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Lendas do esporte amazonense são lembradas no Dia de Mentira

Acredite se quiser: prometeram tudo isso para a torcida amazonense 01/04/2012 às 08:05
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A reforma do estádio da Colina não saiu do papel
Nathália Silveira ---

 Um estádio construído para os moradores da Zona Norte da Cidade. A reforma do estádio da Colina, que deixaria a casa do Tufão digna de receber treinos de seleções estrangeiras durante a Copa do Mundo de 2014. A adequação do estádio Francisco Garcia, em Rio Preto da Eva, que até já foi aprovado pela Fifa para receber treinos. Promessas, promessas e mais promessas. Desde 2009 o fã de futebol local (bem como a imprensa amazonense) se acostumou a receber notícias dessas obras que beneficiariam o esporte bretão no Estado, mas até aqui, grande parte dessas obras, não passou de “conversa para boi dormir”. No Dia da Mentira, o CRAQUE lembra um pouco da história dessas promessas e cobra respostas. Afinal, por que isso tudo não saiu do papel? Em 2009, o então governador Eduardo Braga havia anunciado a construção do estádio comunitário Oswaldo Frota, na Zona Norte da Cidade.

Na época, a construtora Mercury havia vencido a licitação da obra, que para ser erguida contaria com os recursos da Caixa Econômica Federal com a liberação R$ 3 milhões e uma contrapartida de R$ 500 mil do Governo do Estado. A promessa era a de que a construção teria início no mês de março daquele ano. No entanto, três anos depois, a obra ainda não saiu do papel. Segundo o titular da Unidade Gestora da Copa (UGP), Miguel Capobiango, a demora para o início da construção foi devido a um problema de documentação defasada, junto a falta de empenho do Ministério do Esporte em liberar o dinheiro para a realização da obra. Miguel conta que apesar do tempo, a verba disponibilizada pela Caixa e Governo ainda está “de pé”, e a reapresentação do projeto do estádio já está sendo providenciada pela Secretaria Estadual de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel). Será?

 “Semana passada estava no Ministério do Esporte e aproveitei para levantar esse assunto. Passei para a Alessandra Campelo (secretária da Sejel) o que deverá ser feito nos próximos meses, como mostrar um projeto com custo convertido para este ano, apresentar uma nova documentação e repassar à Caixa Econômica uma planilha do novo projeto, que com o tempo já está defasada”, disse Capobiango, acreditando que o valor inicial da obra irá aumentar devido a atualização monetária. O projeto do estádio na Zona Norte, com loteamento no Francisca Mendes, prevê um estádio com capacidade para 4 mil pessoas, grama esmeralda e drenagem. O local não foi confirmado como Centro de Treinamento para a Copa de 2014, até porque não existe. Em maio de 2011, o Estádio Francisco Garcia, em Rio Preto da Eva, foi um dos 145 pré-selecionados pela Fifa como Centro de Treinamento de Seleções para a Copa de 2014. Os Centros de Treinamento são os locais apontados pela entidade para o período de aclimatação das equipes que vão disputar o Mundial. Com a visita, a entidade apontou num relatório as recomendações e adaptações que o estádio deveria passar para ser credenciado como CT, mas até agora, nem sinal de qualquer reforma ou adaptação no estádio. “Nós já estamos com os requisitos e a Secretaria de Estado e Infraestrutura (Seinfra) já fez levantamento e está finalizando o projeto para verificarmos a solução do ajuste do único campo do Estado confirmado como Centro de Treinamento”, disse Capobiango.

E a ‘lenda’ da Colina?

A tão propalada reforma do estádio Ismael Benigno, a Colina, orçada em R$ 19 milhões, também foi prometida há três anos, em 2009. Mas, somente este ano a elaboração final do projeto de arquitetura saiu. Segundo Miguel Capobiango, a demora na elaboração do projeto aconteceu porque a Seinfra fez o sozinha o projeto, sem respaldo e ajuda de empresas de fora. Além disso, a secretária da Sejel, Alessandra Campelo, explica que a obra passou de R$ 19 para R$ 21 milhões, devido adaptações no projeto - grama nova. A “nova Colina” promete a ampliação do número de expectadores de 5 mil para 10 mil, adaptação para portadores de deficiência física, acesso dos times ao gramado pelo subsolo e a inclusão de edifício garagem com capacidade para 750 vagas.

 “O projeto está pronto. Inclusive a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) está cuidando da liberação do recurso, pois a ideia é que esse estádio seja apoiado com recurso do Ministério do Esporte, e já existe uma emenda de bancada para isso. O que ainda falta é a licitação e para tal temos que ter primeiro o convênio assinado”, ressaltou Miguel, explicando que não é possível prever o início e término das obras. Segundo Alessandra Campelo, a equipe técnica do Ministério dos Esportes já indicou o recadastramento do projeto para que a liberação do recurso possa ser autorizada. “Com isso, temos uma previsão para realizar a licitação até abril”, comentou a secretária.

Atrasos e mais atrasos

 Reduto do Penarol e do Campeonato Amazonense, a reforma do estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara (a 170 quilômetros de Manaus) estava prevista para ser entregue em janeiro deste ano, o que não aconteceu na prática. Atualmente, o Penarol disputa o Campeonato Amazonense com seu estádio em reforma. A secretária Alessandra Campelo, porém, explica que os dois meses de atraso foram devido a uma mudança no projeto. Campelo explica que durante as fundações no terreno do estádio, a água estava muito próxima da superfície onde seria realizada a construção e no futuro isso seria um problema para o estádio e deixaria em risco a segurança dos freqüentadores do local. A reforma teve ser paralisada.

 “A Seinfra teve que fazer um estudo do solo (sondagem) para poder precisar no Projeto Executivo das fundações o que precisaria ser feito para sanar o problema. Após esse estudo, o prazo para entrega do estádio reformado é de 15 a 20 de junho”, afirmou. Para a reforma, o Governo do Estado vai investir R$ 1, 500 milhão. A responsável pela obra e vencedora da licitação é a Metro Quadrado Engenharia.Justificativas, novas datas, espera, muita espera. Enquanto as obras não saem do papel, o torcedor amazonense aguarda, sabendo que se um time local for à final do Campeonato Brasileiro da Série D, por exemplo, como aconteceu com o América em 2010, teremos de disputar as finais fora do Amazonas, por falta de estádios. E não custa nada lembrar: a Copa vem aí.