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Iranduba (AM) revela segredo para superar obstáculos

Para o técnico Fernando Lage, o segredo do sucesso é um combinado de comprometimento do grupo, capacidade de reação, sorte, e, é claro, comando 24/04/2012 às 12:47
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Jogadores fazem das tripas coração para honrar o Iranduba
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

De saco de pancada no primeiro turno, o Iranduba é a sensação dessa reta final do returno do Estadual e poderá garantir vaga nas semifinais amanhã, diante do Fast Clube. Para o técnico Fernando Lage, o segredo do sucesso é um combinado de comprometimento do grupo, capacidade de reação, sorte, e, é claro, comando.

“Desde que assumi o time no dia 19 de março, são três vitórias, quatro empates e uma derrota. Nada mal para quem teve que reanimar e trabalhar o grupo para o returno em pouco tempo”, explica o treinador português, que recebeu até então R$ 400, do salário de R$ 1,5 mil combinado com a diretoria por mês.

“A diretoria ficou de pagar o salário amanhã (hoje). Eles cumprem, sim. É uma dificuldade para bancar um time. Mas nesse momento o dinheiro importa para a sobrevivência, mas não é o foco principal. Nossa meta é classificar o time às semifinais e tentar conquistar o segundo turno”. Lage veio da cidade de Viseu, em Portugal, para tentar melhores dias no futebol brasileiro. “A crise econômica na Europa afetou os clubes portugueses, sobretudo os de segunda e terceira divisões, que estão devendo muito”, exemplificou o treinador.

Time administrado por uma família local, o Iranduba tem uma folha de pagamento total de R$ 20 mil e vive da ajuda de amigos para se manter. Ex-jogador, o atual presidente do clube, Dirceu Vasconcelos, diz que seu time vai longe, caso consiga a classificação às semifinais.

Para assegurar vaga definitiva no G-4, a equipe tem de vencer o Fast Clube, amanhã, em casa, por um gol de diferença, além de torcer pelo tropeço de Rio Negro e Holanda.

“Teremos a volta do Rafael, camisa 10, do Juan, um dos artilheiros do time, e do zagueiro João Sá. Vamos para cima do Fast com força total e o apoio da torcida”, diz o dirigente, que conta com apoio da Prefeitura de Iranduba e amigos comerciantes para pagar os salários da comissão técnicas e dos jogadores, além da ajuda da família para manter seus comandados alimentados.

“Minha irmã é a cozinheira do time. Ela cozinha bem, mas os jogadores estão cansados de comer frango. Um dia é frango, empanado, no outro frango ensopado, no outro, assado, no outro frito, e assim vai. Recebemos sempre doação de frango. Apenas uma vez nos doaram carne. E, mesmo assim, foi 1,5 quilo. Só deu para a diretoria”, brincou Dirceu, assegurando que fará hoje o pagamento dos seus funcionários. “Sai hoje, sim”.