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Jogadores que brilharam em campos de Manaus falam sobre calor, umidade e distância

Palavras de quem entende: Dadá Maravilha só tem boas lembranças de Manaus 04/01/2014 às 19:03
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Ídolo do Nacional, Dadá Maravilha só tem boas lembranças de Manaus
Leanderson Lima Manaus (AM)

O técnico da seleção inglesa, Roy Hodgson, e o coordenador técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, causaram polêmica ao fazer declarações sobre a Copa do Mundo em Manaus. Hodgson disse que a cidade deveria ser “evitada” por conta da distância e do clima quente e úmido. Parreira endossou o comentário e ainda falou que “não escolheria Manaus para ser sede da Copa”. Afinal, a distância geográfica de Manaus e o clima prejudicam tanto assim a pratica do futebol? Com a palavra quem entende do assunto.

O ex-atacante da Seleção Brasileira, Dario José dos Santos, o inesquecível Dadá Maravilha, 67, garante que não existe dificuldade nenhuma em jogar na capital amazonense. E ele pode falar com conhecimento de causa, já que atuou com a Seleção Brasileira na inauguração do antigo estádio Vivaldo Lima, marcando quatro gols. A partida contra a seleção amazonense foi um dos amistosos que a equipe nacional fez antes de embarcar para a conquista do tricampeonato mundial na Copa do México, em 1970.

“Essa história de calor, de distância só atrapalha quem não tem preparo físico, quem não é profissional, quem passa a noite acordado com mulher na farra”, afirma.

Depois da Copa de 1970, Dadá voltaria ao futebol amazonense, desta vez para vestir a camisa do Nacional. Contratado em 1984, aos 39 anos, o atacante despertava desconfiança por conta da idade avançada, mas naquele ano ele não só foi campeão amazonense como ainda conquistou a artilharia com 14 gols.

Colorado

O zagueiro Ediglê Farias, 34, que conquistou a Libertadores da América e o Mundial de Clubes da Fifa em 2006, com a camisa do Internacional, sabe bem o que é o futebol amazonense.

Ele chegou a Manaus vindo do Ferroviário (CE) em 1998 quando tinha apenas 19 anos para defender o Nacional. Passou por outros clubes como Sul América, Rio Negro até chegar em 2004 ao São Raimundo, que à época disputava a Série B.

Neste período o ex-lateral da Seleção Brasileira e do Internacional, Luís Carlos Winck era técnico do Grêmio Coariense. Winck contratou Ediglê em 2005 e o indicou ao 15 de Campo Bom. Naquele ano o clube foi vice-campeão gaúcho e Ediglê foi eleito o melhor zagueiro do certame. Foi o seu passaporte para o Colorado.

É, mas antes de conhecer o sucesso com a camisa do Inter, o zagueiro conta que sofreu com o calor amazônico. “Realmente é muito quente (risos). Tem que ter um tempo para se adaptar. Eu me adaptei e foi uma benção para mim. Me dei bem no futebol amazonense”, lembra Ediglê.

Umidade é o ‘xis’ da questão

De acordo com o fisiologista do Centro de Alto Rendimento da Amazônia (CTARA), Rogerio Marchiorette, 39, o grande “xis” da questão não é a distância geográfica de Manaus em relação às demais sedes, muito menos o calor.

“Nesta época do ano (junho e julho) é verão na Europa e aqui eles (jogadores europeus) vão enfrentar temperaturas na casa dos 28º, 31º. Nas Copas dos Estados Unidos e do México o calor era bem maior”, lembra.

O fisiologista alerta para a questão da umidade. “O grande problema é a umidade. Quando associada ao calor a sudorese não consegue evaporar e o calor interno do corpo aumenta. Eles (europeus) estão acostumados a um clima quente (no verão europeu), mas seco onde conseguem a evaporação do suor. Se o atleta consegue extravasar o calor a sensação térmica acaba sendo menor”, explica.

Para Marchiorette o ideal é que os atletas tenham pelo menos cinco dias de aclimatação antes de jogar as partidas em Manaus.