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Londres 2012: Ala-amador do Brasil acredita que o Basquete conquistará uma medalha olímpica

Marcelinho Machado, o jogador mais velho da Seleção Brasileira bateu um papo exclusivo com o CRAQUE e falou também da convocação de Nenê e Leandrinho para Londres 20/06/2012 às 10:01
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Marcelinho Machado acredita na conquista de uma medalha em Londres
Nathália Silveira Manaus

Carioca, filho e sobrinho de jogadores de basquete, coração de rubro negro, fã de Vágner Love e admirador das ondas nas horas vagas. Marcelinho Machado se mistura entre jogador, torcedor, bem como  admirador de esportes e confessa que tenta influenciar seu filho, Gustavo, de três anos de idade, a ser cestinha também.

Como pai, ele deseja levar seu filho para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro e  vivenciar  em sua cidade natal - pela primeira vez  - a emoção de ser telespectador de uma competição de basquete.

Como jogador, esse ala-amador  superou os quatro Pré-olímpicos que o deixaram fora das Olimpíadas e comemora, através de muita dedicação, o seu quinto e último Pré-olímpico, que lhe rendeu um vaga para ir às Olimpíadas de Londres, após a Seleção Brasileira derrotar a República Dominicana, ano passado, na Argentina.

Considerado um verdadeiro guerreiro, esse atleta de 37 anos admite que em 2008 cogitou aposentadoria, pois não aguentava mais viver à sombra de uma conquista Olímpica. No entanto, ele afirma que  seu desempenho dentro de quadra falou mais alto que suas frustrações.

“Eu lutei por um objetivo e fico muito feliz por não ter desistido”, disse Marcelinho numa bela tarde ensolarada do Rio de Janeiro, em que curtia um dia de folga. “Afinal de contas também sou filho de Deus, né não?!” (risos).

Brincadeiras à parte, o jogador mais velho da Seleção Brasileira de Basquete bateu um papo exclusivo com o CRAQUE e falou sobre a possível conquista de uma medalha olímpica, a convocação de Nenê e Leandrinho para Londres, o tempo que amargou ao esperar uma vaga num dos eventos mais competitivos do planeta e sobre os adversários que a seleção terá pela frente, entre as quais: Espanha, China, Grã- Bretanha.

Mas, antes de falar sério, simpático como ele só, Marcelinho engata uma conversa sobre a emoção que sentiu ao ver seu nome na lista de convocação para ir às Olimpíadas de Londres, no dia 17 de maio, tirando o Brasil de um jejum que já durava 16 anos sem disputar o maior evento esportivo do planeta.

“Nossa, você não tem ideia da festa que eu fiz com a minha família. Fui para casa dos meus pais e lá no condomínio a gente se reuniu e foi muito bonito. Espero isso há muito tempo e fiquei ainda mais alegre de poder comemorar com minha esposa e com meu filho. Buscava isso e essa festa, também. Foi um ato de agradecimento a todos que me apoiaram e me ajudaram. Um sonho realizado”, contou.

Você teve medo, ou, o que passou em sua cabeça,  quando entrou para disputar seu quinto pré-olímpico, na Argentina, com 36 anos de idade? O provável julgamento das pessoas caso a Seleção Brasileira não classificasse, te assustou?

Não tive medo. Na verdade, encarei isso como um desafio e, como vinha algum tempo tentando, era um desafio ainda maior. Uma motivação. Logo, essa espera me ajudou nesse sentindo, de agarrar com todas as minhas forças essa última chance. Já o julgamento das pessoas nunca passou pela minha cabeça. No esporte, a gente vive com o sucesso e insucesso. Quando você ganha é exaltado, elogiado e quando perde é muito cobrado, principalmente pela imprensa. Por isso, prefiro não focar no que as pessoas possam pensar e fazer o meu trabalho. O meu melhor.

Desde que você começou a defender a Seleção Brasileira que o País não vai a uma Olimpíada. Conseguir o feito de ir, traz uma responsabilidade a mais por um título, principalmente para trazer uma medalha de ouro?

Não encaro isso com uma responsabilidade a mais. Tento administrar isso muito bem. Na verdade, estamos indo às Olimpíadas de Londres em um nível muito bom e equilibrado. Conseguir uma medalha é difícil,  mas temos essa meta e vamos trabalhar para isso.

Como você se sentiu todos esses anos em que tentava ir a uma Olimpíada e não conseguia? Houve algum ano que foi mais frustrante do que os outros?

É lógico que quando você não consegue um objetivo, fica chateado e frustrado. Sempre tentei trabalhar isso em mim. Afinal, temos que saber lidar com perdas no esporte. Mas o  Pré-Olímpico de 1999 foi algo que pesou muito, pois foi o meu primeiro. Confesso que o Pré-Olímpico de 2003 e 2007 foram os que mais pesaram para mim. Afinal, nós tínhamos uma  boa equipe naquela época e não conseguimos conquistar o nosso objetivo, apesar da qualidade que tínhamos em quadra.

Em 2008 você cogitou uma aposentadoria, mas acabou  ficando na seleção. O que fez você mudar de ideia? Estava somente esperando por Londres?

Realmente eu cogitei em 2008 aposentar. No entanto, percebi  que não poderia passar minhas frustrações de não ir as Olimpíadas e encerrar a minha carreira. Nessa época eu preferi realmente dar atenção ao meu rendimento, que continuava muito bom. Assim, eu lutei pelo meu objetivo e fico muito feliz de não ter desistido. Afinal, superei minhas frustrações e vou às Olimpíadas.

Em 2016 ainda teremos você em quadra, disputando em casa? E como está a renovação do basquete brasileiro para as próximas Olimpíadas?

É muito improvável que eu esteja na seleção nas Olimpíadas de 2016. Na verdade,  eu quero estar, mas não como atleta. Quero ir para assistir. Vou ficar muito feliz de estar lá como telespectador e não só do basquete, mas de várias outras <br/>modalidades.

Será que a emoção de atleta para  telespectador  vai mudar?

Ah, deve ser muito diferente. Ser  espectador, ver uma Olimpíada é uma emoção única. Ainda mais quando o evento é na sua cidade natal (as Olimpíadas de 2016 vão ser no Rio de Janeiro). Em 2016, ainda poderei ter a companhia da minha família e isso vai ser incrível! O Gustavo (filho de Marcelinho) vai ter sete anos e já vai poder entender o que está acontecendo.

Por falar no Gustavo  (filho), com três anos de idade ele já sabe se vai querer ser jogador que nem o pai?

(Risos) Pois é... Eu tenho que confessar que faço pressão nele. Ele já faz outros esportes além do basquete, mas sempre ajudo para que ele possa dar mais atenção ao basquete. E ele gosta, sabia?!

Como é estar competindo perto da casa dos 40 anos? Isso te dá mais maturidade para ir a uma Olimpíada e também mais “presença” perante os mais novos (quando falo presença é no sentindo de ser espelho, o conselheiro da seleção)?

Ah, existem muitos jogadores bons na seleção e que conseguem passar experiência entre o grupo. Não existe esse lance de idade é um número. Tanto é, que os mais novos conseguem enxergar coisas que os mais velhos  não vêem, pois os que estão mais tempo, às vezes, ficam viciados em certas atitudes e o jovem consegue passar uma nova visão; reparar nesses detalhes. Ou seja, acabamos que, pela troca de experiência, nos tornamos um grupo unido.

 O Rubén  Magnano mudou a formar de comandar a seleção brasileira? Se sim, de que forma?

É impossível dizer que o Rubén não mudou a seleção. Sim, ele mudou, e conseguiu fazer isso pelo seu modo de trabalhar. Ele é um cara correto, honesto, e que cobra muito, exigente mesmo! No entanto, sabe como fazer tudo isso, sabe cobrar e tem critérios estabelecidos. Dessa forma, trata cada jogador de forma igual, não beneficia ninguém, nem o mais jovem, nem o mais velho. Ele sempre luta pelo melhor do grupo e está conseguindo isso devido a experiência que tem.

O Leandrinho e o Nenê foram convocados para ir a Londres. De alguma forma, você não considera essa convocação injusta,  ou que esse fato possa afetar a equipe e os torcedores, já que eles não foram ao Pré-olímpico? Como avalia a situação?

Quando a  gente conseguiu a vaga para ir às Olimpíadas, dizia que a decisão estava na mão Rubén Magnano e qualquer que fosse (a decisão) seria boa. Eu já joguei tanto com o Leandrinho, quanto com Nenê e sei que o dois são bons e sei do profissionalismo deles. Acho que o importante é que faremos uma boa equipe para defender o título. Tenho certeza que isso não afetará a equipe e acho que a torcida da seleção brasileira vai nos apoiar e vestir a camisa para torcer.

Você recebeu o título de  novo Oscar Schmidt após bater o recorde de pontos nacionais. Oscar era detentor de 59 pontos e você conseguiu fazer 63. Como encara esse “novo” título?

Bom, eu não me acho o ‘Oscar Schmidt’. Primeiro que para mim ele é um ídolo e, segundo, por ter a certeza que cada um tem o seu espaço. Mas confesso que bater um recorde de alguém que admiro tanto, é motivo de felicidade. Até porque, no esporte coletivo é muito difícil você obter destaque sozinho. E quando consegui uma marca individual, fiquei empolgado, feliz mesmo. Fora que eu não bati qualquer um, não é? Como falei, o Oscar é um ídolo e um amigo também,  que me deu muita força no início de carreira e quem me dá conselhos até hoje. Quando bati o recorde, ele mesmo fez questão de me entrevistar! Fiquei lisonjeado.

 Como estão os treinos da equipe para as Olimpíadas?

O nosso treinamento vai continuar sendo o mesmo do ano passado. Nada muda. Ainda temos alguns dias antes de ir a Londres, pois a nossa apresentação será no dia 10 de julho. Até lá, teremos que nos preparar bastante para poder chegar bem. A dedicação será total de nossa parte.

Você é jogador do Flamengo também. Mas é rubro-negro de coração mesmo?

Sou rubro negro mesmo! Na verdade, eu sempre fui. Comecei a jogar basquete com dez anos, na época do Zico, um excelente jogador e que tinha uma postura muito boa. Aí, eu torcia mesmo, era fã dele, sou fã, e era impossível não torcer pro Fla.

Sendo tão fanático pelo Flamengo, quem é desse grupo agora que você mais gosta dentro de campo?

Então, eu gosto mesmo é do Vágner Love. Ele é diferenciado dentro do campo, faz gol. Pra mim, um dos melhores!

Em ano de Olimpíada dá tempo de descansar, sair e curtir a família?

Dá sim, a gente se planeja. As minha tarde , na maioria das vezes, é de folga. Mas sei que quando chegar mais perto...

A Seleção Brasileira estreia em Londres contra a Austrália. Precisamos nos preocupar com esse adversário, ou o  desfalque do Andrew Bogut será uma brecha para a seleção vencer?

A seleção brasileira é forte, mas os confrontos são tradicionais e não podemos nos dar o luxo de pensar que o jogo vai ser fácil, mesmo sem o Andrew. Não existe jogo fácil.

Você considera o grupo da chave A forte? E quem deles mais preocupa (Espanha, China., Grã-Bretanha...)?

A Espanha está entre as melhores. Na verdade, a Espanha e os Estados Unidos são favoritas ao título olímpico. Nós também não podemos jamais pensar que a seleção brasileira está à frente. Afinal, todo mundo que vai estar lá (nas Olimpíadas de Londres) está por mérito. O que posso dizer com toda certeza é que vamos buscar e brigar muito por uma medalha na competição.

O que gostaria de dizer ao torcedor brasileiro?

Que torçam muito pela seleção brasileira. Parece que não, mas a gente sente muito a vibração da torcida. Nossos familiares, que vão às Olimpíadas, transmitem todo esse  carinho que vem do Brasil e isso é super importante para gente. E nós sempre vamos tentar lutar e honrar a camisa do nosso País.

Perfil - Marcelo Magalhães Machado

Nascimento: 12 de abril de 1975 (37 anos)

Natural:  Rio de Janeiro (RJ)

Altura:  2m

Peso:  88Kg

Modalidade:  Basquete

Posição:  Ala-armador

Clube:  Flamengo

Medalhas:  Conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 1999, Santo Domingo 2003 e Rio de Janeiro 2007.