta segunda-feira (20), o evento teve seu auge no sábado (18) num dos mais belos cartões postais do mundo: o Encontro das Águas. Mais de 40 praticantes da expressão cultural,  entre eles ícones mundialmente renomados como Mestre Mão Branca e Mestre Boneco (também conhecido como Beto Simas) participaram de uma roda de capoeira entre os rio Negro e Solimões.

Mineiro radicado em Manaus, Vander Araújo, o Mestre Pililim, que foi um dos organizadores do encontro, fez um breve comentário sobre a arte de jogar capoeira. “A capoeira engloba várias coisas em uma só. Ela é cultura, arte e música. O capoeirista compõe as suas próprias músicas, ele também é um artesão porque ele mesmo confecciona o seu berimbau. Ele é um lutador porque pratica os golpes que são perigosos e que machucam mesmo”, disse Pililim lembrando que a arte marcial é muito usada pelo lutadores do UFC.

Mestre Pililim vibrou com a realização do evento (Foto: Euzivaldo Queiroz) 

“Hoje, você pode ver que têm vários capoeiristas no UFC, como o Alan Nuguette, que é contramestre de capoeira e vários outros como o Marreta, Mutante tantos outros”, pontuou.

Convidado especial do evento que chegou a sua quinta edição, William Douglas Guimarães, 57, mais conhecido como Mestre Mão Branca, estava maravilhado com a beleza do Encontro das Águas. Fundador do Grupo Capoeira Gerais, Mestre Mão Branca é  responsável em difundir o esporte ao redor do mundo, mas faz um alerta aos capoeiristas brasileiros.

“O Brasil ainda é primeiro lugar na capoeira, mas a gente tem de tomar cuidado, tem muita gente chegando. Os Estados Unidos está muito bem, assim como a capoeira da França, Polônia e Israel. Hoje, o estrangeiro está jogando igual o brasileiro” enfatizou o mestre revelando o ponto que difere os capoeiristas brasileiros dos demais.

Sobre uma balsa, capoeiristas mostraram sua arte no Encontro das Águas 9Foto: Euzivaldo Queiroz)

“O que falta pra eles é o que chamo de capoeira oral, que é conhecer a história e falar bem a nossa língua. O nosso trunfo é que a capoeira é muito sutil através da musicalidade, se você não conhece a história e os fundamentos, você dança na roda e essa ainda é a vantagem do brasileiro”, afirmou Mestre Mão Branca que é um dos maiores compositores da capoeira.

Mundial de capoeira

Fundada em 2011, a Federação Mundial  de Capoeira está organizando o Mundial da modalidade, que acontece em Maio do ano que vem, no Azerbaijão.

Mestre Mão Branca, que é pai do Mestre Juninho,  atual campeão do Mundo de capoeira, falou  sobre as competições envolvendo o esporte que cada vez ganha mais adeptos pelo mundo. “A capoeira ganhou o mundo com sua beleza, com sua musicalidade com seu cunho cultural tipicamente brasileiro e agora está ganhando um mercado, que a gente já tinha no Brasil, agora na parte esportiva, que é a parte de competições”, disse o mestre capoeirista apontando o que pode tirar o posto de Brasil de melhor do planeta na modalidade.

“Nós ainda temos a verdadeira essência da capoeira, mas temos de tomar cuidado. Vale lembrar que o Brasil não criou o futebol, mas quem é pentacampeão?”, indagou o mestre.

Palco perfeito

Precursor da capoeira nos Estados Unidos, Beto Simas, o Mestre Boneco, fez questão de exaltar o Encontro das Águas e a escolha do Amazonas para  o encontro por conta do apelo ambiental. 

Mestre Boneco exaltou as maravilhas naturais do Estado (Foto: Euzivaldo Queiroz)

“Só o fato de estarmos aqui, nesse fenômeno único, em tempos que se discute o aquecimento global e a preservação ambiental, é muito importante. Temos de  ter essa consciência de preservar, assim como  a capoeira, que  é uma coisa nossa. Temos de ter essa consciência de levar isso pros outros”, declarou.

Mestre Boneco, que já treinou a atriz Halle Berry, também fez um relato poético da capoeira. “Acho  importante ter esse respeito e ter essa consciência do não-preconceito. No mundo falta mais amor e a capoeira, apesar de ser uma luta guerreira,  também é  dança,  folclore e filosofia de vida. A capoeira é sensibilidade”, concluiu.