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Londres 2012: Amazonenses contam as suas histórias na cidade olímpica

Imigrantes manauaras contam as suas histórias e experiências na cidade que vai sediar os jogos das olimpíadas de Londres 2012 23/07/2012 às 21:28
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Rafael Kitauchi, no trajeto do banco em que trabalha, ele já sente 'a correria olimpíca'
Leandro prazeres Londres

A delegação “amazonense” nas Olimpíadas de Londres não se limita a Daynara de Paula (natação), Sandro Viana (Atletismo) e Lígia Silva (tênis de mesa). A capital britânica é uma das que mais atraiu imigrantes brasileiros nos últimos anos e, como não poderia deixar de ser, os manauaras também estão nessa leva. A equipe de A CRÍTICA  em Londres encontrou dois “barés” que vão viver o clima dos Jogos Olímpicos de maneira bem distinta.

Hugo Leonardo Dias Rezende Martins, 27, nasceu em Manaus, mas cresceu dividido entre a sua terra natal e o Rio de Janeiro. O pai, militar da Marinha, era constantemente transferido, mas é do Amazonas que Hugo tem algumas de suas mais fortes lembranças. “Meus tios têm balsas e eu viajava com eles para a região do Purus. Era uma viagem que levava um mês, mas eu adorava”, conta.

Mudança


Hugo Leonardo, após viajar pelo Purus, ele desembarcou em Londres onde é chefe de cozinha (Foto: Clóvis Miranda)

Há seis anos, Hugo e a família se mudaram para a Europa. Primeiro para Portugal. Há um ano e meio, Hugo vive em Londres onde trabalha como chefe de cozinha em um restaurante italiano. Nos últimos meses, ele vivenciou os últimos preparativos para o maior evento esportivo do mundo. “A cidade foi ficando mais bonita. Tem gente de todos os cantos do planeta vindo para cá e circulando por toda a cidade. Na semana passada, ainda não dava para sentir esse clima, mas agora, já dá pra ter essa noção”, diz Hugo.

Clima olímpico

Rafael Kitauchi, 29, é formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e vive há seis anos em Londres. Em Canary Wharf, coração do setor financeiro londrino, ele já conseguiu sentir a chegada do “clima olímpico”.

“O banco onde eu trabalho fica na rota de quem vai para o Parque Olímpico. Pelo metrô, a gente já consegue sentir que a cidade está ficando cada vez mais lotada”, explica ele.

Rafael e Hugo terão experiências diferentes com as Olimpíadas de Londres. Enquanto Rafael, já garantiu ingressos para as finais do Judô e para partidas do futebol, Hugo deverá acompanhar os Jogos pela TV ou pelo smartphone.

“Lá no restaurante em que eu trabalho, o ritmo vai ser bem puxado. Tem muito mais turistas na cidade e vamos dar uma força extra para dar conta. Não tem TV na cozinha, mas em casa ou pelo telefone vai dar para acompanhar”, diz Hugo.

Rafael, amante de judô, torce para que o judoca brasileiro Leandro Guilheiro, primeiro do ranking mundial na categoria até 81 quilos, chegue até à final olímpica.

“Ele é favorito. Já estou com os bilhetes. Tomara que ele chegue lá”, diz o amazonense, bem esperançoso.

Saudade do jaraqui e tucumã

Mesmo sem se conhecerem pessoalmente até o encontro para essa reportagem, Rafael e Hugo têm saudades idênticas quando o assunto é Manaus. Os dois dizem sentir falta dos amigos, da família e de alguns quitutes amazônicos que mesmo em Londres, uma das capitais mais cosmopolitas do mundo, parecem difíceis de encontrar.

“Do que eu mais sinto falta aqui? Pão com tucumã, tapioca e cupuaçu”, diz Hugo sem hesitar. Rafael não é muito diferente. “Sinto muita falta da minha família e de jogar futebol com meu pai. Também sinto saudade do jaraqui e do pão com tucumã”, complementa ele.

Mas não são apenas as saudades que Hugo e Rafael sentem que são parecidas. Os dois estão bastante preocupados com o “papel” que o Brasil vai fazer em 2014, durante a Copa do Mundo e nas Olimpíadas de 2016. “A gente fica preocupado porque o Brasil vai estar no centro das atenções. Há seis anos eu não vou a Manaus, então não sei como a cidade está, mas pelo que eu conhecia, tem muita coisa que precisa ser feita em termos de transporte. Londres, que tem um sistema mundialmente conhecido pela qualidade já está tendo problemas, imagina Manaus”, diz Hugo.

Rafael concorda com Hugo. “Londres se preparou durante anos para esse evento e o que a gente vê é que tudo foi feito como eles planejaram. Essa questão da infraestrutura é algo que o Brasil precisa aprender como lição”, afirma Rafael.