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Jogador assume vício e é internado em clínica de reabilitação no Amazonas

Bazinho, um dos maiores artilheiros da década no futebol amazonense busca recuperação diante da família e torcedores 13/07/2012 às 08:29
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Bazinho admite que foi fraco e que a droga destruiu sua vida
Adan Garantizado Manaus

Um dia após ser preso em Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) por furtar seis quilos de alcatra e uma cartela de isqueiros, o jogador Francismar Costa dos Santos, o Bazinho, foi liberado no fim da tarde desta quinta-feira. A diretoria do seu último clube, o Operário, pagou a fiança (R$ 640) e o jogador deixou o presídio da cidade. Imediatamente após ganhar a liberdade, o atleta de 33 anos foi internado na clínica de reabilitação Mundo Novo, na AM-010.

Trajando camiseta, bermudas, chinelo de dedo, um boné e com os olhos marejados, Bazinho conversou com o CRAQUE minutos antes de começar sua batalha contra o vício.

Visivelmente mais magro e abatido, o jogador confirmou que é usuário de pasta base de cocaína desde os 17 anos. Ele estava preso após efetuar um furto, na manhã da última quarta-feira, visando conseguir dinheiro para comprar mais drogas. Bazinho chegou a treinar no Operário no começo do ano, mas abandonou o “Sapão”, como é conhecido o clube interiorano, por conta do seu vício.

“Eu já venho querendo enfrentar isso há muito tempo. Não tive forças para combater a droga. Deixei ela me levar a ponto de me ausentar do futebol neste ano”, confessou.

As mais de 24 horas no presídio de Manacapuru serviram, principalmente, para reflexão. Bazinho reconhece que errou e se mostra disposto a mudar finalmente sua postura. “No presídio, todo mundo era igual. É um reclamando pra cá, outro ali. Mas eu não me considerava um cara preso em momento algum. Eu apenas estava lá para refletir sobre o que havia acontecido. Coloquei a cabeça no lugar, pensei na vida, nos meus filhos”, relembrou o jogador, que na última década marcou 85 gols nas duas séries do Campeonato Amazonense.

Efeitos
Os desgastes causados pela pasta base no jogador estão evidentes. Bazinho está seis quilos abaixo do peso e sinais como os dedos e dentes amarelados não conseguem ser escondidos.

Desde que resolveu “se isolar” em Manacapuru, em janeiro, os males causados pelo vício só aumentaram. “Para você ter uma ideia, eu não tinha residência fixa em Manacapuru. Ficava o dia inteiro rodando pela cidade sem rumo. Dormia na casa de um ou outro amigo. Era loucura na cabeça mesmo. Desacreditei do futebol, da família e já via tudo como perdido. A droga também me deixou totalmente sem apetite e sem sono. Cheguei a passar dias e dias sem dormir e comer. Só pensava em como ía conseguir mais pasta. É uma coisa que perturba demais, cara. É coisa que só Deus mesmo pra ajudar”, revelou.

Apesar de todo o drama vivido, Bazinho quer dar a volta por cima. Além de reconquistar a confiança dos filhos e da família e se livrar de vez do vício das drogas, ele deseja voltar aos gramados. “Tenho fé em Deus que voltarei a dar alegrias e farei melhor ainda. Estou com vontade de dar a volta por cima e apagar tudo isso”, disse.

Um drama familiar
 Separada de Bazinho há um ano e mãe dos três filhos do jogador (com idades de 12, 11 e oito anos), Nadiane Vasconcelos ficou chocada ao saber da prisão do ex-marido. Ela se deslocou para Manacapuru e acompanhou o jogador até a clínica de reabilitação.

Nadiane não tinha contato com Bazinho desde o divórcio. Os filhos também sentiram o “baque” pela prisão do pai. “Meu filho de oito anos chegou em casa com o jornal dizendo que ‘aquele cara da foto’ não era o pai dele. Eles não querem nem ver o Bazinho. Ele foi um bom pai, não é assassino nem traficante, mas a droga acabou com ele”, lamentou.

O jogador confessou que sentia o coração apertado pela distância dos filhos, mas que nos momentos em que consumia droga, a saudade passava. “O que eu mais quero na vida é reconquistar meus filhos, colocá-los no campo para me assistir. Daqui pra frente meu pensamento é esse”.

Bazinho - jogador de futebol

1  Você chegou a jogar alguma vez sob efeito da pasta-base?
Nunca entrei em campo sob efeito de drogas. Algumas vezes, alguns amigos tentaram me influenciar, mas, no campeonato profissional, nunca fiz isso.

2  Durante sua carreira no futebol local você chegou a encontrar colegas em situação semelhante à sua?
Cheguei a ver alguns amigos passarem pelo mesmo drama. (Bazinho citou dois jogadores que atuaram pelo Penarol no Estadual desse ano, que terão os nomes preservados). Eles estão quase na mesma situação que eu. Mas é a vida, né, cara? O jogador de futebol é fraco e se tiver amigos que levam para esse caminho é complicado. Se chegar leva e eu reconheço que fui fraco.

3  Foi a primeira vez que você cometeu um furto?
Para acontecer essa situação de ser preso, sim. Furtei para consumir droga. Ía trocar o dinheiro por droga. Fui fraco nessa hora. Não consegui me controlar.

4 Além do tratamento, quais serão seus próximos passos agora neste recomeço de vida?
O primeiro passo será reconquistar a confiança dos meus três filhos. Eles ficaram muito abalados com essa história. Meu segundo passo é me recuperar, me alimentar bem, esquecer disso tudo e voltar ao futebol. Muita gente quer me ajudar e agora vai depender de mim. Quero voltar aos campos e encontrar parceiros como o Michel e o Palheta.