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Jovem Amazonense é a nova aposta do Santos para o futuro

Hayllan Silva, 15 anos, foi descoberto numa escolinha de futebol em Manacapuru. Ele foi o primeiro garoto daqui, que conseguiu passar e depois ser contratado para a categoria de base do Peixe. 14/04/2012 às 20:16
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O sorriso fácil é fruto do resultado da primeira vitória das muitas que Hayllan almeja conquistar no mundo do futebol
Nathália Silveira Manaus

O centenário Santos Futebol Clube virou lenda no mundo graças a seus meninos. O primeiro e mais célebre foi Pelé. O rei! E para aqueles que achavam que o raio não cairia duas vezes no mesmo lugar, o clube ainda revelou: Robinho e Neymar. 

E o clube segue em busca de novos talentos. E entre as novas descobertas está um atacante de 15 anos, nascido em Manacapuru chamado Hayllan Silva. Ele está de malas prontas para embarcar, na semana que vem, para  São Paulo, onde vai compor a base do sub-17 do Santos.

Para chegar lá, ele precisou passar por três seletivas com mais de mil participantes.

“O Hayllan foi descoberto numa escolinha de futebol em Manacapuru, que tem parceria com a do Santos de Manaus. E ele foi o primeiro garoto daqui, que conseguiu passar e depois ser contratado para a categoria de base”, afirmou o técnico e empresário do jogador, David Filho, explicando que no segundo teste, o atacante passou pelas mãos do bicampeão Mundial e bicampeão da Libertadores, Lima - o Curinga da Vila - e no terceiro e último, foi avaliado por Emerson Ballio, treinador do time juvenil do Santos.

Mas, por trás da alegria que envolve a carreira de um jogador de futebol, Hayllan é dono de uma história de superação. Para o garoto participar da seletiva em São Paulo, a mãe dele, dona Sandra Ferreira, que é merendeira numa escola pública de Manacapuru, e ganha R$ 672, teve que fazer um empréstimo no banco de R$ 3.500 para bancar o sonho do menino. “Certa vez o meu filho reclamou que eu não apoiava a carreira dele e dessa vez, eu não poderia negar ajuda.

Assim, parcelei em 56 vezes esse empréstimo e vou ficar recebendo R$ 200 por mês”, contou Sandra, torcendo por uma mudança na vida do filho. “E eu espero que eu seja incluída nessa lista de mudanças. Eu não imagino uma vida de dondoca como mãe de jogador. Mas sim, de conforto, com uma casa boa, não faltar comida à mesa e um estudo para os meus filhos”, disse.

Para entender porquê Hayllan foi escolhido pelo alvinegro praiano, basta passar um pouco de tempo observando o garoto em campo. A combinação de habilidade, velocidade e passes perfeitos costuma terminar em lindos gols. “Tudo que estou vivendo agora é um sonho. Para mim é uma alegria estar indo para lá, vou ficar longe de amigos e família, mas o que a gente não faz por um objetivo?!”, ressalta o atacante, garantindo que a saudade será sua principal adversaria.

Além disso, o jogador confessa que vai ter que aprender a virar “gente grande” rápido, já que as prendas domésticas era a parte do “jogo” que ele sempre levava cartão vermelho de dona Sandra. “Vou ter que me virar. Só sei lavar roupa com sabonete”, sorri.

Treinos puxados, rifa e sonho

 Com passagem marcada para São Paulo para semana que vem, Hayllan Silva já está na expectativa para ser convocado para o Sul-Americano que ocorrerá no México, em maio. O garoto garante que vai se esforçar para fazer parte da lista de convocados. “Vou mostrar meu trabalho e espero que o professor possa gostar do meu trabalho”, disse.  

O atacante conta que no pouco tempo que frequentou o CT do Peixe, pôde perceber a diferença na carga horária e no tipo de treino. “O dia a dia é bem diferente daquele que eu tinha em Manacapuru. O modo de preparo, o tempo, a estrutura que é enorme, o esquema tático, e os meninos que são mais fortes e preparados”, enumera Hayllan, que vai receber do clube alojamento, médico, escola e um auxílio-salário cujo valor ainda não foi negociado.

Apesar do jogador ter direito a receber uma ajuda de custo do clube, a mãe do amazonense, dona Sandra Ferreira, está fazendo uma rifa no valor de R$ 2, para arrecadar dinheiro e poder ajudar nas despesas do filho. “Não vou ter como ficar mandando dinheiro. Assim, alguns empresários me ajudaram dando ferro (de engomar), DVD e mais outros cinco prêmios para eu rifar. Queremos vender ao menos duas mil rifas”, comentou a mãe, que sempre ocupou o papel de mãe e pai ao mesmo tempo.