Publicidade
Esportes
Craque

Jacarés ficam mais expostos em igarapés urbanos de Manaus no período chuvoso

Veterinário orienta a população a não se aproximar do animal porque, segundo ele, o jacaré só ataca se for ameaçado ou agredido 05/01/2012 às 10:32
Show 1
Jacaré Coroa resgatado em Manaus é atendido pelo veterinário Laérzio Chiezorin
Elaíze Farias Manaus

O período chuvoso e o transbordamento de igarapés aumentam o índice de jacarés que emergem até as bordas e ficam mais próximos das pessoas. É também nesta época que a população, por desconhecimento e imprudência, prefere resgatar o animal por conta própria, arriscando tanto a sua quanto a vida do animal.

“Não quer dizer que em época de chuva o número de jacarés aumenta em Manaus. É que aumenta a quantidade de água nos igarapés e a água fica mais próxima da casa das pessoas que moram nestas áreas”, conta o veterinário Laérzio Chierozin, gestor do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Refúgio Sauim Castanheiras.

Chierozin conta que no período chuvoso é quando o refúgio resgata maior número de jacarés da beira de igarapés. “Quando o igarapé sobe o jacaré vai para as bordas”, afirma.

Ele salienta que muitos animais acabam ficando mais expostos na beira do igarapé, sobretudo quando a água começa a baixar. É quando ao risco do contato com o ser humano também aumenta.

O veterinário orienta a população a não tentar se aproximar do jacaré ou mesmo agredi-lo achando que assim vai escapar de algum ataque do animal, porque a reação natural dele é se defender com mordidas.

Ocupação

“O jacaré que vive nos igarapés de Manaus não costuma atacar seres humanos. Ele apenas se defende das agressões. Mas as pessoas não conhecem o comportamento dele e acabam causando problemas para elas e para os jacarés”, diz o veterinário.

Chierozin destaca que o resgate do jacaré encontrado nesta terça-feira (03) no Bairro da Paz, em Manaus, é o oposto do que deve acontecer na eventualidade de um encontro com um animal desta espécie.

“A gente pede que não se faça isso. Nessas capturas, tanto o popular quanto o animal podem sair feridos. O ideal é deixar ele lá”, explica.

O veterinário destaca que o jacaré da espécie Coroa é o mais comum nos igarapés de Manaus e também o mais penalizado pelas ocupações das áreas de igarapés pela população.

“A ocupação desordenada dos igarapés é um problema crônico e histórico. Mas os crocolidianos estão lá desde sempre”, disse.

Tamanho

A média do tamanho de um jacaré-coroa é de no máximo de 1,80 metros (desde que seja macho). A fêmea mede no máximo 1,50 metros.

O jacaré-tinga mede no máximo dois metros, mas não é comum ser encontrado nos igarapés urbanos.

Já o gigante jacaré-açú, que chega a medir até quatro metros, é mais comum nas calhas de rios ou quando está perdido em algum afluente.

Saúde

O veterinário lembrou que o jacaré tem um papel sanitário importante na zona urbana. Estudos identificaram que muitos jacarés ingerem pragas urbanas, como ratos e caramujos africanos, animais com forte potencial para causar doenças nos seres humanos.