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Justiça suíça libera documentos que podem incriminar Ricardo Teixeira e João Havelange

A Justiça suíça investigou um caso de suborno que ocorreu na Fifa entre as décadas de 1990 e 2000 11/07/2012 às 11:23
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Ricardo Teixeira
Uol/ Esporte ---

O Tribunal Federal da Suíça informou nesta quarta-feira que tornará público os documentos da Fifa que podem comprovar a existência de corrupção na entidade. A Justiça suíça investigou um caso de suborno que ocorreu na Fifa entre as décadas de 1990 e 2000. Segundo a rede BBC, os brasileiros João Havelange, presidente de honra da entidade máxima do futebol, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, seriam os condenados.

Até agora, os nomes dos dirigentes não foram revelados, pois os documentos foram mantidos em sigilo devido a um acordo entre a Justiça e os envolvidos no caso. Os condenados pagaram uma multa e devolveram parte da propina e, com isso, garantiram que seus nomes não fossem revelados.

Porém, a decisão do Tribunal Federal da Suíça derruba esse sigilo. “No seu acórdão de 03 de julho de 2012, o Tribunal Federal conclui que existe um interesse material na consulta da decisão de interromper o processo penal. Ele confirma o papel de observadores dos meios com respeito à atividade das autoridades e o interesse público de ser informado das acusações de corrupção dentro da Fifa. Para este propósito, os nomes das pessoas em causa e circunstâncias pessoais e financeiras tomadas em consideração pelas autoridades devem também ser divulgadas aos jornalistas”, informou em nota o Tribunal Federal da Suíça.

Em 2010, um tribunal do Cantão de Zug, na Suíça, investigou o caso e concluiu, em 2010, que "dois membros estrangeiros'' da Fifa haviam de fato recebido subornos da ISL durante os anos 1990. O nome dos dois cartolas não foram revelados, pois houve um acordo entre a Justiça local e os envolvidos, previsto na legislação suíça.

Segundo o UOL Esporte apurou, parte dessas comissões milionárias foram recebidas pelos brasileiros entre 1989 e 1998, ano em que Havelange se afastou da presidência da Federação, depois de cumprir mandatos seguidos desde 1974.

O dinheiro - aproximadamente US$ 40 milhões - foi repassado à Sanud, empresa investigada na CPI do Futebol em 2001 (e que tem o irmão de Teixeira, Guilherme, como procurador, no Brasil), ao fundo  Renford Investiments, e à empresa Garantie JH. Os pagamentos correspondiam a propinas na venda de direitos de transmissão dos jogos das Copas do Mundo, “para um país da América do Sul”.

Em março de 2012, Ricardo Teixeira renunciou a seu cargo executivo na Fifa e deixou a presidência da CBF. Já João Havelange renunciou a cargo vitalício no Comitê Olímpico Internacional, em meio a investigação por corrupção.